Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente, afirmou esta manhã que as conclusões do relatório do Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) indicam que uma das prioridades de investimento tem de ser em política de ambiente.

Em declarações ao Rádio Clube, Humberto Rosa afirmou que, apesar de o diagnóstico feito pelo painel de especialistas reunidos em Paris, sob a égide das Nações Unidas, referir uma situação dramática e irreversível do clima global, há, mais do que nunca, que fazer esforços para cumprir as metas do Protocolo de Quioto e trabalhar no sentido de adaptar o país às consequências desses efeitos irreversíveis, como o aumento dos períodos de seca, mais fogos ou mais cheias. “O relatório fala de uma situação irreversível, mas vel muito a pena agir”, afirmou.

Questionado sobre as medidas já avançadas pelo Governo, o secretário de Estado disse: “Com certeza que já há esforços. A remoção de construções ilegais da orla costeira e o reforço do cordão dunar, a prevenção de incêndios e cheias, são algumas delas. O relatório do IPCC vem mostrar que o investimento em política de ambiente compensa”.

Segundo uma síntese do documento, intitulada “Resumo à Atenção dos Decisores”, o aumento da temperatura global previsto até ao fim do século XXI é entendido pelos peritos como “uma temperatura média” e será muito diferenciada segundo as regiões, podendo ser multiplicada por dois nos pólos, por exemplo.

A subida dos termómetros ocasionará a dos oceanos e múltiplos fenómenos extremos, como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas que poderão provocar a deslocação de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos daqui até ao fim do século.

Este quarto relatório do IPCC, criado em 1988 pelas Nações Unidas, traduz também a convicção reforçada dos peritos da responsabilidade humana no aquecimento global observado nos últimos 50 anos e que, segundo eles, não pode ser só atribuído à variabilidade natural.

As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham os especialistas, nunca foi tão elevada desde há 650 mil anos.

in O Público

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