Três indígenas Pirahã da aldeia Quatá, localizada no rio Maici, no município de Humaitá, ao sul do Amazonas, podem vir a óbito se a equipe de saúde responsável pela assistência às aldeias demorar para atendê-los.  O alerta foi feito pela Organização dos Povos Indígenas Tora, Tenharim, Apurinã, Mura, Mundurucu, Parintintin e Pirahã (Opittampp), que já havia denunciado em janeiro passado a morte de duas crianças do mesmo povo.Segundo a organização indígena, entre 20 e 26 de fevereiro foram colhidas sete amostras de sangue com pessoas suspeitas de malária nas aldeias Cacaia e Quatá.  Das sete, seis tiveram resultado positivo.  Na aldeia Quatá, onde foram colhidas seis amostras, cinco apresentaram ocorrência de malária, duas do tipo “vivax” e três do tipo “falciparum”.  Os doentes são uma mulher idosa e duas crianças.

O exame laboratorial foi feito em Manicoré no dia primeiro de março, mas até este momento a equipe não havia se deslocado para a área.  Segundo a enfermeira Joseli Maria Brandão, coordenadora da equipe de saúde em Manicoré, a chefia do Distrito Sanitário de Manaus, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), já foi informada e autorizou transporte para uma equipe se deslocar até a aldeia a partir desta terça-feira, dia 13 de março.

Levantamento feito pela Opittamp constatou ocorrência de 130 casos de malária nas aldeias São Raimundo, Estirão Grande, Maloca do Rio Manicoré, Pirahã do Maici, Capanã, Boca do Jauari e Canavial.  Os dirigentes da organização pretendem apresentar essas informações ao coordenador Regional da Funasa, Francisco José Ayres, na próxima semana, com quem estão tentando agendar reunião.

Os indígenas também levarão informações ao Ministério Público Federal, a quem solicitarão providências para que a Funasa cumpra o seu papel de prestar assistência às aldeias, de dar condições para o trabalho da equipe e de providenciar todo o material necessário para deslocamento dos profissionais.  A reunião no MPF será às 10 horas desta terça-feira.

Reivindicações

Na quarta reunião do Conselho Deliberativo da Opittampp, realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro passado, na aldeia Panorama, em Manicoré, foi elaborado um documento contendo as reivindicações dos indígenas.

Eles querem a permanência das equipes de saúde nos pólos base, medicamentos, acompanhamento pré-natal das grávidas, combustível para remoção de pessoas doentes, acompanhamento para pessoas com hipertensão arterial e a execução de um plano de saúde que atenda todas as áreas indígenas da área abrangida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus.

Fonte:  Kaxiana