por José Eduardo Seregato

Caros amigos e amigas! Peço sua atenção especial para refletir comigo um tema que está na pauta nacional, religiosa (campanha da fraternidade) e mundial. A Amazônia.
Segundo dados do governo federal, a chamada “Amazônia Legal” é considerada a mais extensa área territorial a ocupar a superfície desse nosso Brasil. Em porcentagem, isso significaria o equivalente a 60%. Você sabia disso? São cerca de onze mil quilômetros de fronteiras com sete países sul-americanos!
Essa região rica em biodiversidade, talvez a mais importante do planeta, abriga 20% de todo o recurso hídrico mundial. Será que a Amazônia é problema só do governo do Brasil? Até quando o mundo vai assistir passivo as agressões à natureza e ao povo que vive naquela região?
Sim, estou falando da natureza e do povo que vive na região amazônica. Não se pode falar em preservação do meio ambiente, florestas e recursos hídricos sem se referir à população que vive na região alvo dessa preocupação “ecológica”. Se não voltarmos imediatamente nossos olhos e ações para as comunidades que sobrevivem dos recursos naturais da região amazônica, nosso discurso será estéril e vazio.
Gastamos milhões de dólares no Sivan, vocês se lembram? Enquanto isso, assistimos a derrubada da floresta para venda da madeira, plantio de capim para pastagem, cultivo de soja e como conseqüência a degradação dos solos. É obvio que é estratégico monitorar o movimento da agressão à floresta e às áreas de proteção, mas só isso não está garantindo o desenvolvimento sustentável desse continente chamado Amazônia legal.
É preciso ter um projeto! Um modelo alternativo de produzir que veja no meio ambiente um ponto de partida, e não um entrave. Qual o nosso papel em tudo isso? Nós que vivemos tão distantes geograficamente do cotidiano dos brasileiros que vivem na Amazônia?
Na minha opinião, precisamos deixar de ser omissos e achar que o problema não é nosso! Precisamos cobrar das autoridades providências mais efetivas! Podemos e devemos apoiar as organizações não-governamentais, quer seja como voluntários ou através de ajuda econômica.
Se você tem um filho que está estudando em uma universidade, por que não apoiar um ideal cívico de prestar serviços a essas comunidades como professor, médico, advogado? Tudo falta na região amazônica!
Não temos transporte ligando as cidades; o acesso a serviços essenciais é precário (saúde, saneamento, educação). Meus amigos e minhas amigas: Amazônia não é folclore, é realidade!
Comunidades inteiras, tradicionais e indígenas, estão sofrendo… Vitimadas pela apropriação de suas áreas, são escravizadas e a violência cresce no campo contra todos os que tentam defendê-los. Precisamos mudar isso!
No discurso pregamos ser uma nação social e democrática, mas na prática vivemos ainda sob o domínio do neoliberalismo, onde o capital e o lucro decidem nosso destino. É preciso respeitar as populações ribeirinhas! Estamos destruindo o que lhes restam! O rio e a floresta de onde tiram o alimento.
Se nos distanciarmos de alguns centros urbanos, a densidade demográfica é muito baixa e nada chega a essas pessoas que se sentem abandonadas, limitadas, sem acesso à comunicação, informatização ou qualquer outro recurso tecnológico. Se não agirmos agora como brasileiros responsáveis e conscientes, alerto que amanhã poderá ser tarde demais!
Será que vamos precisar sofrer sanções econômicas de países e organismos internacionais para que assumamos um papel mais efetivo contra a agressão à Amazônia e ao descaso com as comunidades que nela vivem?

publicado no Jornal da Cidade