O Amazonas é um dos três Estados brasileiros que mais cresce economicamente e atrai migrantes em busca de trabalho. Porém, a procura é maior do que a oferta e esse fluxo migratório acaba criando mais desemprego, principalmente em Manaus. Os reflexos sociais desta equação são problemas de segurança pública, saúde e educação. Os dados estão presentes na pesquisa “Nova geoeconomia do emprego no Brasil: um balanço de 15 anos nos estados da federação”, do economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A pesquisa, realizada em São Paulo, mostra que o Amazonas teve alta de 4,14% na oferta de empregos, entre 1990 e 2005, destacando-se em terceiro lugar no crescimento de trabalho, seja ele formal ou não. O Amazonas ficou atrás apenas do Pará (5,43%) e Mato Grosso (4,38%). Apesar do crescimento da oferta de vagas no mercado de trabalho, a taxa de desemprego no Amazonas ficou em 15,1%, uma das maiores do País.

Segundo o estudo de Márcio Pochmann, o desemprego cresceu no Amazonas porque a taxa migratória é alta e pesa sobre o índice de oferta de emprego, ou seja, a demanda por trabalho é maior que a oferta de empregos.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou, em janeiro, um estudo que apresentava Manaus como sendo a capital do Norte e Nordeste que mais atraia migrantes. Entre estes, destaca-se a migração de outros estados da região Norte e do interior do Estado. Segundo a pesquisa, estes migrantes tem baixa escolaridade e representam grande parte dos moradores de áreas periféricas da cidade.

A pesquisa de Márcio Pochmann apresenta um dado complementar às informações do IBGE. Ele destaca em seu estudo que o Amazonas, diferente de outros estados em crescimento, é um dos novos centros industriais do País e que isso altera o tipo de migração. A pesquisa diz que cresce o índice de migrantes com alta capacitação profissional vindo para o Amazonas, notadamente para Manaus, e gerando desemprego também entre os naturais amazonenses.

Fonte: Diário do Amazonas