Os satélites captaram no domingo e ontem 327 focos de calor em Roraima.  Os municípios com maior concentração são Mucajaí (98), Alto Alegre (83), Iracema (49) e Amajari (47).  Depois das chuvas, muitos produtores aproveitam o final de semana para queimar e preparar a terra para o plantio.

Para o diretor-presidente da Femact (Fundação Estadual de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia), Daniel Gianluppi, os focos sempre causam preocupação, porque a partir deles e com as condições climáticas do momento, fica mais fácil surgirem incêndios.  Ontem o Corpo de Bombeiros teria sobrevoado algumas áreas para tomar pé da situação.

Quanto aos trabalhos da Femact, Gianluppi disse que a fiscalização acontece, principalmente em Mucajaí e Iracema, nas localidades do Roxinho e Tamandaré, consideradas preocupantes.  Há mais de 30 dias nenhuma licença para queima é expedida pelo órgão.

Embora sejam realizados trabalhos de educação ambiental em escolas, distribuição de material ilustrativo, orientações técnicas, entre outros, ele analisa que a questão cultural de colocar fogo para preparar a terra não vai mudar de uma hora para outra.  No entanto, será preciso ação mais energética.  “Vejo que seja preciso um pouco de punição”, afirmou.

A fundação tem procurado orientar quanto à “prática cultural do fogo”, mas existem casos que não restam alternativas se não aplicar sanções.  Segundo Gianluppi, várias pessoas foram autuadas pela queima e derrubada sem autorização do órgão ambiental.

Até o final do verão, a preocupação com as queimadas aumenta.  O Corpo de Bombeiros vem reforçando o efetivo há duas semanas, com o emprego de Brigada no Cantá.  Nas outras bases, elas serão empregadas a partir de hoje.  As equipes passaram por treinamento em combate a incêndios florestais, equipamentos e materiais para o trabalho ativo nas frentes.

Fonte: Folha da Boa Vista