por  Paulo Zaviasky (*)

Trecho “cômico” em http://www.novomilenio.inf.br: “Apesar de os biólogos e químicos travestidos de missionários indígenas; apesar dos estranhos interesses envolvidos no Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam); apesar do contrabando de amostras da diversidade biológica amazônica que gera patentes de produtos no exterior sem que isso reverta para o Brasil; apesar da curiosa forma como são demarcadas as reservas indígenas, coladas às fronteiras tanto pelo lado brasileiro como nos países vizinhos (mesmo que para isso seja preciso deslocar os índios para mais perto das fronteiras); apesar da contaminação dos rios amazônicos (e mortandade de peixes) pelo agente laranja (desfolhante usado pelos EUA nas plantações colombianas de onde é extraída a matéria-prima para entorpecentes); apesar de forças militares estrangeiras serem treinadas na Amazônia pelo próprio Exército Brasileiro… Para quê? (programa Fantástico, Rede Globo de Televisão, 10/6/2001); apesar da notória cobiça internacional pela área, disfarçada em interesse de preservação ecológica por parte de governos que não têm o mesmo interesse em outras regiões…

No último 24/5 o jornal “Estadão” publicou sem destaque nenhum, e em minúsculas linhas, a denúncia gravíssima de uma brasileira residente nos EUA. “Os livros de geografia de lá, estão mostrando o mapa do Brasil amputado, sem o Amazonas e o Pantanal”. “Eles estão ensinando nas escolas, que estas áreas são internacionais”. “Desde meados de 1980 a mais importante floresta do mundo passou à responsabilidade dos Estados Unidos e Nações Unidas”. “É chamada de Finraf (Reserva Internacional da Floresta Amazônica). “A criação da Finraf foi apoiada por todas as nações do G-23. Finraf é como um parque internacional, com severas regras de exploração” (SIC).

Portanto, não sou eu a afirmar. Veja mais ainda nos sites:

a – Amazônia (ainda) não é área internacional – II (Cristóvam Buarque). b – Amazônia (ainda) não é área internacional – III (projeto no Congresso). c – Amazônia (ainda) não é área internacional – IV (análise militar). d – Amazônia (ainda) não é área internacional – V (o tema em Harvard). e – Site do Greenpace: “Amazônia não deve ser ainda internacionalizada”.

O site do jornal russo PRAVDA registra o seguinte: “O Projeto de Lei 4776/2005 é a concretização do projeto de internacionalização da Amazônia através do Finraf”. Entre outros mais de mil sites sobre tal assunto.

Pela bagunça que esses “trotes” causam nas listas de debates no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, e principalmente pelo desleixo com que as autoridades brasileiras têm tratado a questão da soberania nacional na Amazônia, esta história tem duplo motivo para ser inscrita no Festival de Besteiras que Assola a Internet (Febeanet)…

in Diário de Cuiabá

(*) Paulo Zaviasky é jornalista em Mato Grosso