Pela primeira vez o nadador Martin Strel está fazendo uma maratona com uma faca amarrada na perna direita. Mas ainda não precisou dela.

“Fiquei receoso de aparecer jacaré, candiru, piranha, mas até agora só vi belos botos cor-de-rosa e não precisei da faca”, disse Strel, que desde 1º de fevereiro nada de 10 a 12 horas diárias para tentar, em até 70 dias, percorrer os 5.430 quilômetros do Rio Amazonas.

Nos últimos 7 anos, o esloveno Martin Strel entrou três vezes para o Guinness, o Livro dos Recordes. A primeira foi em 2000, quando percorreu os 3.004 km do Rio Danúbio em 58 dias, da nascente ao estuário. A segunda foi em 2001, quando nadou sem parar, também no Danúbio, 504 km por 84 horas e 10 minutos. A terceira foi em 2002, quando nadou os 3.797 km do Rio Mississippi em 68 dias.

No percurso pelo Amazonas quer entrar pela quarta vez no Guinness e tornar-se o primeiro a nadar o segundo mais longo rio de água doce do mundo da nascente ao estuário, na água salgada. A chegada a Belém, onde o rio deságua no Atlântico, está prevista para 11 de abril.

Recepcionado em Manaus ontem, no encontro das águas dos Rios Solimões e Negro, Strel contou que já perdeu 13 quilos desde o início da aventura. “Há o cansaço, não usei a faca, mas o pior inimigo tem sido mesmo o sol. Me fez aumentar até 100 o fator de proteção solar para conseguir nadar”, comentou. “Gosto mesmo é de nadar na chuva.”

Segundo o principal patrocinador do evento, o empresário israelense radicado em Manaus Yohan Yaeli, a viagem até agora custou cerca de US$ 1 milhão.

A saúde de Strel é monitorada via satélite pelo Departamento de Medicina da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, com equipamentos cedidos pela empresa de Yaeli.

“Um barco com uma equipe médica e toda a estrutura para exibir em tempo real a aventura está com Strel 24 horas”, contou. Quem quiser acompanhar a aventura pode acessar o site.

PRESERVAÇÃO – A maratona do esloveno de 52 anos teve início há 41 dias, quando começou a aventura em Atalaya, no Peru. Com o nariz e as bochechas descascando, rosto bem mais escuro que o restante do corpo e algumas feridas provocadas por picadas de insetos, o nadador dedica a ação como um alerta à preservação da Floresta Amazônica.

Sua travessia no Mississippi foi dedicada às vítimas dos ataques de 11 de Setembro, pelo qual ele recebeu reconhecimento especial do então prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg.

De acordo com Strel, como a natação é um esporte solitário, possibilita ao atleta refletir sobre uma série de assuntos durante suas jornadas. “Ultimamente, tenho pensado muito em como são bonitas as mulheres brasileiras”, contou.

Fonte: Agência Estado