Os Enawene-Nawe são um povo de língua Aruak cujo território está situado a noroeste do estado de Mato Grosso, nos municípios de Juina, Sapezal e Comodoro. 

Os primeiros contatos amistosos ocorreram em 1974, quando os jesuítas Vicente Cañas e Thomaz de Aquino Lisboa, da Missão Anchieta, acompanhados de alguns índios Rikbaktsa e Nambikwara, visitaram a sua aldeia no rio Camararé.

Nos anos seguintes, os jesuítas com a colaboração de membros da OPAN fixaram uma rotina de visitas, para prevenir possíveis doenças infecto-contagiosas e melhor conhecer os Enawene-Nawe. A partir de 1978, Vicente Cañas (chamado Kiwxi, pelos Myky) e membros da OPAN passaram a atuar de forma permanente na área, dando ênfase aos trabalhos de saúde preventiva e aos encaminhamentos para a demarcação do território indígena.

Em 1987 o missionário Vicente Cañas foi assassinato, a mando de latifundiários e grileiros que cobiçavam as terras dos Enawene-Nawe. Com isto, a OPAN aceitou a responsabilidade de dar continuidade ao projeto indigenista junto a eles. 

Para os Enawene-Nawe, ao contrário de tantos outros povos indígenas no Brasil, o contato com a sociedade brasileira não significou depopulação: de 1974 a 2000, sua população subiu de 98 para 340 pessoas, com uma taxa média de crescimento em torno de 4% ao ano.

O estudo descritivo da língua falada pelos Enawene-Nawe permitiu iniciar, em 1995, um inédito programa de alfabetização na própria língua nativa, que se diferencia por recusar a imposição de um espaço escolar exógeno e autoritário. Recentemente, por solicitação dos Enawene-Nawe, o ensino da língua portuguesa e a aritmética foram incorporados ao programa, no qual se discute ainda temas políticos, econômicos e epidemiológicos da região e do País.

Em parceria com o GERA (Núcleo de Estudos e Pesquisas do Pantanal, Amazônia e Cerrado da Universidade Federal do Mato Grosso) e a UNICAMP (Universidade de Campinas) a OPAN empreendeu, com recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente/MMA, o projeto de pesquisa intitulado “Estudo das potencialidades e do manejo dos recursos naturais na área indígena Enawene-Nawe”. 

Nos últimos anos intensificaram-se os contatos com a população envolvente assim a pressão das frentes econômicas, na forma de garimpos, madeireiras, e pecuária e agricultura altamente tecnificadas. O desafio atual que se coloca é de acompanhar e refletir com os Enawene-Nawe esta nova conjuntura regional.

Fonte: Opan