Sob a bandeira do ambientalismo, um número de ONGs que o governo brasileiro não contabiliza atua como instrumento político de governos e empresas na defesa de interesses políticos ou financeiros na Amazônia. Se a intervenção estrangeira não se dá por meio de tropas, as armas são campanhas como a do boicote à soja brasileira ou a chantagem por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

A propaganda contra a soja brasileira ecoada por ONGs como o Greenpeace propaga que o grão é a semente do desmatamento da Amazônia. Movida por interesses externos ou não, a organização afeta a exportação do grão pelo Brasil, onde a produção rende R$ 9 bilhões anuais.

– Esses são instrumentos para frear o governo brasileiro. Greenpeace, WWF, Amigos da Terra, Survival Internacional, entre outras, fazem parte de uma estrutura hierárquica de interesses econômicos no eixo Estados Unidos-Europa- diz Lorenzo Carrasco, autor de A máfia verde: o ambientalismo a serviço do governo mundial. – Essas ONGs atrasam o desenvolvimento de atividades legítimas do Brasil.

Os produtores de soja se defendem. Argumentam que plantam espaços devastados anteriormente. A ação da organização estrangeira fez com que os exportadores decretassem moratória para evitar o plantio em áreas proibidas e discutissem a criação de um selo verde para os produtos corretos. O secretário de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Gilney Viana, diz que muitas dessas campanhas são úteis para o Brasil:

– Independentemente do método, queremos evitar o desmatamento. No caso da madeira, a ação judicial nos Estados Unidos contra exportadores brasileiros foi boa porque a atividade era ilegal.

Outros grupos empresariais sofrem pressões parecidas. A campanha pela criação de reservas indígenas a que o governo tem pouco acesso, a exploração estrangeira do diamante nacional ou a mobilização de índios contra a construção de hidrelétricas revelam, na opinião de Carrasco, uma dupla moral das ONGs em relação a projetos que países desenvolvidos há muito colocaram em andamento.

– Há áreas na Amazônia onde as ONGs têm mais poder do que o governo. É um novo colonialismo – critica o autor, depoente da CPI das ONGs.

Na diplomacia, a questão ambiental recebe o apelido de chantagem. A ONG britânica Survival Internacional fez a ressalva de que, para ostentar uma cadeira no Conselho de Segurança, o governo brasileiro deve se mostrar ecologicamente correto.

Fonte: JB
Autor: Clara Cavour, Fernando Exman e Karla Correia

via Rondonotícias