Os Katukina, também denominados Peda Djapa (“gente da onça”), habitam a área indígena do Rio Biá (1,18 milhões de hectares), nos municípios de Jutai (sede do Projeto) e Carauari, no estado do Amazonas.

Com população de cerca de 340 pessoas, os Katukina plantam grandes roçados, com tubérculos e frutas – mandioca, abacaxi e cana, em sua maioria. Ao lado da pesca e da caça abundante, há uma grande fartura de alimentos. Produzem ainda muitos artefatos típicos, como cerâmicas, o arco e as flechas e as canoas chamadas de “podak”.

Assim como os Kanamari, os Katukina se dizem Tâkâna e falam uma mesma língua, com poucas diferenças dialetais. Sua cultura tradicional está bastante viva e presente no dia-a-dia, e se evidencia nas festas e rituais que acontecem ao longo do ano.

Os Katukina, a exemplo dos outros povos indígenas da Amazônia, sofreram com as expedições punitivas empreendidas pelas empresas extrativistas e com o contágio de enfermidades trazidas pelos invasores de suas terras. Apesar disso, mantiveram suas raízes e práticas culturais até os dias atuais.

Em 1987, uma Equipe da OPAN, com apoio da Prelazia de Tefé, realizou os primeiros levantamentos sobre a situação dos Katukina do rio Biá e iniciou um programa de atenção à saúde e as gestões para a defesa do seu território contra as invasões. Contudo, o processo de demarcação de sua área foi concluído apenas em 1996.

O atendimento à saúde e o incentivo à produção agrícola e ao artesanato foram as principais preocupações da Equipe. Para o controle da malária, que representava um forte risco de vida para os membros da Equipe e para os índios, foram mobilizados em 1995 a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), a FUNAI (Fundação nacional do Índio) e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário). 

Embora os Katukina mantenham-se com relativa autonomia diante dos ocupantes do entorno de suas terras e do mercado regional, parece importante encontrar e experimentar alternativas econômicas que permitam, a médio e longo prazos, alcançar relações de troca mais vantajosas para a comunidade indígena.

Fonte: Opan