A falta de uma política brasileira de ocupação para a Amazônia, a corrupção nos órgãos que deveriam cuidar da região, e a estratégia criminosa de demarcações de áreas indígenas, futuras “nações”, que coincidem com a presença de valiosos recursos minerais, são problemas que caracterizam a Amazônia como “um território virtual para o Brasil”. Tal quadro é pintado por um relatório de situação do Grupo de Trabalho da Amazônia, formado por representantes da Abin e dos órgãos de informações das Forças Armadas e da Polícia Federal.

O documento, cujo teor foi divulgado por Tales Faria no Jornal do Brasil de hoje, adverte que a luta das organizações não-governamentais estrangeiras, para aumentar as reservas indígenas, ameaça a integridade do territorial do País. As ONGs de origem britânica e norte-americana criam condições de futura independência das ‘nações’ indígenas, enquanto outras ONGs, inclusive apoiadas pela Alemanha e as de orientação religiosa, tendem a procurar uma autonomia diferenciada para pontos estratégicos da região. Os militares reafirmam as suspeitas de que ONGs e entidades religiosas estrangeiras estão tomando a Amazônia:

“Foi confirmado o conhecimento de que a questão indígena atinge uma gravidade capaz de pôr em risco a segurança nacional. Considerando a atual reivindicação de autonomia e a possibilidade de futura reivindicação de independência de nações indígenas, o quadro geral está cada vez mais preocupante, especialmente na fronteira Norte. As organizações não governamentais (ONGs), algumas controladas por governos estrangeiros, adquiriram enorme influência, na maioria das vezes usada em benefício da política de suas nações de origem, em detrimento do Estado brasileiro. Na prática, substituem, nas áreas indígenas, o governo nacional”.

Além deste relatório reservado, outra grave denúncia de omissão e incompetência criminosa do governo, feita pelo jornal O Globo, descreve as conseqüências danosas do governo do crime organizado para a região amazônica. “Extinta em 2001 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por ser símbolo da corrupção na administração pública, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) foi recriada pelo presidente Lula este mês e pode já renascer envolvida nos velhos problemas. A autarquia responde a cerca de 290 inquéritos por desvio de verbas. Mesmo assim, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou ao mandato em 2001, acusado de comandar a corrupção na Sudam, usa sua influência no governo Lula para tentar emplacar o novo superintendente”.

Pior que isso só o teor do “Relatório de Situação” elaborado pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM) no primeiro semestre de 2006. O documento foi distribuído entre integrantes e colaboradores do chamado Sistema Brasileiro de Inteligência, cujo órgão central é a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O GTAM é um colegiado composto por representantes da Abin e dos órgãos de informações das Forças Armadas e do Departamento de Polícia Federal. Sua função é sistematizar as chamadas atividades de inteligência na Amazônia. Realiza duas viagens anuais à área e elabora os textos com a opinião consensual do grupo.

O relatório destaca que os militares querem rever a decisão de demarcação contínua da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima: “Continuou evidente que no processo de homologação contínua houve má-fé, subordinando-se às teses de ONGs nacionais e estrangeiras, e contrariando o desejo dos próprios índios”. O relatório denuncia: “As demarcações foram feitas em bases falsas e desprezando antigos e registrados títulos de propriedade que remontam a 1937, ou antes. Assinaturas do laudo antropológico no qual se baseou a demarcação contínua foram comprovadamente falsificadas, fatos estes constantes de processo judicial federal (Processo 1999.42.00.00001-7, distribuído à 1ª Vara Federal da seção judiciária de Roraima, em 18 de janeiro de 1999)”.

O documento adverte que a situação pode resultar em conflitos: “Na população de Roraima, ficou evidenciado haver pouca esperança em soluções jurídicas e a firme decisão de resistir a esse ‘status’. Baseadas na convicção de que a homologação contínua contraria o interesse nacional, as forças reativas contam com a simpatia das Forças Armadas e da população de Roraima. As últimas notícias dão conta de conflitos na região”.

Ação dos EUA

Provavelmente eivados de um preconceito anti-norte-americanista, bastante comum nas Forças Armadas brasileiras, o relatório carrega nas tintas:

“Quanto à presença militar estadunidense na Amazônia, um componente relativamente novo na questão da segurança da região amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares estadunidenses e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser utilizados no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ao ELN (Exército de Libertação Nacional). A presença militar estadunidense, que já se estende à Guiana, ao Equador, ao Peru, à Bolívia e, recentemente, ao Paraguai – aproveitando-se do vazio de nossa política externa em relação àquele país – por meio da utilização de bases militares, poderá se expandir a outros países sul-americanos para transformar a luta contra a droga (e contra as Farc e o ELN) em uma empreitada militar sul-americana, e não apenas colombiano-estadunidense. O plano provavelmente faz parte da estratégia dos EUA para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no cone sul, em torno do Brasil”.

Fonte: Alerta Total
Via Jornal Nortão