Para salvar a Amazónia é necessário remunerar os serviços efectuados pelos habitantes da floresta que a protegem, consideraram quinta-feira no Rio de Janeiro responsáveis políticos e económicos.

“A floresta do meu Estado, com um tamanho 16 vezes superior à Grã-Bretanha, pertence ao meu povo que presta um serviço ao Mundo”, declarou o governador do Estado do Amazonas, que cobre uma vasta área da floresta amazónica brasileira.

“Trabalhamos para combater o aquecimento climático mundial mas não temos mercado que pague os serviços ambientais efectuados pelos habitantes da floresta”, disse o governador Carlos Eduardo de Souza Braga, que falou durante um debate sobre o futuro da Amazónia, no âmbito da edição latino-americana do Fórum económico mundial.

Pamela Cox, Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e as Caraíbas, sublinhou que “toda a Europa ocidental cabe na Amazónia, que tem 40 por cento de área protegida e onde vivem 25 milhões de pessoas (em oito países) que devem viver e trabalhar”.

Segundo a mesma fonte, se a temperatura aumentar no Mundo, a “culpa não é apenas do Brasil”, onde se encontra 60 por cento da área da Amazónia.

“O Mundo está disposto a pagar para preservar a Amazónia? Porque razão o Brasil deve preservar a Amazónia para o resto do Mundo? Devemos ter um projecto duradouro e pagar para proteger a floresta”, sublinhou.

Cox acrescentou que a Noruega, Canadá e Alemanha já colaboram no Fundo para a Amazónia, criado em Agosto de 2008 pelo governo brasileiro, mas que isso é insuficiente e “que será necessária a colaboração do sector privado”.

O responsável do Banco Mundial afirmou que esta questão será discutida em Dezembro à Copenhaga, durante uma reunião crucial sobre as alterações climáticas.

Fonte: Lusa
Sexta-feira, 17 de Abr de 2009