Tribos


Ultrapassamos o ano 2000 e o Brasil ainda ignora a imensa sociodiversidade nativa contemporânea de seus povos indígenas. Viciados em ver a história do ponto de vista dos invasores, não nos damos conta de que os valores deste país não são apenas as minerações, o extrativismo, o latifúndio, a pecuária, a industrialização, a expansão urbana, as ferrovias, as rodovias, as universidades…

O imperialismo expansionista tem proporcionado, ao longo desses últimos 500 anos do descobrimento português, um esmagamento cultural nas terras brasileiras que haverá de culminar com a total extinção dos povos indígenas do Brasil.

Os Karajás


Foto: Franca Vilarinho

Estudos de raça e linguagem mostram que os Karajás se dividem em três grupos: os Xambioá, os Javaé e os Karajás propriamente ditos. Estes três grupos formam uma família lingüística pertencente ao tronco Macro-jê, que engloba os índios Kadiwéu, Assurini, Waurá, Parakanã e os Karajás.

O território ocupado pelos povos do tronco Macro-jê localiza-se em regiões de campos cerrados que vão do sul do Maranhão e Pará até o Oeste do Rio Grande do Sul, passando por Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A família dos Karajás (Xambioá, Javaé e Karajás), com uma população estimada de 2.450 índios, habita áreas existentes nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins e Goiás. São populações ribeirinhas que vivem às margens dos rios Tocantins e Araguaia.


Foto: Franca Vilarinho

A intenção desta matéria é relatar a atual situação do grupo Karajás composto por 93 membros divididos em 12 unidades familiares, habitantes de terras localizadas na periferia da cidade goiana de Aruanã, às margens do ria Araguaia.

Aruanã, 2002

Ali se vê ao vivo cenas de um conflito centenário que tem hoje de um lado 93 índios Karajás entre homens, mulheres e crianças que querem demarcadas e protegidas suas áreas, sob o forte argumento de que a terra é de seu uso há mais de 800 anos. De outro lado autoridades locais, fazendeiros e agricultores das vazantes (vazanteiros), com todo seu poder de fogo e persuasão. Além destes, milhares de turistas que a cada ano passam por aí promovendo caça e pesca predatórias e a poluição.

Para entender o que significa a demarcação e proteção destas áreas que garantiriam o habitat natural e sustentável dos índios é necessário entender o seu modo de vida. Trata-se de um povo ribeirinho, tradicionalmente pescador. Construíam aldeias temporárias ao longo das praias do rio Araguaia, incluindo a casa de Aruanã (casa das máscaras). Ali realizavam a dança de Aruanã, um dos ritos mais importantes de sua cultura. Seus ritos de adoração ao povo do céu (que lhes ensinou a plantar) e ao povo do fundo das águas (que lhes ensinou a pescar) representam a rede de relações sociais e ambientais que compõem o território dos Karajás.

Este território inclui três tipos de ambiente: as porções das margens do Araguaia, onde existem as aldeias de moradia; os capões de mato mais para o interior, onde caçam e fazem seus cultivos de caráter permanente (mandioca, banana, cará e fruteiras em geral); os terrenos férteis das vazantes, utilizados para cultivos tradicionais temporários (abóbora, melancia, arroz, feijão, milho…). Todos estes ambientes são necessários à sua sobrevivência. Há séculos praticam neles a caça, a pesca, a agricultura e o artesanato.

Ocorre que parte destas áreas se encontra invadida por 11 vazanteiros de Aruanã que fazem deste cultivo o complemento de suas atividades de funcionários municipais, empregados ou comerciantes locais, ou ainda profissionais autônomos. Dois grandes fazendeiros (um deles ex-prefeito da cidade) também reivindicam a área e nela criam seus bois, motivo de brigas com os vazanteiros e os Karajás. A cidade de Aruanã está implantada em meio à antiga área de moradia dos Karajás, estendendo-se também pelas áreas que eram de cultivo de capões. A caça e a pesca estão seriamente desfalcadas pela presença de 150 a 200 mil turistas que acampam anualmente nas praias do Araguaia.

Roteiro da decadência

Evidências arqueológicas identificadas por sua tradição em cerâmica indicam que os Karajás ocupam estas terras desde 1190. Através do bandeirante Manoel Rodrigues Ferreira, em 1613, tiveram seu primeiro contato com os europeus. Tomé Ribeiro, em 1658, e Gonçalo de Veras, em 1671, os localizaram ao longo do Araguaia.

Em 1774 foram mobilizados para a fundação da Vila Boena ao sul da Ilha do Bananal. Em 1782 o governo de Goiás transferiu cerca de 700 destes índios, à revelia dos mesmos, para São José de Moçamedes e outros povoados onde foram reduzindo sua população em diversas epidemias. Em 1850 fundou-se o presídio de Leopoldina, origem da atual cidade de Aruanã. Este presídio foi destruído duas vezes pelos Karajás, em 1853 e 1855. Em 1871 foi fundado o Colégio Santa Izabel onde, em 1876 estudavam, entre outros, 52 índios Karajás.

EEm 1959 o município de Aruanã emancipou-se ocorrendo titulação de terras para não-índios. Entre 1965 e 1970 foram vendidos lotes a quem interessasse, que incidiam sobre o já diminuto território dos Karajás. Antes, para a navegação de barcos a vapor, foi construído um ancoradouro sobre o cemitério dos índios, sendo os seus mortos removidos a trator para dentro do rio.

A opinião dos não-índios de Aruanã é de que os índios já não existem mais como raça. Porém, apesar do avançado estágio da desnutrição em que se encontram e apesar de não fazerem mais festas e oferendas, por falta de alimentos mesmo, eles praticam a agricultura, a caça e a pesca, como seus antepassados.

“A prostituição e o alcoolismo constatados atualmente entre os Karajás de Aruanã deve ser entendido no contesto desta perda de sentido cultural. A falta de providências quanto à regularização fundiária deste grupo arrisca resultar na expulsão definitiva dos Karajás da cidade que seus antepassados ajudaram a construir” alerta a antropóloga Ana Maria Costa, num parecer sobre o assunto publicado no Diário Oficial da União, em 10 de janeiro de 1995.

Novos tempos

Hoje a tradição vem sendo esquecida. O trabalho agora é preservar pelo menos a linguagem e o artesanato. Estão preocupados em passar informações a pesquisadores e interessados. Passaram para a escrita a história dos seus antepassados.


Foto: Franca Vilarinho

As crianças do grupo estão sendo motivadas a trabalhar com a pintura em madeira e cerâmica. Esta era uma atividade só das mulheres, porém agora está se tornando efetivamente uma fonte de renda. Serve para pagar a conta luz, da farmácia, do armazém…

A Assessoria de Comunicação da FUNAI informa que a área dos Karajás subdivide-se em três: Aruanã I (14,25 hectares, demarcada e com registro suspenso. Processo de desocupação na justiça); Aruanã II (893,26 hectares, demarcada, homologada, registrada em cartório – MT – e registrada no SPU – Serviço de Patrimônio da União); Aruanã III (705,17 hectares, demarcada, homologada, registrada em cartório – GO – e registrada no SPU). Apenas esta última já possui projeto com plantações de arroz, feijão, milho e árvores frutíferas. Recebem em breve 20 cabeças de gado para com a pecuária. A FUNAI mantém na área um Chefe de Posto, uma viatura e equipamentos agrícolas.

Para o Pajé Santxiê Tapuya, dos índios do cerrado, “a FUNAI precisa marcar presença mais efetiva na área. Implantar atividades produtivas, um sistema de auto-sustentabilidade com a flora brasileira. Que os índios produzam e venham oferecer seus produtos à sociedade brasileira que necessita muito dos nossos remédios. Isto já não ocorre porque no Brasil há uma política segregacionista, preconceituosa, que não permite integrar os índios nus, descalços, com flechas na mão, à sociedade brasileira. Agora, com as novas gerações, movimentos sociais organizados e ONG’s, advêm uma nova filosofia. Quem sabe isto possibilitará uma verdadeira integração cultural” conclui o Pajé.

publicado pela Multarte com a colaboração de:
Tatiana Lopes
Antônio Guimarães

Indigenous Leaders Speak Out

Indigenous LeadersThe Peruvian government, recently, has been involved in an intense campaign to exploit oil and gas resources in the Peruvian Amazon: as of 2007, more than 70% of the Amazon region has been marked for oil and gas development. This number has increased drastically, given that in 2004 only 13% of the area was in the hands of oil and gas companies. Given the ugly history of oil development in the region, indigenous people who make their home in the Amazon are extremely worried about the potential environmental, social, economic, and cultural consequences of such a massive influx of oil and gas exploitation. Moreover, the imposition of oil and gas development in the region without indigenous consent represents a violation of indigenous rights (national and international) to determine their own development path (e.g. ILO 169).

Given the power of the Peruvian state and transnational oil companies to control and manipulate the process of oil development (this means marketing, selling, and facilitating oil exploration, exploitation, and production), AIDESEP (the Interethnic Development Association for the Peruvian Jungle) and FECONAU (Federation of Native Communities from the Ucayali Region of the Amazon) have asked for our assistance in making indigenous voices (protest) heard at the highest levels. On February 8th, 2008, in Houston, TX, Perupetro is sponsoring an event that is primarily designed to convince potential investors of the benefits of oil development in Peru. Contrary to Peruvian State’s pro-development discourse, leaders of AIDESEP and FECONAU want to manifest their opposition to oil and gas development in Peru and to firmly reject the entrance of petroleum companies on their communal territories. This decision was made on the 22nd of January in a FECONAU conference, with the presence of 120 indigenous leaders, where three (3) delegates were elected unanimously to send a message of protest at the Houston meeting.

What they are asking for:

One plane ticket from Lima to Houston.
Logistical support for food and hotel for a contingency of 4 people.
Transportation (car rental).

WE NEED YOUR HELP!
As you know, Village Earth has been in alliance with Shipibo leaders and indigenous organizations in the Amazon working for their rights to self-determination for over three years now. They are relying on us and our network of supporters to let their voice be heard. This is a seminal moment in protecting both the Amazon rainforest and indigenous livelihoods – WE HAVE TO ACT FAST and WE NEED YOUR SUPPORT!
Contact:
Village Earth
970-491-5754
by kristina@villageearth.org

Especial – Carajás

Entenda por que esta região brindada com a sociobiodiversidade da Floresta Amazônica, monumentais reservas minerais e coberta de assentamentos apresenta níveis de pobreza e índices de desmatamento tão avançados

Por Maurício Hashizume

Muito minério e pouco desenvolvimento ativam manifestações
Desafios para a sustentabilidade cobram maior atuação do Estado

A disputa pela terra e pelos recursos naturais em Carajás é marcada pela assimetria de forças e está encharcada de sangue dos pobres. Ninguém ousou imaginar que o camponês se fixaria em 478 assentamentos na região

Por Rogério Almeida*

Houve um tempo em que as terras do Araguaia-Tocantins eram livres, os rios formavam as principais vias de circulação e os povos indígenas compunham a diversidade social e ambiental do lugar. Eram dias de floresta frondosa.
A rica sociobiodiversidade, no entanto, não mereceu reconhecimento dos planejadores da ditadura militar – que, no apagar das luzes da década de 1960, decidiram “integrar” a região e ocupar o que consideravam como “vazio demográfico”.

No papel de indutor do processo, o Estado fez par com o capital nacional e internacional. Amparadas em políticas de renúncia fiscal e financiamentos públicos, empresas e bancos do Centro-Sul do país passaram a dominar grandes extensões de terra. As rodovias passaram assim a cortar territórios e incentivar a “conquista” da fronteira agromineral.

Como nos tempos de Cabral, a matriz desenvolvimentista ancorada no uso intensivo dos recursos naturais estabeleceu a escalada predatória. Institucionalidades ganharam corpo com a criação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e o Banco da Amazônia (Basa), verdadeiras “mães” numa ordem marcada pelo patrimonialismo.

A extração de madeira, a pecuária e a mineração consistiram nas atividades econômicas centrais para a “ocupação” da região. Eixos de integração para facilitar a circulação de mercadorias, em particular grãos (com ênfase na soja), são prioridades até hoje. Uma rede multimodal de transportes (rodovias, ferrovias e hidrovias) desponta dos croquis do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que em nada destoa de planos pretéritos.

A lógica dos planos socializa chagas como a miséria, a destruição da natureza, o trabalho escravo e outras ilegalidades – representadas pelo vasto rosário de casos de violência e de crimes impunes contra trabalhadores rurais, advogados, religiosos, ambientalistas, militantes da reforma agrária. Um lugar tão rico e tão pobre, que vê a riqueza se esvaindo todos os dias para ser usufruída por outros. Não há nada de novo front além da chancela do enclave. A Vale, que abandonou a sigla da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), é a grande empresa que traduz o poder econômico e político da região.

Carajás reúne um mundaréu de gente – índios, camponeses, assentados da reforma agrária, garimpeiros, madeireiros, guseiros e pecuaristas. Pesquisadores e jornalistas se fartam e produzem estudos e panoramas de variados ângulos sobre a dinâmica de redes econômicas, políticas e sociais da região.

A disputa pela terra e pelos recursos naturais é marcada pela assimetria de forças e está encharcada de sangue dos pobres. Só na década de 1980, tombaram muitos como Expedito Ribeiro e João Canuto. Houve chacinas nas fazendas Ubá e Princesa, entre tantas. Ainda hoje vivas sob o manto da impunidade.

Ninguém ousou imaginar que o camponês se fixaria na região. Foi a partir do massacre de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, que inúmeras áreas ocupadas passaram a ser homologadas como projetos de assentamento rural. Lá estão hoje mais de 80 mil famílias distribuídas em 478 projetos de assentamento que, somados, resultam em porcentagem significativa de toda a região. Parte dessa gente está organizada em frentes sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri).

Não são poucas as organizações que questionam o modelo de desenvolvimento ora desenhado. Os dias são delicados, marcados por uma agenda de grandes obras, como a construção de hidrelétricas para a garantia de fornecimento de energia das empresas do setor de alumínio no Maranhão (Alumar/Alcoa) e no Pará (Albras/Alunorte/Vale). Há ainda a tentativa de efetivação do Distrito Florestal Sustentável (DFS) de Carajás, que abre espaço para a expansão da monocultura de eucalipto com o intuito de alimentar o Pólo Siderúrgico de Carajás. Isso sem citar várias frentes de mineração da CVRD.

Os trabalhadores rurais e suas famílias permanecem em Carajás, sem saber ao certo se vão ficar. Sabem que é muito difícil inverter a agenda dos grandes projetos e reivindicam ações do Estado para reduzir o hiato entre ricos e pobres. A agenda dos centros de pesquisa ainda não foi redirecionada, e no horizonte, não existe um projeto de desenvolvimento alternativo que se apresenta com nitidez a essa população excluída e pressionada.

Eles lutam dia após dia enfrentando as intempéries do que restou de floresta e batendo de frente com os projetos homogeneizantes de desenvolvimento. Feito bambu, que verga, mas não quebra. Estão ali para desafinar o coro dos contentes.

*mestre em Planejamento do Desenvolvimento Regional e colaborador do Fórum Carajás, do Ecodebate e do Ibase, entre outros. É autor do livro Araguaia-Tocantins: fios de uma História camponesa.

Brazilian Indians About 300 young people from the Tupinambá, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Pataxó and Tuxá (state of Bahia), Tupinikim (state of Espírito Santo) and Xukuru (state of Pernambuco) peoples gathered at the 3rd seminar of Tupinambá young people at Serra do Padeiro in the state of Bahia from August 31 to September 2.

 

The Tupinambá people have strengthened their struggle and have been encouraging its young people to organize themselves.

 

Based on the theme “Organized Youth, Strengthened Community,” the meeting discussed the following topics: organization of young people, demarcation of indigenous territories, public policies and challenges faced by the indigenous young people.

 

“The seminar was successful. Young people participated in it actively and contributed to discussions on topics related to the daily reality faced in the villages,” evaluated Magno Santos, a young Tupinambá, one of the event organizers.

 

As a result of this articulation, a committee made up of nine young people from three villages located in the south region of the state of Bahia was created.

 

The first activity of this committee will take place on September 21 at Monte Pascoal, when a “Letter of Young Indigenous People” will be drawn up to be sent to both state governments and to the federal government with proposals and claims from young people of the region.

 

One of the most discussed topics in the seminar and which will be included in the letter is the demarcation of the Tupinambá land.

 

“We decided that if Funai doesn’t solve this problem, indigenous young people will demarcate the territory themselves,” declared Magno.

 

Challenges faced by these  young people today, such as pregnancy during adolescence, sexually transmitted diseases, and drug and alcohol abuse also drew the attention of the participants.

 

“We want the government to take a policy position in relation to these issues,” said the Tupinambá youth.

 

An important victory of the youth organization was a proposal to set up a committee of young indigenous people to join the Apoinme (Cooperation of Indigenous Peoples from the Northeast region, the state of Minas Gerais and the state of Espírito Santos.)

 

Representatives from Apoinme who were present at the seminar said that, from next year on, this committee will become part of the entity.

 

CIMI – Indianist Missionary Council

bahia-brazil.png

From August 31 to September 2, around 300 young people from the Tupinambá, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Pataxó and Tuxá (state of Bahia), Tupinikim (state of Espírito Santo) and Xukuru (state of Pernambuco) peoples gathered at the 3rd seminar of Tupinambá young people at Serra do Padeiro in the state of Bahia, Brazil.

 

The Tupinambá (also known as the Tupi) have recently begun strengthening their struggle, encouraging its young people to organize themselves.

 

Based on the theme “Organized Youth, Strengthened Community,” the youth naturally focused on matters of organization, aswell as topics like public policies and health issues.They also spent a great deal of time talking about the demarcation of indigenous Territory….

 

From Brazzil Mag – “The seminar was successful. Young people participated in it actively and contributed to discussions on topics related to the daily reality faced in the villages,” evaluated Magno Santos, a young Tupinambá, one of the event organizers.

 

As a result of this articulation, a committee made up of nine young people from three villages located in the south region of the state of Bahia was created.

 

The first activity of this committee will take place on September 21 at Monte Pascoal, when a “Letter of Young Indigenous People” will be drawn up to be sent to both state governments and to the federal government with proposals and claims from young people of the region.

 

One of the most discussed topics in the seminar and which will be included in the letter is the demarcation of the Tupinambá land.

 

“We decided that if Funai doesn’t solve this problem, indigenous young people will demarcate the territory themselves,” declared Magno.

 

Challenges faced by these young people today, such as pregnancy during adolescence, sexually transmitted diseases, and drug and alcohol abuse also drew the attention of the participants.

 

“We want the government to take a policy position in relation to these issues,” said the Tupinambá youth.

 

An important victory of the youth organization was a proposal to set up a committee of young indigenous people to join the Apoinme (Cooperation of Indigenous Peoples from the Northeast region, the state of Minas Gerais and the state of Espírito Santos.)

Representatives from Apoinme who were present at the seminar said that, from next year on, this committee will become part of the entity.

in  BrazzilMag

yanomami-land.png

Indian leaders in Brazil are voicing their opposition to a draft law which if approved will allow mining in indigenous territories.

Davi Yanomami spoke recently to a Survival researcher by telephone from the Yanomami organisation, Hutukara.

 

‘I am very worried about the mining law. It will destroy our heartland. We use the water that flows through Yanomami land for drinking, cooking, washing and bathing.

 

‘I want to publicise this more and let everyone know what we are up against.

 

‘They offer us a bit of money but this is a sop. The Brazilian government will not help us. Once again they want to finish with my people, because they think mining is king. But mining will bring us disease, alcohol and pollution.

‘You who live far away please spread our message – there is another fight going on for our Yanomami land. Our land is recognised – the whole world knows this and the name Yanomami. But now the Lula government is ruining our land once again, even though it’s demarcated. The miners are being encouraged to invade and this is a crime.’

in Survival International

Página seguinte »