por Renato Gianuca (*) 

Logo ao desembarcar em Manaus estamos na Amazônia distante, um outro país dentro desta nação continental. E surpreende o repórter a pujança econômica de Manaus, após uma primeira visita àquela cidade nos anos 1960, ainda um então jovem e esperançoso estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E ao observador da mídia surgem, ao lado dos modernos shoppings de Manaus, nas suas agora amplas avenidas e viadutos, as bancas de jornais da capital e do vasto interior do estado do Amazonas.E as escolhas para o leitor são bem variadas: há seis jornais diários em Manaus, neste começo do século 21. Ao lado do agora centenário Jornal do Commercio, disputam o mercado da mídia impressa o tradicional A Crítica e os novos – para este repórter – Diário do Amazonas, O Estado do Amazonas, Correio Amazonense e Amazonas Em Tempo. Todos, à exceção do JC de Manaus, no formato tradicional standard.

Esses seis diários manauenses circulam com 50 a 60 mil exemplares, de segunda a segunda. Menos o JC, com uma edição de final de semana datada de “sábado/domingo/segunda”. A jornalista Rosângela Alanís, do setor de imprensa da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), diz que nos finais de semana a tiragem dos seis diários dobra para mais de 100 mil exemplares.

Tanto Rosângela como o jornalista Hudson Braga, ex-editor de A Crítica, afirmam que os mais importantes jornais por lá são a própria A Crítica, mais o Diário e o Correio Amazonense. Este último, dizem, é de família ligada ao político local Amazonino Mendes. A Crítica, bem tradicional, continua com a família Calderaro. Já o Diário, jornal impresso todo em cores, com noticiário atualizado em sua edição de domingo, é do empresário local Cassiano Anunciação. E O Estado, de família do deputado federal Francisco Garcia (PP-AM).

De acordo com os dois jornalistas, só a classe média de Manaus ainda mostra interesse pela mídia impressa. Lá, como aqui, a juventude dourada acompanha as notícias pela internet. O isolamento geográfico do Amazonas e as imensas distâncias entre os municípios levam os jornais da capital ao interior com considerável atraso. Vão de barco, e uns poucos exemplares seguem de avião para assinantes mais abonados.

Desconhecida, rica e pobre

Há atualmente cerca de 150 jornalistas profissionais com carteira assinada nos seis diários de Manaus. E, em função da Zona Franca e do Distrito Industrial, a procura por formados em Jornalismo é crescente. Tanto que a maioria dos diplomados nos três cursos de Jornalismo de Manaus consegue trabalho e fica no Amazonas mesmo. Ao contrário do Rio Grande do Sul, por exemplo, sempre “exportando” jornalistas para o eixo São Paulo-Brasília.

No momento, Manaus e o estado do Amazonas brigam em duas frentes – uma delas é representada pelas queimadas e sua ameaça permanente de destruição da floresta amazônica e sua biodiversidade. Como impedir o avanço do fogo e sua conseqüente contribuição para o aquecimento global?

A outra frente é a TV digital. Manaus deseja fabricar os conversores top set boxes e assiste à disputa interna entre os ministros do Desenvolvimento e o das Comunicações. Os colegas amazonenses afirmam: “Nesses dois pontos, nessas duas batalhas regionais, todos os seis diários jogam juntos. E sem exceções ou divergências”.

Enquanto os âncoras da TV Globo passeiam pelo Brasil, em função das eleições de 1º de outubro, e deixam por momentos os estúdios refrigerados da Vênus Platinada, sua passagem pela Amazônia fortalece a questão regional dessas batalhas de Manaus. E mostram ao resto do Brasil uma região Norte desconhecida, rica e pobre, ao som forte das toadas, música-guia dos bumbás de Parintins. Estado periférico, à semelhança do Rio Grande do Sul, o Amazonas vive suas contradições, à espera de dias melhores. Que virão, certamente.

(*)  Publicado simultaneamente com a versão impressa do jornal Versão, do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Setembro/2006.