O Livro A Imagem Pública de Lula será lançado no cocktail de Abertura da 14ª Semana de Humanidades do CCHLA, dia 2 de outubro, um dia após as eleições presidenciais brasileiras, às 18h, no Hall do Auditório da reitoria da UFRN.

Na campanha presidencial de 1989, a imagem pública de Lula era de um sindicalista corporativista que entra na política para defender o interesse dos trabalhadores, emblematizada no slogan trabalhador vota em trabalhador. Em 1994, houve uma evolução desta posição, com um discurso mais amplo buscando o apoio de outros setores da sociedade, mas, novamente, a tentativa de se contrapor à mídia (mais do que ao Plano Real em si) levou a uma imagem negativa do petista em relação ao futuro. Em 98, sempre batendo de frente com a mídia, Lula ficou com uma imagem pública de despreparado para enfrentar para crise econômica internacional.

Mas, em 2002, a imagem do Lula radical, agressivo, crítico, negativo, destrutivo, intransigente deu lugar à imagem do Lula light, de discurso moderado, o Lulinha paz e amor, Lula, o negociador, Lula encarnando a esperança contra o medo. Após três eleições nadando contra a corrente midiática, em 2002, Lula decidiu voar a favor do vento e construiu, em conjunto com a mídia que tanto combateu, a imagem de negociador pacifista, ideal para o governo democrático.

Houve uma mudança histórica de comportamento em relação às eleições anteriores, uma vez que os eleitores que votavam em adversários, desta vez, resolveram elegê-lo. Vários fatores contribuíram para esta mudança.

Então, as perguntas: qual foi a mudança? Foi apenas uma mudança no discurso e na atitude política do PT que atraiu espontaneamente os eleitores mais conservadores? Ou houve realmente um forte desejo de mudança por parte da população? Ou será que marketing político de Lula foi mais efetivo com Duda Mendonça do que com outros marqueteiros e publicitários? Ou ainda terá sido a crise no modelo neoliberal, as fraturas no bloco dominante e das oligarquias políticas tradicionais que propiciou a chegada da esquerda à Presidência da República? E a pertinência do programa do PT, as alianças sociais e partidárias, a escolha do candidato à vice, a campanha publicitária na TV e no rádio, a sintonia de Lula com o sentimento popular e sua performance na imprensa – e se considerando que cada um desses fatores contribuiu para vitória de Lula – qual o peso de cada um na sua eleição?

E mais: como entender o favoritismo de Lula em sua quinta campanha, independentemente do fraco desempenho de seu primeiro governo e da complicada situação de seu partido? Decifra-me ou te devorarei – A imagem pública de Lula no horário eleitoral nas campanhas presidenciais de 1989, 1994, 1998 e 2002 resume a tese de doutorado em Ciências Sociais (UFRN, 2006) do professor de Comunicação Marcelo Bolshaw Gomes. Parte da pesquisa, com clipes e vídeos comentados dos melhores momentos dos horários eleitorais das campanhas presidenciais, podem ser visto no site Quatro Vezes Lula-lá.

in Decifra-me ou te devorarei – A imagem pública de Lula no horário eleitoral nas campanhas presidenciais de 1989, 1994, 1998 e 2002, de Marcelo Bolshaw Gomes, EDUFRN –, João Pessoa, 2006; e-mail: edufrn@editora.ufrn.br