Foto: José Miguel Gomez/Reuters – Alan Garcia é dos poucos que não reconhece o flagelo que assola o Peru

 

Associação de defesa dos direitos humanos faz exigência

O Peru tem de proteger as tribos da Amazónia

por Pedro Chaveca

 

Os indígenas que vivem nas mais recônditas florestas peruanas têm sido dizimados pelos madeireiros ilegais. As principais razões são as doenças, escravatura e agressões.

 

A Comissão Inter-americana para os Direitos Humanos (CIDH) fez um ultimato ao governo peruano. Nessa exigência ficou explicito que Lima têm a obrigação de proteger as tribos de indígenas da Amazónia dos madeireiros ilegais.

A CIDH não está optimista com a situação de devastação que se vive no “pulmão da Terra” e acredita que esse cenário justifica medidas radicais. Assim, foram dadas ao Peru duas semanas para que avançasse com medidas efectivas de protecção às populações em perigo.

Se Lima não concretizar estas medidas ou se elas forem ineficazes, o país sujeita-se a pesadas sanções económicas.

A mesma associação humanitária admite que se o Peru criou de uma forma bem sucedida, reservas onde as comunidades indígenas vivem em isolamento voluntário, o mesmo não aconteceu para proteger essas mesmas comunidades dos madeireiros ilegais. As florestas são assim impunemente devastadas em busca do precioso mogno e os índios, parte integrante do ecossistema, acabam por morrer juntamente com as suas árvores amadas.

Apesar de alguns líderes tribais confirmarem já terem sido mortos vários madeireiros pelas populações indígenas, a realidade é muito mais dramática para os locais do que para os criminosos. As causas da morte dos índios são essencialmente causadas pela escravatura, violência e especialmente por doenças para as quais eles não têm imunidade.

Alan Garcia olha para o lado

O avanço agressivo por parte da indústria madeireira, legal e ilegal, já obrigou muitas tribos a procurar refúgio em zonas da Amazónia mais perto das fronteiras com o Brasil e Bolívia.

Este negócio ilegal e extremamente lucrativo tem tido como principal importador os Estados Unidos. O Congresso americano, hoje maioritariamente democrata, já se negou a ratificar um novo acordo comercial com o Peru. Um porta-voz do congresso deixou isso bem patente, “não podemos assinar este tratado sem que antes sejam feitas algumas alterações, entre elas o reforço das leis que combatem o tráfico da madeira de mogno”.

Alan Garcia, o Presidente peruano é que parece não estar de acordo com toda esta polémica. Garcia no início da semana afirmou que a madeira de mogno que deixa o país, ilegalmente ou não, “era insignificante”.

Os ambientalistas e activistas de associações dos direitos humanos viram nestas declarações apenas a confirmação de muitas das suas suspeitas. Estas associações acreditam não haver qualquer motivação governamental nem politica em resolver os problemas das populações indígenas ou em impedir o comércio ilegal de madeira.

in O Expresso