Por Gilson Pinto Gil*

A violência domina a mente dos manauaras. Ë o tema mais em moda nas discussões políticas e sociológicas. Os assuntos que predominam na mente da população ocasionalmente. As eleições são um bom exemplo dessas prioridades. Já houve a eleição do social, a da moralidade, a da saúde, a da educação, a das invasões e a dos viadutos. Depois que passa aquele momento de crise, há uma reorganização mental e as pessoas descobrem outro tema, como, por exemplo,a a água ou os transportes. Por ora, a violência é o tema do dia e é ela que é preciso enfrentar.

Há uma tendência geral, em especial da mídia, ansiosa por manchetes sensacionalistas, em descobrir a CAUSA da miséria, do analfabetismo ou da violência. Como se fosse possível achar uma causa única que determinasse todos os fenômenos posteriores.

Por isso, tanta briga quando se fala nas razões sociais, no impacto psicológico, no papel do Judiciário ou nos limites da polícia. Quem discorda da causa apontada como decisiva começa a achincalhar e reclamar dos outros.

E se começássemos a pensar que é possível ver a escalada da violência de uma forma mais ampla?! E se todos os pontos assinalados tivessem sua parcela de responsabilidade? A miséria é uma causa. Porém, também não se pode deixar de lado itens importantes, como os limites de nossas leis, a atuação do Judiciário, o treinamento policial e a formação de uma polícia mais científica, que investigue, não só reprima. Os projetos de longo prazo, centrados na educação e no emprego, devem interagir com aqueles de curto prazo. O lado social e econômico deve vir em conjunto como repressivo. Executivo e Judiciário devem agir em conjunto, e não buscar aplausos ou trincheiras formais alheias ao mundo real dos mortais assaltados, seqüestrados e assassinados diariamente.

Reduzir a violência implica em trabalho científico, preventivo e responsável. Aplausos imediatos não serão ouvidos. A lógica política pensa apenas eleitoralmente, com um prazo claro de validade de 4 anos. O que furar esse prazo está fora de questão. Combater a violência em seus múltiplos planos significa quebrar essa temporalidade. Colocar mais policiais e carros com sirenes luminosas é fácil. Elaborar planos realistas e de longa duração é que é difícil.

A própria sociedade tem que assumir sua parcela de culpa. Não quer dizer que vá culpar os empresários, como foi dito. Quem paga seus impostos pontualmente já cumpre uma elevada tarefa social. A sociedade precisa ser responsável ao votar, ao evitar consumir drogas e ao não adquirir produtos roubados ou falsificados e ao denunciar a prostituição. Estado, sociedade, executivo, Judiciário e MP não estão em campos opostos. Todos estão juntos nesse barco. Afinal, todos, políticos, promotores, juízes e policiais moram na mesma cidade, vão aos mesmos shoppings e sofrem com a violência. Não há duas cidades, a dos “mortais e a dos deuses”. Só há um mundo e uma realidade!