Desmatamento desacelera na Amazônia (por enquanto)

O governo federal divulgou, nesta semana, que o ritmo de desmatamento da floresta amazônica desacelerou em comparação aos anos anteriores. A área devastada no período 2006/2007 é 30% menor que durante 2005/2006 e 25% menor se comparado ao que foi derrubado em 2004/2005.

Podem me chamar de pessimista, mas só vou acreditar que isso é o resultado da aplicação de políticas públicas contra o desmatamento após: 1) o preço da soja, que está se recuperando, atingir patamares semelhantes àqueles alcançados alguns anos atrás, quando fazendas de soja surgiam diariamente na Amazônia Legal e a taxa de desflorestamento subia ano a ano e 2) ser concluído o processo de padronização internacional do etanol, transformando-o em uma commodity, o que tende a aumentar o nosso mercado para o produto. O que fará crescer ainda mais a pressão tanto da cana quanto de outras culturas e criações, expulsas por ela de terras mais nobres, sobre a Amazônia.

O que acontece na Chicago Board of Trade (onde são negociadas commodities como a soja) e nas mesas do grão em Roterdã, na Holanda, têm mais influência sobre o destino da floresta do que as ações do Ministério do Meio Ambiente. Poderíamos impedir que isso acontecesse, é claro. Mas o governo e a iniciativa privada não querem.

A ministra Marina Silva poderia ter aproveitado a ocasião e perguntado para Dilma Roussef (Casa Civil) e Reinhold Stephanes (Agricultura e Pecuária), que estavam ao seu lado na divulgação dos dados, quando é que eles vão parar de incentivar um modelo de desenvolvimento que destrói a floresta e os seus povos, beneficiando empresários brasileiros e estrangeiros, que faturam cada vez mais, e bancos brasileiros e estrangeiros, que ficam com as divisas geradas na exportação a título de pagamento de juros e dívida.

Espero que eu esteja enganado, mas a tendência não mudou, apenas deu uma reduzida na velocidade. O Pará e o Mato Grosso, em algumas décadas, serão uma grande fazenda, com algumas ilhas de preservação ambiental e reservas indígenas – que já estarão sob a responsabilidade de mineradoras. Mas isso é outra história.

por Sakamoto