Espécie de rã do Brasil, a Dendrobates castaneoicus, foi roubada da Universidade de Oklahoma e está à venda
por Chico Araújo – BRASÍLIA

Uma espécie de rã do Brasil, a Dendrobates castaneoicus, roubada da Universidade de Oklahoma está sendo vendida na internet por criadores comerciais e amadores. A espécie, até então desconhecidas da ciência, foi descrita em 1990 pelos pesquisadores norte-americanos Janalee Paige Cladwell e Charles W. Myers. Eles participavam de um projeto de expedição científica em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Americam Museum
brazilnut.jpgA espécie, também chamada de rã-da-castanha, teve dois exemplares coletados – um na Cachoeira Juruá, no rio Xingu, e o outro na localidade de Taperinha, no Pará, distantes cerca de 300 quilômetros uma da outra. Com autorização do Ibama, os pesquisadores norte-americanos levaram répteis, anfíbios e outros animais vivos para os Estados Unidos para serem pesquisados.

O envio dos exemplares ocorreu em 1995, segundo o professor Garino Rinaldi Colli, da Universidade da Brasília (UnB), em depoimento à CPI da Biopirataria no dia 23 de fevereiro de 2005.

De acordo com Colli, os exemplares da fauna brasileira foram enviados para pesquisa na Universidade de Oklahoma. Uma das espécies, a rã-da-castanha (Dendrobates castaneoticus) fora descrita por Janalee Cladwell num trabalho intitulado A New Poison Frog from Amazoniam Brazil, with Further Revision of the quinquevittatus Group of Dendrobates. Cladwell fez experimentos de campo no Brasil sobre o comportamento de forrageamento da espécie. Para continuar seus estudos, a pesquisadora obteve licença do Ibama para levar aos EUA os animinais objetos da pesquisa.

Os estudos de Cladwell foram bem-sucedidos e publicados em um boletim da Universidade de Oklahoma. Mais tarde, a Universidade de Nebraska desenvolveu um software educativo para jovens mulheres e, em função do sucesso dessas atividades, o Zoológico de Oklahoma City decidiu exibir resultados da pesquisa. Com isso, os exemplares das rãs enviados aos EUA para fins de pesquisa foram exibidos ao público, e alguns deles, apurou a CPI da Biopirataria, foram roubados do zoológico.

Repasses indevidos

Durante os estudos nos EUA, exemplares de rã-da-castanha foram repassados indevidamente a várias instituições norte-americanas. Receberam as espécies o Memphis Zoo, o Mesker Park Zoo & Botanic Garden, Sedgwick County Zoo, Philadelphia Zoo, Omaha´s Henry, Doorly Zoo e Montegomery Zoo. Além do repasse indevido, a CPI descobriu que houve tentativa de exportação de alguns exemplares para a Holanda.

Após pressão do Ibama, os pesquisadores norte-americanos assumiram o compromisso de localizar e repatriar os exemplares de rã-da-castanha que ainda existisse naquele país. A tentativa, no entanto, não teve êxito. Estranhamente, os zoológicos que as receberam informaram que os animais (as rãs) morreram todos. As informações foram passadas por carta e não se investigou mais nada a respeito do assunto.

O relator da CPI, deputado Sarney Filho (PV-MA), solicitou providências da Polícia Federal (PF) para investigar o roubo. Para ele, o caso precisa ser apurado com urgência. “Houve um roubo e não se sabe se a destinação desse furto. É possível que ele tenha sido desviado para laboratórios, para outras fontes de pesquisa”. Sarney diz que o país precisa saber o que de fato aconteceu com as espécies roubadas do Zoológico de Oklahoma.

via Agência Amazônia