por Chico Bruno
publicado em 1ª Hora – 28/03/2007

É chato bater na mesma tecla, mas fazer o quê, quando se trata da Amazônia, esse pedaço imenso de Brasil esquecido pelo resto do País.

Enquanto o país não dedicar um olhar mais agudo para a Amazônia, ela vai continuar a ser uma espécie de Casa da Mãe Joana, onde uma minoria se locupleta, em detrimento aos amazônidas.

As maracutaias proliferam em todos os estados da região Norte.

Em Roraima, existem fortes acusações de ilicitudes sobre o senador Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado. Infelizmente os processos andam a passo de jaboti. O senador anda lépido e faceiro pelos tapetes azuis do Senado, sem o menor constrangimento.

No Pará, com apenas três meses de mandato, a governadora Ana Júlia Carepa (PT), aliada do deputado Jader Barbalho (PMDB), protagonista dos maiores escândalos amazônicos, pratica o nepotismo, vai de jatinho da ORM Air Táxi Aéreo, de propriedade do principal executivo do grupo Liberal (jornais, rádios e TVs), Rômulo Maiorana Junior, a formatura de um filho em Belo Horizonte e nomeia a cabeleireira e a esteticista como assessoras especiais do palácio do Governo. Pelo visto, a arquiteta Ana Júlia está inebriada pelo poder.

No Amapá, parentes e amigos do governador Waldez Góes (PDT) e do senador Gilvam Borges (PMDB) estão envolvidos com a Máfia da Saúde, que fraudou licitações na Secretaria de Saúde, segundo apurou a Polícia Federal. Aliás, todos os secretários de Saúde nomeados por Waldez foram presos. Sebastião Bala, na Operação Pororoca, e Uilton Tavares e Abelardo Vaz, na Operação Antídoto.

Ainda, no Amapá, o prefeito de Macapá João Henrique (PT) passou vários dias preso na PF, responde a inquérito judicial, mas está no cargo, como se nada tivesse acontecido, inclusive elegeu sua mulher deputada federal.

Mas no Amapá, ainda, existe o assédio judicial à imprensa, denunciado, pela Federação Nacional dos Jornalistas, ao país essa semana. Jornalista que escreve o que os poderosos não gostam são processados.

No Amazonas, o senador Alfredo Nascimento (PR), às vésperas de reassumir o Ministério dos Transportes, é processado por vários crimes entre eleitorais e de improbidade administrativa.

Em Rondônia, o governador reeleito Ivo Cassol (PR), deputados estaduais e juízes protagonizaram cenas estarrecedoras exibidas em horário nobre da Rede Globo. Infelizmente estão todos lépidos e faceiros em seus cargos.

No Tocantins, o governador Marcelo Miranda (PMDB) é acusado de supostos crimes de improbidade administrativa.

O problema é que os políticos, sempre eles, aprovaram uma lei que obriga os suspeitos de crimes contra o erário público só serem processados pelo STF. Uma fuga bem bolada para postergar punições.

No Acre, existiam todas as maracutaias que grassam na Amazônia, mas foram tolhidas pela ação firme do poder público com a ajuda da grande imprensa, que deu visibilidade nacional aos desmandos.

É isso que precisa ser feito em relação aos demais estados da região Norte, dar visibilidade nacional à roubalheira que prejudica o desenvolvimento da região.

A luta é grande, mas como formiguinhas vamos abrindo túneis embaixo da terra até conseguir derrubar o castelo de corrupção que se instalou na Amazônia.

Com fé em Deus e nos amazônidas de bem.