As enxurradas nos grandes centros urbanos causam grande parte da poluição de corpos d’água, como rios, córregos e lagoas. Esta é a principal conclusão do estudo Avaliação da poluição difusa gerada por enxurradas em meio urbano, doutorado de Jorge Henrique Prodanoff no Programa de Engenharia Civil do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe). O trabalho recebeu o Prêmio Capes de 2006 de tese em engenharia.

Prodanoff avaliou cargas e concentrações de poluentes gerados durante enxurradas para calcular o impacto ambiental em rios e lagoas. A conclusão foi que o tratamento dos esgotos doméstico e industrial não basta para despoluir as áreas contaminadas

De acordo com o pesquisador, é comum que uma parte do esgoto doméstico e industrial das cidades seja jogada clandestinamente nos rios, córregos e lagoas. Mas, mesmo que os resíduos fossem integralmente direcionados para as estações de tratamento, os corpos d’água continuariam poluídos pela sujeira da cidade.

As fontes de poluição difusa são variadas, partindo de todas as superfícies impermeáveis da cidade, como ruas, calçadas, pavimentos de residências e condomínios, telhados, galpões, coberturas e estacionamentos.

Nos dias secos, segundo Prodanoff, essas superfícies recebem a deposição de fuligens e poeiras da atmosfera, além de resíduos do desgaste da cobertura asfáltica, de pneus, peças automotoras e de restos de combustão de gasolina e diesel. “Estamos falando de milhões de carros em circulação. A quantidade de resíduos é imensa. Quando vem a enxurrada, tudo isso é levado para as galerias junto com folhas, fezes de animais e lixo”, afirmou.

Prodanoff afirma que, quando há um período de alguns meses com precipitação intensa, a poluição proveniente da chuva chega a ser maior do que a do esgoto. “Quando uma enxurrada atinge uma área urbana, é como se a cidade tomasse um banho. Toda a sujeira é levada pela água da chuva ao sistema de drenagem e vai poluir os corpos hídricos”, afirma.

Carregado pela chuva, todo o acúmulo de resíduos vai para o sistema de drenagem. O destino final são os corpos hídricos. “Seria preciso criar um sistema de retenção, porque, uma vez que os resíduos caem no sistema de drenagem, a coleta e o tratamento ficam mais difíceis em função do grande volume”, disse.

in Repórter Social