O tamanho das reservas florestais da Amazônia é muito importante, e sua fragmentação ameaça igualmente a existência de plantas e animais, segundo um estudo que publica hoje a revista Science.

Uma equipe liderada por Gonçalo Ferraz, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia no Brasil, estudou os dados de treze anos sobre mais de 40.000 capturas de pássaros em 23 áreas isoladas e não isoladas da selva que ocupam cada uma 600 hectares.

A Amazônia representa 66% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território do Brasil.

O resultado principal do estudo é que os efeitos da extensão da área na presença das espécies de pássaros são muito mais importantes do que a área esteja isolada ou não, uma conclusão que realça a importância da proteção de grandes faixas de floresta primária na Amazônia.

A fragmentação de áreas reduz a floresta amazônica em milhares de quilômetros quadrados a cada ano, e deixa para trás pequenos fragmentos de selva isolados por áreas desmatadas.

Muitas das espécies que vivem nas florestas intactas antes da destruição não estão presentes na selva fragmentada.

Os pesquisadores se perguntaram se seria possível encontrar essas espécies em parcelas igualmente pequenas, mas rodeadas de áreas sem desmatar.

“Não é surpreendente que os fragmentos isolados careçam de muitas espécies”, disse Ferraz.

“Muitos pássaros são tão pouco comuns que raras vezes estão presentes nas parcelas pequenas, até no meio de vastas áreas de vegetação que ninguém tocou”, acrescentou.

O isolamento agrava, para muitas espécies, o efeito criado pelo tamanho da área, mas surpreendentemente não afeta muitas outras espécies.

A maior dificuldade metodológica do estudo, indicam os autores no artigo, é a da detecção dos pássaros.

“Quando são tiradas mostras de uma parcela da floresta é fácil que passem despercebidas espécies que vivem ali”, sublinham.

O tratamento detalhado da dinâmica de 55 espécies de pássaros permitiu uma prova sem precedentes da hipótese científica clássica acerca dos efeitos do tamanho e isolamento da reserva na extinção e colonização local de espécies.

As grandes áreas de floresta compreendem uma variedade suficientemente ampla de condições locais, e de espécies, que asseguram a sobrevivência da Amazônia e seus habitantes.

Em 4 de dezembro de 2006, o Pará anunciou a criação da”maior reserva ambiental do planeta”, que, com 16 milhões de hectares, equivale ao território que ocupam Suíça, Portugal e Dinamarca juntos.

Segundo os especialistas, a região delimitada é habitada por 61 espécies de anfíbios, cerca de 150 de répteis, 195 de mamíferos e outras 700 de aves, que representam quase a metade das espécies de fauna conhecidas na região amazônica.

via Último Segundo /EFE

in Science Magazine
ECOLOGY: «Receding Forest Edges and Vanishing Reserves»
Gascon et al.
Science 26 May 2000: 1356
DOI: 10.1126/science.288.5470.1356