Promovido pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e WWF-Brasil, o seminário de lançamento da publicação “Efetividade de gestão das unidades de conservação federais do Brasil – Implementação do método RAPPAM” reuniu especialistas de diferentes organizações para debater ferramentas de avaliação e monitoramento de gestão em unidades de conservação. Realizado na segunda-feira, 18 de junho, durante o segundo dia do V Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, em Foz do Iguaçu (PR), o evento contou com a participação de aproximadamente 300 pessoas entre gestores de unidades de conservação, representantes de órgãos públicos, organizações não-governamentais e estudantes.

“O projeto tem paternidade dupla: Ibama e WWF-Brasil. Afinal, trata-se do maior sistema de unidades de conservação avaliadas no mundo”, afirmou o diretor de unidades de conservação de proteção integral do Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade, Marcelo Françozo, referindo-se a aplicação da metodologia que envolveu 246 unidades de conservação federais do Brasil. Entre outubro de 2005 e dezembro de 2006, foram avaliadas 93 unidades no bioma Amazônia, 61 no Mata Atlântica, 40 no Marinho Costeiro, 27 no Cerrado, 17 no Caatinga, duas no Pantanal e uma no Pampa.

A avaliação da efetividade do manejo em sistemas de áreas protegidas é uma recomendação do Programa de Trabalho para as Áreas Protegidas da Convenção sobre a Diversidade Biológica, desde 2004. No mundo todo, aproximadamente 4.000 aplicações já foram realizadas, utilizando 45 metodologias diferentes. “Desse montante 38 aplicações, abrangendo cerca de 1.000 unidades de conservação, foram realizadas com a metodologia RAPPAM”, afirmou o superintendente de conservação de programas regionais do WWF-Brasil, Cláudio Maretti, citando que as informações são armazenadas no Banco Mundial de Dados de Áreas Protegidas, administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a UICN (União Mundial pela Natureza).

Metodologia RAPPAM

Desenvolvida pela Rede WWF, a metodologia RAPPAM (Rapid Assessment and Priorization of Protected Area Management/ Avaliação rápida e priorização da gestão de unidades de conservação) permite a avaliação rápida e priorização do manejo em unidades de conservação. O método foi implementado com a aplicação de questionários em oficinas com os gestores, funcionários e demais colaboradores das unidades avaliadas. Para a implementação nas unidades de conservação federais foram realizadas 10 oficinas para preenchimento, com 269 pessoas, e seis oficinas para recomendações, com 146 participantes.

“Não há como imaginar melhoria do sistema sem ter uma ferramenta que nos possibilite enxergar o método de trabalho”, afirmou Françozo, explicando que as respostas obtidas pelos questionários são analisadas por equipe técnica e resultam na visualização e sistematização dos pontos fortes e dos pontos a serem melhorado na gestão das áreas protegidas.

Entre os indicadores de análise estão os referentes ao contexto, como socioeconômico, biológico e vulnerabilidade, e os referentes ao ciclo de gestão, como planejamento, insumos, processos e resultados. Após a aplicação da metodologia foi constatado que 32 unidades estão em uma faixa de alta efetividade geral, 89 em uma faixa média e 125 unidades em uma faixa de baixa efetividade geral. “Mais importante do que o lançamento da publicação em si, é o processo de rever procedimentos inadequados e enxergar a possibilidade de mudar. Temos que repetir isso de tempos em tempos, para garantir uma curva ascendente de melhorias dos processos de gestão de unidades de conservação”, concluiu Françozo.

O diretor de operações da Fundação Florestal e Instituto Florestal do estado de São Paulo, Luis Roberto de Oliveira, a coordenadora de Meio Ambiente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Estado do Espírito Santo, Maria da Penha Padovan, o analista de Projetos da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Cristiano Cegana e o coordenador do Arpa, do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Weigand, palestraram no seminário sobre diferentes experiências de avaliação de gestão em unidades de conservação. Confira, em breve, no site do WWF-Brasil seção especial sobre essas ferramentas de avaliação de efetividade de gestão em unidades de conservação.

Encerramento Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação

O V Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação foi encerrado na quinta-feira, 21, em Foz do Iguaçu. O evento contou com 1.700 participantes, entre especialistas, representantes do governo, de organizações não-governamentais e da iniciativa privada e estudantes.

in WWF Brasil