por Denison Silvan (*)

Com o início de um novo ano, 2007, abre-se a perspectiva para novas realizações e novos desafios, no campo profissional e pessoal, visando, sempre, ao objetivo comum à Humanidade, à felicidade. Permitam-me aqui, senhores empreendedores, expor algo pessoal que talvez sirva de exemplo e de incentivo. Há tempos sonho cursar o Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia, oferecido pelo ICHL (Instituto de Ciência Humanas e Letras) da Ufam em nível de mestrado. Com a inscrição do meu projeto feita em 21 de dezembro passado, creio estar mais perto da concretização deste objetivo, para o qual, de uma maneira ou outra, estou me preparando desde o início do século.

O projeto proposto, que está sendo analisado por uma comissão de professores doutores assim como os projetos dos demais inscritos, tem relação direta com empreendedorismo, pois pretendemos analisar a atuação de um empreendimento minerador na Amazônia, com seus desdobramentos econômicos, sociais e ambientais, especialmente nos aspectos relacionados à inserção dos trabalhadores amazonenses e de outros Estados no processo produtivo daquela empresa.

Caso tenhamos a honra e o privilégio de ingressar no curso, nossa pesquisa terá como referencial teórico as considerações do sociólogo franco-polonês Ignacy Sachs sobre desenvolvimento includente, sustentável e sustentado, baseado no trabalho decente para todos. A outra “perna” para a construção do nosso entendimento sobre a questão do desenvolvimento na Amazônia virá da trilogia sobre a globalização do capital, editada pelo sociólogo Octavio Ianni, da Universidade de São Paulo. Nos três livros, Ianni faz considerações oportunas sobre os dilemas da globalização apresentados às nações periféricas, aí incluído o Brasil.

Também terá no livro A Condição Humana, da filósofa Hannah Arendt um importante referencial para a análise das condições de trabalho a que os colaboradores do projeto minerador a ser pesquisado estavam submetidos. Mas, para além da perspectiva de análise e elucubrações sobre as condições de trabalho e ganhos ou perdas de ordem econômica, queremos dar nossa contribuição para que o tema mineração na Amazônia seja colocado em pauta de discussão por toda a sociedade brasileira e sirva de referencial para os tomadores de decisão e formadores de opinião.

O resultado final desejado ao participar do mestrado Sociedade e Cultura na Amazônia é a publicação de um livro com nossas considerações sobre o tema mineração na Amazônia, focado no estudo de caso da empresa mineradora que será objeto de nossa atenção. Se conseguir atingir este objetivo, previsto para meados de 2009, terei dado um passo importante para a minha trajetória profissional e pessoal.

Programa de Pós-Graduação

De acordo com o prospecto do curso, o Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia é o resultado de debates e reflexões acumulados pelos professores doutores e pesquisadores dos vários departamentos acadêmicos do ICHL. O projeto de criação do curso foi aprovado nas instâncias internas da Ufam em janeiro de 1998. Em seguida, foi encaminha à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), recebendo parecer positivo para seu funcionamento. Tem apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico); Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas); e da Capes. É centrado numa abordagem interdisciplinar em que diferentes áreas do saber lançam o desafio de oferecer múltiplos olhares para os processos socioculturais na Amazônia.

Linhas de Pesquisa

O Programa de Pós-Graduação atua em cinco linhas de pesquisa:
I – Linguagem, Cultura e Comunicação na Amazônia. Compreende as várias perspectivas de intervenção dos fenômenos da linguagem e da comunicação; as manifestações artístico-culturais e literárias; a natureza dos mitos amazônicos e seus imaginários; história e impactos dos meios de comunicação.
II – Populações Amazônicas: Cultura e História. Compreende o estudo dos grupos humanos e minorias éticas na Amazônia, sua historicidade, práticas culturais e articulações com a sociedade nacional e regional; e a construção social das identidades dos povos que vivem na região.
III – Sociedade, Estado e Políticas Públicas na Amazônia. Compreende o estudo das formas de intervenção do Estado e das estratégias de poder adotadas na região. Enfoca o estudo das políticas públicas na exploração dos recursos naturais e dos impactos sócio-ambientais e as perspectivas de sustentabilidade na Amazônia.
IV – Tempo e Espaço na Amazônia. Compreende o estudo das dimensões do espaço e do tempo nos processos históricos e culturais na Amazônia. Concentra-se em torno das questões da ocupação do espaço na Amazônia pelo homem, da investigação da história das práticas, dos processos culturais e das representações pelas quais o tempo e o espaço se tornaram significativos e engendram formas e projetos culturais.
V – Trabalho e Sociedade na Amazônia. Compreende o estudo dos paradigmas da produção; das dimensões institucional, organizacional, tecnológica e política do trabalho; da questão da centralidade do trabalho; e das relações de empregabilidade no mundo urbano e rural.

O ingresso no curso se faz anualmente por seleção pública. O edital com o período de inscrição, número de vagas e documentação exigida é divulgado no segundo semestre de cada ano. Informações podem ser obtidas pelo site http://www.ufam.edu.br e na página http://www.ppgsca.ufam.edu.br , ou pelo telefone 3647-4381.

(*)  assessor de Comunicação e Marketing do Sebrae Amazonas, jornalista e bacharel em Comunicação Social
Contacto: comunicacao@am.sebrae.com.br