A educação indígena vem tomando novos rumos no Estado do Amazonas.  Pelo menos é o que garante a gerente de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Jesuete Pacheco, baseada no fato de que todas as 72 etnias do Estado já recebem a implementação e a implantação da educação básica.  Ao todo, de acordo com ela, mais de 52 mil alunos indígenas estão matriculados hoje.

Jesuete Pacheco informa que até 2003, as escolas indígenas seguiam um modelo padrão e não tinham políticas específicas.  Apenas os municípios de Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira e Santo Antônio do Içá contavam com ensino fundamental de 5ª a 8ª séries.  “Mesmo o projeto político de educação indígena tendo sido implantado no Amazonas desde 1991, só conseguimos implantar o ensino médio nas reservas indígenas a partir de 2003, assim como o reordenamento dentro das escolas que estão nas reservas”, contou a gerente.

Ela explica que o reordenamento se deu pela substituição de professores não indígenas pelos indígenas nas salas de aula das reservas.

A professora conta que até 2002 apenas 20% da formação do magistério indígena era atendida e que, foi a partir de 2003, que as escolas passaram a obedecer a matriz curricular que foi discutida e elaborada pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilígues do Amazonas (OGPTB).

Quanto à forma de aprendizado, a professora conta que os professores podem optar pelo idioma (Português ou Indígena), mas devem seguir 50% de cada um.  “O professor pode falar 50% de língua portuguesa e 50% do idioma indígena.  Mas quem decide mesmo são os índios.  São eles quem solicitam a escola e a secretaria executa”, explicou.

Demanda

De acordo com Jesuete Pacheco, a administração das escolas é feita pelo próprio município que solicita a escola na reserva.  “A Seduc entra com a coordenação e gestão na escola e o município cede o espaço físico e a logística para que a escola funcione”, contou.

A gerente alega que não tem conhecimento de nenhuma solicitação que não tenha sido atendida.

“Todas as demandas que são encaminhadas à Seduc estão sendo atendidas.  Não temos conhecimento de alguma que deixou de ser atendida”, informou, destacando as parceiras que o departamento recebe do governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC) e de 70% das prefeituras do interior do Amazonas.

Mesmo com os recursos, a gerente diz ainda que há uma certa resistência por parte de alguns municípios quanto à formação do professor.  Ela conta que cerca de 30% dos municípios não querem investir na formação dos profissionais.

Em contrapartida, o valor investido pelo Estado para o desenvolvimento do trabalho em educação indígena é de R$ 1 milhão, que são revestidos em projetos educacionais, enquanto outros ainda esperam aprovação.  “Infelizmente até hoje aguardamos o dinheiro do projeto de construção de escolas com duas salas de aula desde 2005.  O projeto foi aprovado, mas por se tratar de época eleitoral, o dinheiro não foi depositado até hoje”, lamentou a gerente, salientando que hoje as escolas funcionam em prédios cedidos pelas prefeituras ou mesmo nas grandes malocas.

Resultados

O resultado de todo o trabalho desenvolvido pela Gerência de Educação Indígena começa a colher os resultados.  No prazo de duas semanas, a professora Jesuete Pacheco receberá a segunda maior honraria do Exército Brasileiro, que é a Medalha do Pacificador, em função do desenvolvimento de seu trabalho com o ensino médio nos Pelotões de Fronteiras.

Fonte: Em Tempo