bush17955.jpg

Enquanto o Air Force One e outros seis aviões sobrevoavam a América Latina rumo ao Brasil, trazendo a bordo George Bush e sua comitiva, todas as críticas ao presidente dos EUA se concentraram em um caldo grosso de revolta, repúdio e desafio que entornou na Avenida Paulista e sacudiu as paredes do centro financeiro do país com uma mensagem clara: Bush não é bem-vindo no país.

>>VEJA ÁLBUM DE FOTOS>>

Enquanto o Air Force One e outros seis aviões sobrevoavam a América Latina rumo ao Brasil, trazendo a bordo George Bush e sua comitiva, todas as críticas ao presidente dos EUA se concentraram em um caldo grosso de revolta, repúdio e desafio que entornou na Avenida Paulista e sacudiu as paredes do centro financeiro do país com uma mensagem clara: Bush não é bem-vindo no país.

O protesto, que reuniu em São Paulo cerca de 20 mil pessoas e que se seguiu à manifestação de comemoração do dia internacional das mulheres, foi palco para os mais variados posicionamentos anti-Bush, como o repúdio às guerras no Oriente Médio, seu enfrentamento com as forças políticas progressistas, principalmente na América Latina de Hugo Chávez (presidente venezuelano) e Evo Morales (Bolívia), seu intento de subordinação da região através de um novo projeto energético – a expansão dos monocultivos de cana para produção do etanol – nos países da América Central e Caribe para consumo dos EUA, etc.

O anfitrião Lula, cujo partido e base aliada (PT, PC do B e PSB) se juntaram aos protestos, também foi foco de críticas. Tanto pelo convite a Bush quanto pelo teor dos acordos (cooperação bilateral na área de biocombustíveis e retomada das negociações da Organização Mundial do Comércio – OMC). Mas a principal acusação ao presidente brasileiro foi a colaboração com um projeto de ocupação do Haiti, onde as tropas brasileiras ainda comando as forças de paz da ONU.

Repressão e violência
De maneira geral pacífica, a marcha foi interrompida por um confronto com a Polícia Militar quando cerca de 60% dos manifestantes já haviam chegado ao MASP, ponto final do protesto. Com cerca de 300 homens da tropa de choque, a PM acabou reagindo a provocações com bombas de gás, balas de borracha e cacetetes, ferindo várias pessoas. Um manifestante foi violentamente espancado por mais de 10 políciais e levado preso para o 27o distrito.

Marília Gabriela Bello Garcia, estudante e militante do PSOL, foi atingida por duas balas de borracha quando estava atravessando a rua (ver foto no álbum). Chorou muito de dor e de medo.

“Estávamos tentando conter a manifestação quando a polícia reagiu desta forma. A polícia de São Paulo se mostrou, mais uma vez, despreparada para isso. A reação foi desproporcional. Houve um excesso brutal. Agrediu jornalistas e pessoas que estavam se manifestando em paz”, afirmou o presidente da UNE, Gustavo Petta, mostrando a perna sangrando, braço e tronco com escoriações de estilhados de bomba e raspões de balas de borracha.

Segundo o Coronel Brandão, comandante da tropa da PM, será investigado se houve abuso de autoridade.

“Isso não vai nos intimidar. Não vamos deixar de nos manifestar porque a polícia reage com violência. Amanhã (dia 9) nossas atividades seguem normalmente. Vamos fazer o possível para chegar o mais perto de Bush”, avisa Petta.

**********

Cf. artigos:

Manifestações anti-Bush questionam intervenções no Iraque e Haiti : Após a marcha do Dia Internacional da Mulher reunir milhares de pessoas na Paulista, protestos na data da reunião entre os presidentes dos EUA e Brasil questionaram intervenções dos países no Iraque e no Haiti.
Nas ruas de Brasília, três protestos contra o presidente dos EUA : Três protestos se somaram ao coro anti-Bush que tomou capitais brasileiras mas, diferentemente de outras cidades, a maioria das iniciativas não se deram em conjunto com as manifestações do Dia Internacional da Mulher.