A Petrobrás vai utilizar aeronaves e equipes de solo para prospectar petróleo e gás natural ao longo de 11 milhões de quilômetros quadrados entre a bacia dos rios Solimões e Acre.  A informação exclusiva foi confirmada ontem por uma fonte ligada à discussão pública do tema.  As prospecções devem ser organizadas pela Petrobras, que também pode terceirizar o serviço.

As prospecções vão ocorrer em duas etapas.  A primeira será o sobrevôo da região com o mapeamento dos possíveis focos de emissão de gás.  Para isso, as aeronaves serão equipadas com equipamentos altamente sensíveis aos gases expelidos naturalmente em algumas jazidas mais abundantes.  Na segunda fase a prospecção será feita pelo solo, com apoio de geofísicos e geólogos.

“Uma vez localizada a jazida, a empresa responsável começa as perfurações propriamente ditas para localizar a profundidade e a natureza da jazida, extraindo algumas amostras que são encaminhadas para análise em laboratório.  São essas amostras que vão definir o tamanho da jazida e a possibilidade de exploração de cada uma delas”, explica a geóloga Solange Pereira de Moraes.

O processo de exploração de gás ou petróleo também não será fácil no Acre, prevê a geóloga, uma das defensoras da discussão pública sobre o tema.  Vários órgãos públicos estão propondo um debate amplo que deve acontecer no próximo dia 30, com a participação de sindicatos, poder público, comunidades tradicionais e outras instâncias representativas da sociedade.

O objetivo é chegar a um consenso sobre a perfuração e utilização de petróleo, especialmente os seus impactos ambientais, econômicos e sociais.  Para Solange Moraes, a polêmica deve incluir os aspectos ambientais e econômicos.

“Temos que buscar o equilíbrio, até porque o estágio de desenvolvimento econômico que um município alcança após a perfuração devido ao pagamento dos royalties é muito grande.  No Amazonas, por exemplo, há várias cidades cuja principal fonte de receita é somente esta”, propõe a geóloga.

Combinação de fatores

Ainda segundo a geóloga, para que grandes quantidades de petróleo se formem, é necessária a presença de três fatores: vida exuberante, contínua deposição de sedimentos, principalmente argilas, concomitante com a queda de seres mortos ao fundo da bacia e, finalmente, o rebaixamento progressivo desse fundo, para que possam ser acumulados mais sedimentos e mais matéria orgânica sobre o material já depositado.

Em Geologia, o tempo desempenha um papel importantíssimo.  “Essas condições têm que perdurar por milhões de anos e a própria transformação da matéria orgânica original em petróleo demanda outros milhões de anos, para que a temperatura e a pressão atuantes na crosta, além do tempo, possam interagir na formação do petróleo”, revela.  O petróleo e o gás, entretanto, não é encontrado nas rochas em que se formou.  Durante o longo processo de sua formação, ocorre sua expulsão da chamada rocha geradora, formada por sedimentos finos que consistem de folhelhos, argilitos, sal, etc, que é praticamente impermeável, para rochas porosas e permeáveis adjacentes (acima, abaixo ou ao lado), formadas normalmente por arenitos.

Dessa maneira, o petróleo permanece sob altíssima pressão nas rochas porosas, denominadas rochas reservatório, até que seja eventualmente alcançado pela perfuração de um poço.

Solo acreano é favorável

Polêmicas sobre o assunto à parte, a formação sedimentar do solo acreano é favorável à formação de jazidas de petróleo ou gás natural, ainda de acordo com Solange Moraes.  Ela disse que ainda não sabe ao certo a metodologia utilizada pela Petrobras para as prospecções.  A empresa também costuma terceirizar esse serviço.

Mesmo assim, Solange Moraes explica que o alto índice de sedimentos no solo acreano reúne as condições necessárias para o acúmulo de gás natural ou mesmo de petróleo.  No mais, somente as prospecções podem localizar possíveis jazidas.

“O petróleo é formado em depressões da crosta terrestre após o acúmulo de sedimentos trazidos pelos rios das partes mais elevadas, ao seu redor, em ambiente aquoso”, ressalta.

A imagem mais facilmente compreensível depressões, ou bacias sedimentares, dessas uma bacia sedimentar é a de uma ampla depressão coberta de água, seja um lago ou um mar que sofre rebaixamento contínuo no tempo geológico.

Dentre diversas teorias existentes para explicar a origem do petróleo, a mais aceita, atualmente, é a de sua origem orgânica, ou seja, tanto o petróleo como o gás natural, são combustíveis fósseis, da mesma forma que o carvão.

Sua origem se dá a partir de matéria orgânica, animal e vegetal (principalmente algas), soterrada pouco a pouco por sedimentos caídos no fundo de antigos mares ou lagos, em condições de ausência de oxigênio, que, se ali existisse, poderia destruí-los por oxidação.

Entretanto, mesmo assim a matéria orgânica desses tecidos passou por drásticas modificações, graças à temperatura e à pressão causada pelo soterramento prolongado, de modo que praticamente só restaram o carbono e o hidrogênio, que, sob condições adequadas, combinaram-se para formar o petróleo ou gás.

Perfuração cara

De um modo geral, a fase exploratória mais dispendiosa é a da perfuração de poços.  A decisão de perfurá-los é antecedida de extensa programação e elaboração de estudos, que permitam um conhecimento tão detalhado quanto possível das condições geológicas presentes na região, tanto na superfície como abaixo da superfície.

As perfurações se orientarão, assim, para as áreas que tenham, de fato, as maiores possibilidades de conter acumulações de óleo ou gás.

Para localizar o petróleo ou gás numa bacia sedimentar, os especialistas firmam-se em dois princípios fundamentais: 1) o petróleo se aloja numa estrutura localizada na parte mais alta de um compartimento de rocha porosa, isolada por camadas impermeáveis.  Essa estrutura é denominada armadilha ou trapa; 2) essas estruturas são resultantes de modificações sofridas pelas rochas ao longo do tempo geológico, especialmente a sua deformação, através do desenvolvimento de dobras e falhas na crosta terrestre.

Os diversos estágios da pesquisa petrolífera orientam-se por fundamentos de duas ciências: a Geologia e a Geofísica.

Geologia do petróleo

A aplicação da Geologia à pesquisa do petróleo e gás natural é de extrema importância, porque essa ciência explica o porque da ocorrência do hidrocarboneto em determina localidade.  Explica também sua origem, a que tipo de rocha se associa e quais os eventos geológicos responsáveis pela formação de uma jazida economicamente aproveitável.

Após minuciosos estudos geológicos é que se pode saber se há ou não conveniência na aplicação de grandes capitais destinados à procura e à exploração do petróleo.

O geólogo especializado nessa área de atuação participa em todas as fases da pesquisa.  Faz o reconhecimento da bacia sedimentar, localiza e estuda as estruturas mais potenciais ao acúmulo de petróleo ou gás e presta assessoria ao geofísico, com informações geológicas, necessárias à interpretação dos resultados sísmicos.

O geólogo do petróleo coordena, no campo, o conjunto de profissionais envolvidos nos trabalhos de exploração, supervisiona todas as fases do processo de pesquisa, mantém-se presente durante a perfuração do poço pioneiro, examina as amostras coletadas, verifica e elabora os testes pertinentes a cada indício de óleo em profundidades diferentes, que vão sendo atingidas através da perfuração.

Após a consumação do poço pioneiro, o geólogo continua se fazendo presente junto ao agrupamento, até que seja demarcado definitivamente o campo de petróleo encontrado.

Um aspecto relevante na participação do geólogo do petróleo está no cuidado com o meio ambiente.  Trata-se de um profissional que recebe, em sua formação, uma base muito bem fundamentada, relativa à questão ambiental.

No campo, as equipes sob sua coordenação recebem as mais completas orientações no sentido de se manter uma convivência adequada e harmoniosa com o meio ambiente, recolhendo os rejeitos dos produtos utilizados, e preservando as espécies animais e vegetais presentes na região em que se desenvolvem os trabalhos.

Fonte: Jornal A Tribuna