Crónicas e Narrativas


Desmatamento desacelera na Amazônia (por enquanto)

O governo federal divulgou, nesta semana, que o ritmo de desmatamento da floresta amazônica desacelerou em comparação aos anos anteriores. A área devastada no período 2006/2007 é 30% menor que durante 2005/2006 e 25% menor se comparado ao que foi derrubado em 2004/2005.

Podem me chamar de pessimista, mas só vou acreditar que isso é o resultado da aplicação de políticas públicas contra o desmatamento após: 1) o preço da soja, que está se recuperando, atingir patamares semelhantes àqueles alcançados alguns anos atrás, quando fazendas de soja surgiam diariamente na Amazônia Legal e a taxa de desflorestamento subia ano a ano e 2) ser concluído o processo de padronização internacional do etanol, transformando-o em uma commodity, o que tende a aumentar o nosso mercado para o produto. O que fará crescer ainda mais a pressão tanto da cana quanto de outras culturas e criações, expulsas por ela de terras mais nobres, sobre a Amazônia.

O que acontece na Chicago Board of Trade (onde são negociadas commodities como a soja) e nas mesas do grão em Roterdã, na Holanda, têm mais influência sobre o destino da floresta do que as ações do Ministério do Meio Ambiente. Poderíamos impedir que isso acontecesse, é claro. Mas o governo e a iniciativa privada não querem.

A ministra Marina Silva poderia ter aproveitado a ocasião e perguntado para Dilma Roussef (Casa Civil) e Reinhold Stephanes (Agricultura e Pecuária), que estavam ao seu lado na divulgação dos dados, quando é que eles vão parar de incentivar um modelo de desenvolvimento que destrói a floresta e os seus povos, beneficiando empresários brasileiros e estrangeiros, que faturam cada vez mais, e bancos brasileiros e estrangeiros, que ficam com as divisas geradas na exportação a título de pagamento de juros e dívida.

Espero que eu esteja enganado, mas a tendência não mudou, apenas deu uma reduzida na velocidade. O Pará e o Mato Grosso, em algumas décadas, serão uma grande fazenda, com algumas ilhas de preservação ambiental e reservas indígenas – que já estarão sob a responsabilidade de mineradoras. Mas isso é outra história.

por Sakamoto

Por Raúl Zibechi | 24 de julho de 2007

Versão Original: La cara siniestra de los biocombustibles: Horror en la “California brasileña”
Traduzido por: Cepat/ALAI

Olhando mais de perto para as condições de trabalho dos cortadores de cana aparece um mundo terrível que deveria fazer refletir aqueles que estão entusiasmados com a proposta de substituir os combustíveis fósseis por agrocombustíveis. O Brasil aposta em converter-se numa grande potência emergente graças à liderança capitaneada com a produção de biocombustíveis. O preço dessa ambição é pago pelo meio ambiente e pelos cortadores de cana, que continuam sendo a parte invisível desta história.

“Uma certa vez, né, quando o avião passou dando aquele banho de veneno, meu pai, ele molhou todinho (…) ficou muito mal do veneno da cana. Está acabando com muita gente jovem”, disse uma ex-cortadora de cana da região de Ribeirão Preto, São Paulo.

“A gente trabalha e ele passa um papel, um risco no papel e passa pra gente comprá no supermercado. A gente num vê dinheiro, só vê a conta do que deve”, garante um trabalhador da mesma região, onde sete de cada dez cortadores de cana não terminaram a escola primária.1

Outros cortadores garantem que são enganados pelas balanças controladas pelos patrões, e calculam que têm que levar 110 quilos para que a balança marque 100. Quase todos foram arrancados do Nordeste com promessas de que ganhariam salários muito altos. As condições de trabalho lembram a muitos analistas moderados o período da escravidão. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na Cúpula do G-8 que os biocombustíveis têm “enorme potencial para gerar empregos e rendas” e que “oferecem uma verdadeira opção de crescimento sustentável”.2

Por trás da linguagem “politicamente correta” se esconde uma realidade que está fadada a destruir a Amazônia, que destrói milhões de corpos jovens e promete fantásticos negócios para os investidores. O próprio nome biocombustíveis parece estar destinado a fomentar a confusão. João Pedro Stédile, dirigente do Movimento Sem Terra, aponta que os defensores do etanol “utilizam o prefixo bio para dar a entender que é uma coisa boa”, por isso eles preferem falar claro e os chamam “agrocombustíveis”, porque se trata de uma energia produzida pelo agronegócio.

Regredir quatro séculos

Segundo o ex-governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo, com os agrocombustíveis a monocultura se estenderá a todo o país. Mesmo que seja um político conservador, membro do Democratas (DEM), acredita que o Brasil “percorreu 500 anos para voltar ao mesmo lugar” que tinha quando era colônia portuguesa. Na sua opinião, as terras dedicadas à agricultura se perderão ao serem usadas para a plantação de cana e se repetirá a história destes quatro séculos, quando “milhares foram expulsos de suas comunidades pelo Leviatã da monocultura, que cria riqueza concentrada”.3

Olhando mais de perto para as condições de trabalho dos cortadores de cana aparece um mundo terrível que deveria fazer refletir aqueles que estão entusiasmados com a proposta de substituir os combustíveis fósseis por agrocombustíveis. Segundo vários relatórios, o setor emprega aproximadamente um milhão de pessoas, das quais 511 mil estão na produção agrícola. Cerca de 80% da colheita da cana é manual. Os trabalhadores da cana só recebem pelo dia trabalhado se atingirem o rendimento pré-estabelecido pelos patrões, que na região de Ribeirão Preto se situa em 12 toneladas diárias, o dobro do que foi em 1980. Se não alcançam esse patamar, não recebem nada pelo trabalho realizado.4

Para alcançar esse rendimento devem trabalhar de 10 a 12 horas por dia, mas às vezes 14, muita delas sob um sol escaldante. Muitos pais levam seus filhos menores para que os ajudem a alcançar essa meta de produção. Mesmo que a quantidade de menores que trabalham tenha diminuído, em 1993 um de cada quatro cortadores de cana tinha entre sete e 17 anos no Estado de Pernambuco e muitos dos quais não recebiam nenhum salário. Nas duas últimas safras morreram 14 pessoas [na realidade já são 19] por excesso de trabalho. Os cortadores são recrutados em outras regiões e devem viver na mesma fazenda, em cabanas sem colchões, sem água nem cozinha; devem cozinhar em latas sobre pequenas fogueiras e têm que comprar os alimentos na própria fazenda a preços muito acima dos de mercado.

A cana é cortada depois da queima, o que facilita a colheita mas prejudica gravemente o meio ambiente e produz problemas pulmonares. No município de Piracicaba, interior de São Paulo, o número de internações de crianças e adolescentes com problemas respiratórios aumenta 21% nos períodos de queima da cana. Para cada dez toneladas o cortador deve dar cerca de 72,000 golpes de facão, fazer 36,000 flexões de perna, perde cerca de dez litros de água por dia e caminha dez quilômetros diários enquanto realiza seu trabalho. O salário mensal oscila entre 300 e 400 reais (US$150-200) por mês. Segundo o sociólogo Francisco de Oliveira a vida média dos cortadores é inferior à dos escravos da colônia.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confessou na Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, que uma parte da produção de cana no Brasil se faz com trabalho degradante e em péssimas condições: “Trabalham sem luvas e até perdem os dedos”. Maria Aparecida de Moraes Silva, que há 30 anos estuda o trabalho nos canaviais, garante que 45% dos cortadores provêm do Nordeste. Os migrantes são preferidos pelos empregadores porque ao estarem longe de suas famílias suportam as imposições sem protestar e depois dos sete meses que dura a safra regressam para seus lugares de origem, de modo que têm mais dificuldades para organizar sindicatos.5

Isso que chamam progresso

Pouco a pouco estão sendo introduzidas máquinas colheitadeiras que realizam o trabalho de cem pessoas. Por esse motivo, os fazendeiros aumentaram as exigências de produtividade. Passam a exigir dos cortadores que cortem a cana mais rente ao chão, como fazem as máquinas. O resultado é que agora escolhem trabalhadores cada vez mais jovens que recebem um dólar por tonelada.

O jornal econômico Valor explica como caem na servidão: “Há um intermediário da mão-de-obra que percorre os Estados mais pobres, em especial o Norte e o Nordeste. Escolhe os mais jovens. Ao entrar no ônibus para ir até a cidade onde são contratados, o cortador contrai sua primeira dívida com o transporte. O intermediário ganha R$60 (US$30) por cada trabalhador que leva. Não é raro que seja também o responsável pela venda das primeiras mercadorias de que os trabalhadores têm necessidade. Converte-se em ‘dono’ dessa mão-de-obra à medida que as dívidas se acumulam.”6

A expansão da cultura da cana destrói a convivência social. Na região onde está a pequena cidade de Delta, Minas Gerais, foram plantados 300 mil hectares nos últimos quatro anos. A cidade tem cinco mil habitantes que se convertem em 10 mil durante a colheita. Segundo um relatório do Correio Braziliense, a pequena cidade começou a registrar taxas de homicídio inimagináveis antes da multiplicação das plantações de cana. Muitas meninas e adolescentes são seqüestradas para engordar a prostituição na região, à qual confluem cerca de 20,000 cortadores todos os anos. Os cortadores engrossam as periferias das pequenas cidades onde se multiplica o alcoolismo e o consumo de crack.

A expansão e a modernização da indústria da cana ultrapassa os povoados e municípios. José Eustáquio da Silva, prefeito de Delta, reconheceu que “o município está em colapso. Os postos de saúde, hospitais e escolas estão abarrotados, e o pior é que junto com os trabalhadores vêm toda classe de gente e bandidos”. Em Delta não há sequer um hotel, mas existem 27 bordéis. Os jornalistas descobriram que várias personalidades do município estão envolvidas no tráfico de menores e em casos de pedofilia com filhos dos cortadores de cana. Os intermediários (os “gatos”) estão armados e impõem sua lei.

Stédile costuma dar sempre o mesmo exemplo para ilustrar os problemas sociais gerados pela monocultura. “O município de Ribeirão Preto, no centro do Estado de São Paulo, é considerado a ‘Califórnia brasileira’ por seu elevado desenvolvimento tecnológico na cana. Há 30 anos, essa cidade produzia todos os alimentos, tinha campesinato no interior e, de fato, era uma região rica e com distribuição eqüitativa de renda. Agora é um imenso canavial, com 30 usinas que controlam toda a terra. Na cidade há 100,000 pessoas que vivem em favelas (dos 540,000 habitantes do município). A população carcerária é de 3,813 pessoas (só adultos) ao passo que a população que vive da agricultura e tem trabalho ali é de somente 2,412 pessoas contando as crianças. É o modelo de sociedade da monocultura da cana. Há mais gente na prisão do que trabalhando na agricultura.”7

Na safra de 2007 deve se produzir outro “avanço” tecnológico: pela primeira vez se colherá cana geneticamente modificada. É mais leve e elimina mais água, razão pela qual dará grandes lucros aos empresários. Mas os trabalhadores terão que cortar três vezes mais para chegar às 10 toneladas.

Nesta região os empresários despedem em pequenos intervalos de tempo grande quantidade de cortadores para ficar apenas com os melhores. São os chamados “campeões de produtividade”, que chegam a cortar até 20 toneladas diárias, com uma média mensal de 12 a 17 toneladas por dia. Como os trabalhadores sofrem convulsões, câimbras, dores de coluna e tendinites, além dos freqüentes cortes, os empresários encontraram uma “solução técnica”. As usinas distribuem de forma gratuita um repositor hidroeletrolítico e vitamínico indicado para desportistas ou trabalhadores com intensa atividade física. Em muitas usinas os cortadores ingerem esse produto antes de começar o trabalho. “As dores do corpo desaparecem, as câimbras diminuem e a produtividade aumenta”, disse Pereira Novaes. O problema é que todos os meses têm que aumentar a dose.

“Com soros e medicamentos se mantém a elevada produtividade exigida pela cana. Como num processo de ‘seleção natural’, sobrevivem os mais fortes. Mas a pergunta é: como e até quando sobrevivem? Soros e medicamentos podem ser vistos como expressão do paradoxo de um tipo de modernização e expansão dos cultivos de cana que dilapida a mão-de-obra que os faz florescer”, insiste Pereira Novaes. Não há dados oficiais, mas o certo é que são muitos os trabalhadores jovens que se aposentam por invalidez e são dezenas de mortes por fadiga na “Califórnia brasileira”.

Os grandes ganhadores

No Brasil, a produção de cana começou em 1550, mas sua grande expansão se deu a partir de 1970 impulsionada pelo aumento dos preços do petróleo. A vegetação da costa atlântica foi reduzida à metade sendo a mais afetada pela expansão, mas agora as lavouras de cana avançam para o centro-oeste, onde se prevê que o rico bioma do Cerrado desaparecerá até 2030 por conta das monoculturas. Nos próximos sete anos o Brasil duplicará sua produção de etanol e deverá produzir quase 50% a mais de cana, o que supõe construir outras cem usinas até 2010.

Mas o Brasil quer expandir os agrocombustíveis para toda a região. Os planos imediatos consistem em levar a produção a países da América Central e ao Caribe que já contam com tratados de livre comércio com os Estados Unidos (como o CAFTA), para contornar as tarifas de importação mantidas por Washington. “O objetivo é levar até esses países o produto quase terminado”, disse o semanário Peripecias, “completar o processo nesses países e a partir daí entrar no mercado dos Estados Unidos”. O banco nacional de desenvolvimento brasileiro (BNDES) financia os investimentos nesses países, mas, além disso, está negociando uma participação acionária de até 30% nos projetos centro-americanos.

Na opinião de Stédile, no projeto etanol confluem três grandes setores: “As petroleiras (que querem diminuir a dependência do petróleo), as empresas do agronegócio (como Bunge, Cargill, Monsanto) que querem continuar monopolizando o mercado mundial de produtos agrícolas”, e agora os capitais transnacionais que fazem “uma aliança com os proprietários de terra no sul, e em especial no Brasil, para utilizar grandes extensões de terra para a produção de agrocombustíveis”.

O panorama que se avizinha não é alentador. Em vez de pressionar para modificar o padrão de consumo e a matriz energética, em particular no transporte, os grandes investidores, como George Soros. Além de analisar as duras condições de trabalho a que estão expostos os cortadores de cana, avalia o impacto ambiental causado pela extensão das plantações da monocultura, em especial a da cana, mas também as pretensões geopolíticas e geoeconômicas do Brasil. As empresas, como Cargill, estão se posicionando na produção brasileira de etanol para aumentar seus lucros. O aquecimento global, assim como as condições de trabalho dos cortadores de cana, não entram no raio de suas preocupações.

Notas

  1. Testemunhos recolhidos na cartilha Agronegócio e biocombustíveis: uma mistura explosiva, do Núcleo Amigos da Terra/Brasil. Rio de Janeiro Núcleo Amigos da Terra/Brasil, 2006, p. 15. A cartilha está disponível no sítio da entidade.
  2. (Cartilha Agronegócio…)
  3. O Estado de S. Paulo, 13-03-2007.
  4. (Cartilha Agronegócio… p. 14)
  5. Entrevista concedida à Revista IHU On-Line.
  6. Valor Econômico, 17-05-2007
  7. (Cartilha Agronegócio…)

Raúl Zibechi é escritor e analista pelo Programa das Américas ( www.ircamericas.org). A tradução é do Cepat.

in http://www.ircamericas.org/port/4415

Rainforests are very rich in natural resources, but they are also very fragile. For this reason, rainforest peoples have become instinctive conservationists. For them, conservation is literally a way of life. If they were to take too much food in one year, the forest would not be able to produce enough new food for them to be able to survive in the next year. Many rainforest tribes gather their food from small garden plots, which are shifted every few years. This method is less productive than western agriculture, but is also much less harmful to the rainforest environment. As they cannot produce food in large quantities, most tribes are forced to limit their numbers so their gardens and the products of hunting expeditions are able to feed them, and all tribes have a great respect for their forest and for the animals and plants they share it with.

The rainforest lifestyle may sound like a kind of paradise, a Garden of Eden for the lucky few who live there. It certainly has its advantages. There is little stress, little mental illness and little high blood pressure among rainforest dwellers. Physical fitness is generally good, and few people need to work for more than four hours a day to provide themselves and their families with adequate food and other necessities. However, life is far from perfect. One in every two children born in the rainforest dies before their second birthday, and if they make it to forty years of age they are considered tribal elders. Most rain forest dwellers who make it through childhood tend to die from a disease trivial to western medicine.

Sacrifice for Survival

Competition for good hunting grounds is fierce, and there is often warfare between neighbouring groups when disputes over territorial rights break out. New-born babies are often killed by their mothers in order to prevent a group from growing too large to be supported by its territory.

This is a major problem, as territories can be very large indeed.. It has been

 

estimated that a group of eighty-four people needs a minimum territory of 640 square kilometres in order to be fully self-sufficient. Female babies are killed more often than males. There are a number of reasons for this: men are the hunters, so by having more males a group is able to send out more hunters in order to produce more food; men are also warriors, so the more adult males there are in a group, the better protected against enemies it will be; as men are warriors, many of them are killed in battles with neighbouring groups; by limiting the number of women in a group, the group’s ability to reproduce is naturally restricted. Although these measures may seem harsh to us, they are perfectly logical and an essential feature of life in the rain forest. A group which becomes too large will starve, so selective killing of infants ensures the group’s survival.

 

Endangered Species

This way of life has gone on uninterrupted for centuries, but is now under threat because of the invasion of the rain forest by outsiders – logging companies, mining operations and ranchers looking to make a quick profit by exploiting the natural resources to be found in the rain forests around the world. When you think of endangered species, you tend to think of animals or plants.

 

It would be fair however to describe rainforest peoples as endangered species. Each tribe is unique, has its own culture, mythology, religious beliefs, art and ritual. There may be a great deal we can learn from them. We know already that there are a vast number of as yet undiscovered plants and animals in the rain forest. Tribal medicine men may hold in their heads the key to curing many of the world’s as yet incurable diseases by using undocumented chemical compounds found in species of rain forest plants.

At the moment, despite the efforts of pressure groups, little concern is being shown either for the welfare of the rain forest or of its inhabitants – animal or vegetable – by the governments in control of the vast, but shrinking, areas of rain forest still in existence.

Even more frustrating is the knowledge that rain forest soil is very poor for growing c rops and turns to virtual desert within five years of losing its protective canopy of trees. Governments know this, yet still allow logging and ranching to continue on a huge scale. It is true that in the short term, huge amounts of money can be made from exploiting the rain forest in this way. But in the longer term, and here I mean no more than ten to fifteen years, there will simply be vast areas of desert where once there was rain forest.

But I digress. Let us turn now to the fortunes of possibly the most famous of all the tribes of the rainforest, the Yanomami Indians of northern Brazil and southern Venezuela. I hope that by looking at this one example in detail it will be possible to examine the problems which face rainforest peoples all over the world.

 

Protected Species

As Amazonian Indian tribes go, the Yanomami have been lucky. Their traditional homelands were in the mountainous highlands of Brazil and Venezuela, away from the big rivers and relatively inaccessible. For this reason they were spared the ravaging effects of the previously unknown diseases brought by the Spanish conquistadors to South America during the seventeenth century, which wiped out many of the riverine tribes completely. Since then their territories have expanded into the lower valleys, but despite this, until recent times the only contact the Yanomami have had with whites had been through the occasional visits of scientists or missionaries.

In 1985, however, a gold-rush on Yanomami lands in Brazil led to the influx of tens of thousands of miners and prospectors, overwhelming the small populations of local people. So far the Yanomami have been able to maintain their traditional customs, despite outside influences. After world-wide protest at the harsh treatment of the Yanomami, the Brazilian government was forced to grant the Yanomami 94,000 square kilometres of territory, an area larger than Scotland, in 1991. As has been noted above, even small groups need very large areas of territory in order to provide for themselves. The Yanomami know that if their population density increases, they will start to overuse their resources. Villages tend to fragment naturally through political rivalry and discontent as they become larger. This means that the average village population is kept down to between 50 and 70.

Despite having the supposed protection of the Brazilian government, garimpeiros – illegal gold miners – continue to prospect on Yanomami lands. They have brought with them diseases that are either lethal or very difficult to control among the Yanomami. In 1991, a survey showed that half of all Brazil’s Yanomami suffered from malaria, a disease previously unknown to them. Other diseases like tuberculosis and hepatitis are killing large numbers of Indians, and the Brazilian national health service is not providing medicines in sufficient quantity to control the problem. It has also been found that people living downstream from the gold mines have unacceptably high levels of mercury in their bodies.

 

And in Venezuela

In Venezuela the Yanomami live in a biosphere reserve which is 83,000 square kilometres in area. The biosphere reserve was set up not only to protect the 11,000 or so Yanomami who live there, sharing the territory with the Yekuana tribe, but also to protect the rich rainforests of the region.

For the Venezuelan Yanomami, it would seem that their biggest problem is the army, which has been moved into their lands in order to protect them from the Brazilian garimpeiros (see above). The morale of the officers and men alike is poor, and they take out their frustration on the Yanomami, through abuse, including rape.

Further problems are caused by the frequent “scientific” expeditions into their lands. The Yanomami say that they learn nothing from the expeditions and that they do not believe that some of the visitors are scientists anyway. Eco-tourists are becoming more common intruders on rainforest people’s lands.

They should be reminded that in looking for that “unique jungle experience” they may bring with them diseases new to the tribes they encounter while having their “experience”. It should be remembered that medical care for the Yanomami seems to be as inadequate in Venezuela as it is in Brazil.

Left: The unique jungle experience.

 

Rainforest Peoples – The Future

In the case of the Yanomami, there is at least some cause for optimism. They now live on reserves approved by governments and seem to be maintaining their traditions. Clearly there is a need for better health care and for more sympathetic policing of their lands by the military. They are perhaps the most famous of all rain forest tribes, and are therefore protected to some extent by public opinion. There would be world-wide outcry if Yanomami lands were threatened by development or mining again.

But how many other tribes are struggling for survival in the rainforests of the world? How many people have heard of the Kayapo, the Yekuana, the Iban, the Mehinacu or the Xikru? How much popular support could be rallied in their defence?

Clearly, rain forest tribes throughout the world are in need of protection. This protection should be granted as soon as possible by the governments of their nation states, but is bound to take time. Most rain forest tribes live in poor countries. The forests are rich in natural resources and can make huge sums of money for a few years, thus making the countries involved richer. But after those few years all that remains is desert. Most former rain forest which has been exploited for other purposes will either take many years to recover, or will never recover at all. The only way to stop the destruction of the rain forests, of the animals and plants, and of the tribes which live in them is through greater public awareness of the problems we are creating for ourselves. By this I mean a world-wide realization of the importance of the rain forest and its inhabitants, and of the need for proper protection against its permanent destruction. The possibility of imposing trade sanctions upon countries which continue to destroy their rain forests is at time of writing a subject of debate at a meeting of worldwide conservation groups. Perhaps this is a hopeful sign for the future of the rain forest…

 

Useful Reading

1. The Law of the Mother
Elizabeth Kemf (Ed), Sierra Club Books (1993).
– Details of the problems facing tribal peoples all over the world, including the Yanomami.

2. The Last Rainforests
Dr Mark Collins (Ed), Guild Publishing (1990).
– This is a general reference book about rain forests, which also has some information on tribes living in them.

Whether I am called a Doctor, Shaman, White Witch, Herbalist, or Phytochemist, I have been involved with herbal medicine and natural healing modalities for about 15 years now. Many people who meet me want to know how I came to be who I am and to do what I do. I am not totally sure myself how I evolved from an aggressive conventional business woman and entrepreneur to the “White Witch of the Amazon” but I do know somehow that it was a journey that I was supposed to undertake.

Shamanism is a religion in the broadest sense. It’s practice is shared by all indigenous peoples with an underlying cosmography that cuts across through local customs, labeling systems and manifestations peculiar to regional biota. Even today, when long in retreat from the relentless onslaught of western rationalism and insensate technology, shamanism survives in native cultures on all of the planet’s inhabited continents.

The divergence of western religions from shamanism lies in the concepts of humans as the exclusive possessors of spiritual souls and in humankind as the lone interpreter of ordinary and extraordinary realities. Shamanic peoples are neither so audacious nor, perhaps so foolish. In shamanism, all of existence is viewed as highly integrated and connected. When a tree falls in the forest, a star falls from the sky. Maybe more importantly, literally everything that exists has a soul – without division into organic and inorganic. There is no hierarchical structuring of consciousness with humans resting comfortably at the top and rocks and trees at the bottom. They recognize and respect all forms of life as soulful living beings – even a rock and even a tree. Maybe if we learned this one lesson, conservation of our forests, wildlife, and natural resources would become the standard and the rule and not so difficult after all.

The role of the shaman rises out of a recognition, seemingly long lost to modern humankind, of humanity as disruption. In making its way, humankind is killing for food, clothing and shelter, thereby bringing disorder where there was none. To the shaman falls the task of righting the wrongs, appeasing the offended, of repairing the harm his/her people bring upon themselves through both unavoidable as well as intemperate and disrespectful action. In considering the shaman as healer, as restorer of balance, it is not farfetched to think of him/her as an environmentalist or even as an ecologist of the group psyche.

The impetus into natural healing for me came when I got cancer in my mid-twenties. I survived acute myceoblastic leukemia through alternative and herbal medicine when the conventional doctors said it wasn’t possible. I have studied and practiced alternative medicine since that time yet, for a long time it was a hobby or second to the conventional businesses I owned. Then in 1989, I sold my companies, bought a large ranch outside of Austin, Texas and took a vacation to Africa. Those events re-connected me to the land, nature, wildlife, and inner spirit that I was just too busy to notice or was ignoring or avoiding before. I planted large organic vegetable and medicinal herb gardens, worked the soil, and raised a large menagerie of eclectic animals and teenaged boys. I only had one teenaged son myself, but most times provided a meal, bed or understanding ear for at least 6 teenagers just about all the time. In a short time, I became notorious in this conventional rural community as the “weird woman” with the weird animals that didn’t act like animals and the weird gardens that grew weird things, where all the kids hung out. But the locals, spooked though they were, still came with their kids and animals to get the “weird herbal cures” that I freely shared with any who asked or needed it.

I then started a small company there on the ranch which researched and disseminated information to cancer patients about alternative treatments being used outside the US. The internet at that point was mostly government and university computer main frames tied together, and I ended up laying over 8 miles of telephone cable just to get online (and off the rural party lines) to do this international research and share it with cancer patients who had not a clue what “internet” even meant. Many times, my company would help patients access treatments and medicines not available here and everything was done for whatever the actual costs were.

This research led me to a herbal treatment being used in Europe for cancer and AIDS patients with some success. It was a vine found in the rainforests in Peru and a drug was made in Austria using the imported bark. So, I got on a plane to Austria to check it out. I was impressed with the results and so I got on a plane to Peru when I found that the drug made in Europe was too expensive and that it could be made available here as a natural product or supplement rather than an “unapproved drug” much more cheaply. That was my first trip into the rainforest almost 5 years ago and it changed yet again the course and focus of my life. Not only did I find this vine called Cat’s Claw growing in the rainforest, I found a wealth of medicinal plants growing in an incredible environment that were more effective than any I’ve seen. I fell in love with the wildness of the jungles, the innocence and spirit of the native peoples, the vast and varied cultures, and the spirit, energy and power of the rainforest. I knew somehow that I was supposed to do something there to help preserve this incredible place from the destruction that I saw even on my first trip into the rainforest.

That was the birth of the companies I set up to make available Cat’s Claw and the other plants I was introduced to. I have owed seven companies before these, and this is the only company that I haven’t had to push and make happen. From the inception of it, I have been furiously running behind this business trying to keep up with an entity that seems to have a life and direction of its own.

My ongoing research on medicinal plants takes me into the heart of the rainforest, working side by side with indigenous tribal shamans and medicine men, rural village herbalists and “doctors” called curanderos, as well as North and South American herbalists, phytochemists and universities. As a board certified Naturopathic physician, I have a small Austin practice and enjoy working on the many hard cases that get referred to me who have exhausted all others and are willing to try some weird jungle herbs for thier cure. After five years, I now harvest and import over 100 important rainforest medicinal plants from my humble beginnings with one plant called Cat’s Claw. Traveling through the remote areas of the Amazon where medicines, hospitals and doctors are virtually non-existent has brought an opportunity to learn as a practitioner how to treat illnesses and diseases that I would never encounter here… like malaria, yellow fever, typhoid, and leprosy, just to name a few. As a practitioner or healer in the jungle, I am called “JaguarWoman” White Witch, Shaman, “Pacchumama” (Earthmother), or Curandera (Healer) by the remote villages and tribes I visit and work with. I use their ancient knowledge of their plants and combine it with western research and science, so my “potions” are different yet familiar to their shamans and healers. It’s quite a life and I am having a wonderful time!

“What i am trying to say is hard to tell and hard to understand… unless, unless… you have been yourself at the edge of the Deep Canyon and have come back unharmed. Maybe it all depends on something within yourself – whether you are trying to see the Watersnake or the sacred Cornflower, whether you go out to meet death or to Seek Life.”

“To the center of the world you have taken me Great Spirit and showed me the goodness and the beauty and the strangeness of the greening earth, the only mother – and there the spirit shapes of things, as they should be, you have shown me and I have seen.”

Susan Seddon Boulet

publicado em 08/06/2007

Marcílio de Freitas
Diretor do Centro de Estudos Superiores do Trópico Úmido da Universidade do Estado do Amazonas; mafreitas@uea.edu.br

As representações simbólicas e materiais que movimentam o processo de produção e reprodução da vida no Estado do Amazonas constituem uma referência emblemática para o Brasil e o mundo.

Destaque para suas características sócio-ecológicas: formado por 62 municípios, é a unidade federativa com a maior reserva florestal do planeta; possui uma área territorial de cerca de 1.500.000 km2 (150.000.000 hectares); cerca de 10% de toda reserva florestal dos trópicos úmidos do planeta, distribuída ao longo de mais de 96% desta superfície, com um estoque de biomassa de cerca de 67.500.000.000 toneladas contendo um estoque de carbono equivalente a 33 bilhões e 750 milhões de toneladas (22,5 quilos por m2). Possui ainda: um pouco mais de 3 milhões de habitantes; 67 povos indígenas com culturas próprias; cerca de 25.000 quilômetros de rios navegáveis; e uma rica biodiversidade – em 1997 Antony constatou que os solos do Arquipélago de Anavilhanas – situado no município de Novo Airão – possuem uma população de 116.409 indivíduos numa camada com área superficial de 1m2 e com 10cm de profundidade (Antony, 1997).

As florestas do Estado do Amazonas ocupam um papel relevante no processo de estabilização termodinâmica do planeta, ao retirar anualmente da atmosfera terrestre, no mínimo, uma quantidade total média de carbono de cerca de 150 milhões de toneladas (100 gramas por m2 por ano), contribuindo para o resfriamento da terra e reafirmando a importância deste Estado no processo de minimização dos impactos das variações climáticas do planeta (a fauna que compõe as florestas do Estado do Amazonas retira para efeito fotossintético, por ano, esta quantidade de carbono da atmosfera terrestre transformando-a em madeira, tronco, galhos, raízes e folhas). É importante ressaltar que o carbono retirado da atmosfera terrestre pelas florestas do Amazonas corresponde a cerca de 2% do total do carbono emitido e estocado por ano na atmosfera terrestre; isto é: de cada 100 quilos de carbono que é, efetivamente, estocado anualmente na atmosfera terrestre devido às emissões mundiais, os biomas do Amazonas retiram, anualmente, cerca de 2 quilos.

Antecipando-se aos desdobramentos políticos dos Relatórios do IPCC que projetam um futuro ecológico trágico para o planeta, Eduardo Braga – Governador do Estado do Amazonas – assinou o Decreto No. 26.561 em 25 de abril de 2007, que estabelece uma Política Pública Estadual de Variações Climáticas para este Estado, articulada com uma proposta de desenvolvimento econômico, humano e solidário centrada no paradigma da sustentabilidade e integrada ás culturas regionais. Nesta quinta-feira, 31/05/2007, a Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas discute em audiência pública 02 projetos de lei – complementar e ordinária- encaminhados pelo Governador Eduardo Braga e voltados á institucionalização de uma Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Amazonas Em Tempo, p. A8; 31/05/2007).  Com esta iniciativa histórica, o Governador rompe com uma tradição política centenária de se impor e implantar na região modelos econômicos dissociados de nossa realidade sócio-cultural.

Ao propor uma matriz de desenvolvimento concebida na Amazônia e alicerçada na preservação das arquiteturas e das estruturas mecânicas dos biomas amazônicos, e que se materializa através da renumeração ao Amazonas pelos serviços ambientais prestados por estes biomas ao mundo, o Governador cria novas perspectivas econômicas e sociais para a melhoria de qualidade de vida das populações regionais. Seqüestro e crédito de carbono, inventários e manejo-agroflorestal, monitoramento contínuo dos biomas amazônicos; criação e humanização de novas reservas florestais, criação de sistemas de gestão, normatização e certificação dos processos de compensação de gases estufa no Estado; implantação de programas de formação de técnicos especializados em questões ambientais próprias de cada meso-região do Amazonas; desenvolvimento de plataformas de informação e de comunicação centradas na bioeconomia e na educação ambiental, implantação de programas de recuperação de áreas degradadas; mobilização dos atores sociais e econômicos; parceria com um consórcio de universidades e institutos de pesquisa regionais especializados em pesquisas avançadas sobre Amazônia e com experiência acumulada sobre modelamento dos ciclos biogeoquímicos na região; …; e a institucionalização de uma nova matriz ocupacional para o Amazonas, são dimensões técnicas deste importante programa governamental, um exemplo para o Brasil e para o mundo.

Nasce, no Estado do Amazonas, os princípios estruturantes para implantação das futuras plataformas tecnológicas, de natureza ecológica, de serviços ambientais que movimentarão os mega-processos econômicos da Amazônia no mercado mundial e que acelerarão a fusão das tecnologias hytec do Pólo Industrial de Manaus com os produtos e processos bio-florestais, com impactos na matriz produtiva brasileira e com grande conectividade com o mercado internacional.

A ampliação desta iniciativa para toda Amazônia legal é uma possibilidade factível, considerando a potencialidade e as características dessa região. A Amazônia legal é formada pelos estados do Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso e possui 11.248 quilômetros de fronteiras internacionais com 7 países: Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa; 3/5 do território brasileiro; um pouco mais de 3/5 da Amazônia pan-americana; 2/5 do continente sul-americano; 1/20 da superfície terrestre; 3/1000 da população mundial; 1/5 da disponibilidade mundial de água doce (Corrêa da Silva, 2001); 50% do potencial hidrelétrico do Brasil; 12 milhões de hectares de várzeas; cerca de 75.000 quilômetros de rios navegáveis; 1/3 da floresta latifoliada mundial; 1/10 da biota universal; 163 povos indígenas que correspondem a 204 mil pessoas (60% dos índios brasileiros); 250 línguas faladas em toda a Amazônia panamericana, das quais 140 na Amazônia brasileira.

A biodiversidade da região impõe a sua presença na geopolítica mundial: A Amazônia possui cerca de 28% das florestas tropicais mundiais; 18 a 20% dos recursos hídricos mundiais, e cerca de 1/3 de toda a biodiversidade do planeta; Em levantamento fitogenético realizado numa área de 100km2 da Reserva Ducke constatou-se a existência de: 1200 espécies de árvores e de 5000 indivíduos, das quais cerca de 300 espécies de árvores com mais de 10cm de Diâmetro a Altura do Peito (DAP) em cada hectare de floresta, valor superior ao número total de espécies existentes em toda a Europa; Antony em 1997 constatou que nos solos do Arquipélago de Anavilhanas, tem-se uma população de 116.409 indivíduos numa camada de 0-10cm de profundidade; No período de 1995-2000, 97% dos registros de patentes feitos no Brasil foram de estrangeiros sobre produtos de biodiversidade; a floresta amazônica possui em torno de 350 toneladas de biomassa por hectare; a floresta de platô amazônica produz cerca de 7,5 toneladas de detritos vegetais por hectare por ano; Dados mais recentes (2004) sobre o inventário da biodiversidade brasileira, comprovam que a Amazônia possui: 427 espécies de anfíbios (o equivalente a 71% do Brasil e a 10% do mundo); 3.000 espécies de peixes (o equivalente a 50% das Américas do Sul e Central e a 23% do mundo); 378 espécies de répteis (o equivalente a 81% do Brasil e a 6% do mundo); 4.000 espécies de plantas superiores com sementes (o equivalente a 93% do Brasil e a 17% do mundo);  427 espécies de mamíferos (o equivalente a 81% do Brasil e a 9% do mundo); 1.294 espécies de aves (o equivalente a 77% do Brasil e a 13% do mundo).

O clima e o desmatamento na região, também, têm impacto global: a energia solar incidente na região amazônica é de 400 calorias/cm2 x s. Entre 80 a 90% desta energia é utilizada para o processo de evapotranspiração e de 10 a 20% para o aquecimento do ar (calor sensível); há dias que a temperatura aumenta de até 30 graus para alturas de 10km acima do solo; na floresta de terra firme o vapor é devido a transpiração (70%) e ao processo de evaporação da chuva interceptada pela cobertura vegetal e pela liteira (30%). Dados do IBAMA demonstram que: até 1970 somente 1% da região tinha sido desmatada; a área desmatada na Amazônia em 1990 foi de 13.800km2; no período de 1998-1999 o desmatamento atingiu  66.610km2, e entre 1970 e 1990 o desmatamento totalizou um percentual de 15% (75 milhões de hectares), área maior que o território francês (551.500km2), ou o alemão (356.910km2) ou o Reino Unido (244.000km2).

Ao contrário de outras regiões da Amazônia e do Brasil, as taxas de desmatamento no Estado do Amazonas são muito menores. No período 1990-2004, o Estado do Amazonas desmatou, em média, 0,05% (860 km2/ano) de seu território ao ano. As projeções médias para a Amazônia brasileira indicam uma taxa 07 vezes superior, 0,35% ao ano (18.184 km2/ano) (Inpe/Prodes, 2005, In: Viana, 2006). Este cenário de preservação ambiental no Amazonas resulta de diversas ações estaduais e federais na região, com destaque às políticas de desenvolvimento econômico e humano assentada no princípio de sustentabilidade econômica, social e ecológica implantada pelo atual Governador deste importante Estado brasileiro. As áreas protegidas deste Estado somam, atualmente, cerca de 78.775.133,107 hectares de florestas do trópico úmido, distribuídas entre unidades de conservação federal, unidades de conservação estadual e terras indígenas, correspondentes a cerca de 52% do território total deste Estado (dados da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, 2006); áreas que têm se ampliado com a criação de novas reservas estaduais.

É um patrimônio do povo brasileiro que tem exigido alto investimento do Estado do Amazonas para sua conservação e integridade ecológica com inclusão social e geração de renda, e que demanda maior participação financeira do governo federal e de parceiros internacionais envolvidos com a conservação do planeta. Ações que precisam ser incorporadas às políticas públicas do Estado do Amazonas e direcionadas para a melhoria da qualidade de vida das populações regionais em forma sustentável.
O IPCC (2007) afirma que cerca de 20 a 22% (1,0 a 1,2 bilhão de toneladas) das emissões globais efetivas de carbono estocadas na atmosfera terrestre são originadas de queimadas e dos usos do solo. Os especialistas identificam a Amazônia pan-americana, a África central, e o sudeste da Ásia como as regiões que lideram estas emissões; equivocadamente e na mesma proporção de seus interesses, consideram as taxas de desmatamento da Amazônia como cenário de referência para o Estado do Amazonas, confundindo e comprometendo a dinâmica dos processos sócio-econômicos em curso neste Estado.

Desde 2002, o governo deste Estado tem construído inúmeras iniciativas centradas na melhoria de qualidade de vida das populações endógenas e no compromisso com a preservação e conservação ecológica da região. Destaque para as Políticas Florestais nas Unidades de Conservação Públicas e Privadas tendo como foco central: a conservação florestal, os sistemas agroflorestais, as plantações florestais e o manejo florestal. Ênfase para a manutenção da estabilidade dos ciclos biogeoquímicos, em especial o ciclo do carbono (fixação de carbono), ciclo hidrológico (conservação e uso social da água), ciclo do nitrogênio (processos de ciclagem e reciclagem); usos e conservação da biodiversidade e das estruturas mecânicas, arquiteturas e belezas cênicas dos biomas amazônicos. Ações que se encontram articuladas com vários programas de pesquisa centrados em demandas regionais e mundiais, como: populações e ecossistemas e amazônicos, e, física e química e modelagem atmosférica tropical; dinâmica da biomassa vegetal e planejamento da conservação dos ecossistemas; dinâmica e efeitos das mudanças de uso da terra na Amazônia; variações climáticas e emissões de gases traços na Amazônia, tecnologias aplicadas aos trópicos úmidos, e, processos de interação biosfera-atmosfera (Freitas, 2003; Manzi et al., 2006), dentre outros; ampla parcela deles fomentados pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas.

Educação superior, ciência e tecnologia têm sido utilizados no Estado do Amazonas, também, para dar concretude técnica e política á noção de sustentabilidade; o governador Eduardo Braga concebe e constrói um projeto político assentado numa revolução científica e tecnológica que incorpora as inovações tecnológicas contemporâneas integrando-as ás complexas características sócio-ecológicas da região e direcionando-o para o bem estar das populações regionais. Saúde, educação, habitação, transporte, …, e economia sustentáveis constituem dimensões deste empreendimento político.

Portanto, a preservação ambiental no Estado do Amazonas constitui um processo construído pelo Estado e seus municípios, principalmente, pela suas populações originárias que secularmente resistiram à implantação dos grandes projetos predatórios na região, empreendimento que assegurou ao Estado do Amazonas a posição de principal sorvedouro terrestre mundial de dióxido de carbono com uma contribuição importante para o resfriamento do planeta. Importância que se reafirma à medida que a matriz industrial deste Estado é de natureza não-poluente, á exceção de sua pequena frota automobilística que conta com pouco mais de 320 mil carros movidos à combustível fóssil em uma malha rodoviária, majoritariamente, restrita aos centros urbanos de seus 62 municípios (dados de 2005, citação in: Proposta da SDS/AM, junho de 2006).

O Pólo Industrial de Manaus (PIM) com mais de 500 indústrias, nacionais e transnacionais, e de abrangência em toda Amazônia ocidental, constitui, atualmente, uma matriz científica e tecnológica sofisticada. Também, de natureza não-poluente, este Pólo gera mais de 105 mil empregos diretos (dados do final de 2005) e encontra-se em pleno processo de expansão física e econômica.

Os principais focos do PIM são as indústrias elétrico-eletrônica, informática, automotora (duas rodas), alimentação e fito-fármacos com uma pauta de exportação que atinge mais de 30 países.

Diversos empreendimentos petroquímicos encontram-se em processo de implantação neste Pólo com impactos na mudança de toda matriz energética da Amazônia ocidental. Destaque especial para os processos de formação, organização, implantação e desenvolvimento de empreendimentos associados à construção de uma matriz biotecnológica acoplada á bioindústria em pleno processo de expansão nesta região.
O faturamento global do PIM superou o montante de US$ 18 bilhões em 2005 (Amazonas em Tempo, 05.01.2006, p. A7), com um crescimento em cerca de 33% em comparação a 2004 quando o faturamento foi de US$ 13,9 bilhões, atingindo pouco mais de US$22 bilhões durante 2006.

O Estado do Amazonas possui atualmente mais de 27 instituições de ensino superior, públicas e privadas, com uma população universitária que ultrapassa 100 mil alunos universitários e em um acelerado processo de institucionalização de programas de pós-graduação. Ações centradas nas características culturais e ecológicas da região e também voltadas para a construção de modelos de desenvolvimento integrados e compatíveis com a importância de sua inserção geopolítica, em âmbito nacional e internacional.

O macro-cenário referente ao desenvolvimento econômico e humano com preservação ambiental do Estado do Amazonas, representa enorme esforço e custo sócio-econômico para as comunidades endógenas e para o poder público; empreendimento que precisa ser compartilhado economicamente entre todos aqueles que usufruem dos benefícios dos serviços ambientais gerados pelos biomas amazônicos, da escala regional à planetária (idem, Proposta da SDS/AM, junho de 2006).

A abrangência deste empreendimento abarca questões do tipo: Como se dará a colaboração internacional no Estado do Amazonas nesta Era de sustentabilidade? Como conciliar a preservação ecológica da Amazônia com os interesses de suas populações? Qual é o grau de importância da Amazônia para os processos ecológicos mundiais? Como operacionalizar estratégias políticas que impeçam que o processo de naturalização dos processos sociais destrua as culturas nativas da Amazônia? Como articular os modelos de desenvolvimento sustentável em curso no Estado do Amazonas com os interesses de um mercado nacional e internacional não-sustentável, tendo como eixo central a melhoria de qualidade de vida de suas populações? Estas são questões complexas de interesse regional, nacional e mundial que precisam ser resolvidas em curto prazo.

A reafirmação técnica pelo IPCC, de tendência de desestabilização ecológica do planeta com conseqüências imprevisíveis no processo de perenização da espécie humana no planeta, põe elementos novos aos fundamentos do processo civilizatório mundial. A conclusão final destes especialistas das ciências da natureza, ao remeterem às soluções do problema de desestabilização termodinâmica do planeta para a instância política coloca novas possibilidades e responsabilidades para os (as): políticos, empresários, cientistas; formuladores e gestores de políticas públicas; matrizes dos processos educacionais, em todos os níveis, do pré-escolar aos estudos avançados; formadores de opinião; e, principalmente, para o cidadão comum.

A questão-central posta pelos especialistas no IPCC resume-se à seguinte indagação: O sistema climático terrestre continua se aquecendo? Quais são as conseqüências sócio-econômicas desta constatação?

Estas são questões que articulam interesses locais e planetários e que se desdobram na necessidade de reinvenção e reconstrução dos modelos de desenvolvimento econômico, alicerçados em outras matrizes industriais e energéticas e comprometidos com um estilo de vida mais solidário e menos consumista.

Estes mesmos especialistas [do IPCC] relatam que, sob o ponto de vista científico, ainda não existem respostas definitivas sobre a taxa de aquecimento terrestre nem sobre o desdobramento deste efeito em nossas vidas durante o século 21; entretanto alertam sobre a gravidade desta questão ecológica que enquanto tendência põe em risco a perenidade da espécie humana no planeta e que envolve mecanismos complexos e decisões de caráter eminentemente políticas. Os registros e os alertas do IPCC constituem uma memória histórica e uma referência emblemática sobre a necessidade e nos modelos de desenvolvimento econômico em curso.

Os processos de modelagem e controle analítico e empírico do IPCC apresentam diversos indicadores de tendência de desestabilização climática do planeta, com destaque para: crescimento do estoque de gases-traço na atmosfera, em especial do dióxido de carbono, do metano e dos óxidos de nitrogênio, intensificando o efeito estufa; a fusão das camadas de neve em superfícies terrestres e do gelo das calotas polares, com o aumento e crescimento do número de lagos glaciais; a elevação dos níveis médios dos oceanos em cerca de 17cm no século 20; e, mudanças nos padrões de vários fenômenos e ciclos da natureza. Enfatizam também as possibilidades reais de variações nos índices pluviométricos, nos graus de salinidade e de acidez (prevê-se uma diminuição de 0,14 a 0,35 unidades no pH) dos oceanos, nas cadeias da flora e da fauna dos oceanos, na intensidade de ciclones e tornados tropicais, nos padrões de vento e de circulação atmosféricas, dentre outras secundárias.

O IPCC ressalta que as projeções analíticas dos modelos meteorológicos indicam que: uma duplicação de concentração de CO2 resultará num, provável, aumento de 3 0C e não menos que 1,5 0C; a eliminação completa da lâmina de gelo da Groelândia resultará numa elevação do nível do mar em 7 metros; o aquecimento planetário tende a reduzir a captura e/ou o seqüestro de CO2 aumentando o estoque deste composto na atmosfera e, portanto, retro-alimentando e agravando o efeito-estufa; possibilidade de aumento de freqüência de eventos climáticos extremos, noites e dias mais quentes e frios; chuvas mais intensas, ciclones e tornados tropicais mais intensos.

As projeções também indicam que a emissão anual de carbono fóssil aumentou de uma média de 6,4 GtC/ano (1 GtC = 1 Giga-tonelada de Carbono = 1 bilhão de toneladas de Carbono)  na década de 1990 para 7,2 GtC/ano no período de 2000-2005, sendo que 97% do CO2 emitido pelos países ocidentais industrializados é proveniente da queima de combustíveis fósseis, para atender as necessidades sociais de 25% da população mundial dessas nações que consume cerca de 80% da energia produzida no planeta (dados da década de 90) e cerca de 86% do consumo privado total do planeta.

E com um agravante: as concentrações de outros gases-estufa crescem rapidamente na atmosfera terrestre. Os principais gases-estufa são o(s): CO2 (CO2 – 50%; queima de combustíveis fósseis), CH4 (CH4 – 15%; processos agrícolas e uso de combustíveis fósseis), vapor de água (10%), ozônio (O3 – 9%), clorofluorcarbonetos (CFCs – 8%; sistemas de refrigeração e de aerossóis – sprays), N2O  (N2O – 6%; mais de 1/3 de todas as emissões é de origem agrícola) dentre outros de menor relevância.

Os registros também mostram que, majoritariamente, as principais fontes primárias de emissões de carbono de distribuem através de: 1) uso de combustíveis fósseis (carvão, gás, gasolina e óleo) – com uma contribuição em cerca de 5,8-6,0 bilhões de toneladas carbono – destinado ao aquecimento residencial e setor de serviços (15%); transporte (27%); energia industrial em geral (57%) e outros (1%); 2) uso da terra (desmatamento, derrubada de florestas, setor agropecuário) com uma contribuição em cerca de 1,2-1,6 bilhão de tonelada de carbono. O IPCC afirma que ainda existe uma grande incerteza nesta última estimativa que corresponde cerca de 20-22% da emissão total de carbono.

Os registros confirmam que os países que mais contribuem para o aquecimento do planeta são: Estados Unidos (27%); Federação Russa (13%); Japão (6,4%); e, Alemanha (5,5 %) (dados de 1999), o que mostra a correlação entre os maiores Produtos Internos Brutos (PIB’s) mundiais e a quantidade de carbono emitido e estocado na atmosfera terrestre,[1] pondo responsabilidades e compromissos diferenciados para esses países.

O IPCC expõe também diversas dificuldades técnicas que contribuem para o grau de incerteza nos experimentos e medidas do ciclo de carbono. Destaque para: observar, avaliar e simular variações climáticas em pequenas escalas, nestas dimensões a variabilidade climática pode ser maior que a provocada por agentes externos, o que dificulta sua identificação e caracterização; dificuldade de precisão analítica e instrumental dificultando as medidas mais sensíveis; dificuldade adicional em construir e projetar taxas de emissões seguras, exatas considerando que estes fatores dependem de políticas públicas e de compromissos políticos nacionais e internacionais; ampliar parcerias interinstitucionais para construir bancos de dados, sistemas de observações e  monitoramento, construir políticas públicas apropriadas, plataformas tecnológicas e redes científicas locais, regionais, nacionais e internacionais; construir estratégias para revitalizar as áreas mais vulneráveis.

Dificuldade também em se construir um diálogo e em se estabelecer mecanismos operacionais focados na estabilização das emissões, com o setor produtivo, em especial com os grupos que controlam o setor energético.

O IPCC reafirma que a vulnerabilidade sócio-econômica futura de um país pode vir a depender dos impactos das variações climáticas, mas depende essencialmente do tipo de desenvolvimento que ele escolher; ele emblematiza o desenvolvimento sustentável reforçando a necessidade de se privilegiar as culturas regionais, o planejamento integrado, o uso da terra e dos ecossistemas integrado às potencialidades regionais e ao conhecimento tradicional, a implantação de mecanismos preventivos às  catástrofes naturais, a implantação de plataformas tecnológicas e cadeias científicas ancoradas em informações que privilegiem as dimensões humanas integradas aos processos da natureza, e o uso de múltiplas fontes energéticas.

Em forma tópica o IPCC sugere, como fator de inibição de emissões, uma drástica valoração dos comodities de carbono (em 2005 a tC foi estimada como valendo US$43 que corresponde a US$12 por tCO2). Estes valores seriam imediatamente elevados para US$350 por tC que corresponde a US$130 por tCO2. Em médio e longo prazo os cenários termodinâmicos projetados pelo IPCC reafirmam a necessidade de se criar uma nova matriz industrial.

Ainda segundo o IPCC, os diversos cenários de emissões de gases-traço previstos pelos modelos meteorológicos possuem várias características comuns, em especial a(o): elevação da temperatura da terra com grandes impactos na sócio-economia mundial, do local ao mundial; crescimento populacional até a metade do século 21, fortalecimento de modelos econômicos focados no desenvolvimento regional e/ou no privilegiamento de processos mundiais; forte incorporação de inovações científicas e tecnológicas aos processos produtivos privilegiando a busca de fontes de energia não-poluentes; construção de políticas de proteção ambiental ancoradas na noção de sustentabilidade sócio-econômica e ecológica; modificação de ciclos vitais para a manutenção da vida, ciclo hidrológico, ciclo de calor; e tendência à intensificação do processo de pauperização do mundo.

O IPCC também discrimina, ainda que em forma muito fragmentada, os cenários virtuais associados aos prováveis impactos do aquecimento planetário nos processos produtivos, nos continentes, nas regiões e nos ecossistemas.

Para uma elevação de temperatura de 1,5 – 2,5 0C prevê-se: a extinção de várias espécies vegetais e animais e modificações estruturantes na arquitetura, estrutura mecânica e dinâmica ecológica dos ecossistemas terrestres; impactos negativos na matriz agrícola regional e mundial afetando a cadeia alimentar, a disponibilidade dos produtos agro-florestais, a geografia e a dinâmica sócio-econômica das regiões localizadas nas costas e nas áreas-baixas, e também os sistemas de atendimento e prevenção de saúde pública.

O processo de aquecimento do planeta também põe a possibilidade factível de savanização dos biomas amazônicos, impactando diretamente 08 países que compõem a Amazônia panamericana e mais de 250 culturas endógenas diferentes pondo em risco a sobrevivência da maior floresta tropical úmida do planeta. O governo do Estado do Amazonas já mostrou que é possível administrar este importante estado brasileiro gerando renda com preservação ambiental e mitigando as fontes emissoras de gases-estufa.
O Estado do Amazonas, Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), Políticas Públicas na Amazônia e o Futuro do Planeta constituem dimensões políticas reais e simbólicas de uma gênesis que tem como missão a construção de estratégias, processos e estruturas voltadas para a perenidade humana no planeta e a melhoria de qualidade de vida dos cidadões.

Navegação e habitação nos trópicos, etnociências, doenças tropicais, matriz energética não-poluidora, definição de matrizes ocupacionais e preservação dos ecossistemas amazônicos, serviços ambientais; consolidação de redes meteorológicas, mudanças climáticas, monitoramento e segurança do território, recursos hídricos, recursos minerais, ciclos biogeoquímicos com ênfase aos ciclos hidrológico, de carbono, de nitrogênio e de fósforo, minerais essenciais, manejo florestal, fruticultura e psicultura, bioindústria, engenharia naval, dentre outros, constituem focos de interesse institucionais que se encontram na agenda científica em curso no Estado do Amazonas, e que já possuem resultados positivos que estão sendo incorporados, em diferentes intensidades, às Políticas Públicas.  A progressiva demanda e integração de setores produtivos associados à bioindústria, à biotecnologia e à bioinformática com o desenvolvimento de pesquisa avançada no campo da biologia molecular com as áreas de bioprospecção, biodiversidade e biomassa junto aos setores produtivos, caracterizados como plataformas tecnológicas de fitofármacos, fitoterápicos, fitocosméticos e alimentação (Silva Freitas, 2005, p. 18) pòe novos desafios e perspectivas positivas para a construção de um futuro mais justo e altero para os povos do Estado do Amazonas.

Referências bibliográficas

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Corrêa da Silva, Marilene. “Metamorfoses da Amazônia”; Campinas, UNICAMP. Tese de Doutorado; 1997.

Corrêa da Silva, Marilene (2002) Metamorfoses da Amazônia, EDUA, Manaus.
Freitas, M.; Freitas Silva, M., C.; Barros, M. (2007) Diálogos com a Amazônia; Editora Valer, Manaus, AM. (em processo de editoração)

Freitas, M. (2006) Projeções estéticas da Amazônia: um olhar para o futuro; Editora Valer, Manaus.

Freitas, M. em colaboração com Castro Jr., W., E. (2004) Amazônia e desenvolvimento sustentável: um diálogo que todos brasileiros deveriam conhecer; Editora Vozes, Petrópolis, RJ.

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Manzi, A., O. ; Luizão, F. (2006) Projeto de criação do Programa de Doutorado e Mestrado ‘Clima e Ambiente’ aprovado pela CAPES / MEC em 2006.

Unesco, (2005) Em direção às sociedades do saber, Unesco, Paris.

Viana, V. (2006) Proposta para Criação de um Programa para Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) por Desmatamento e Prestação de Serviços Ambientais nos Municípios do Sul do Estado do Amazonas de autoria da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, encaminhada ao CESTU em 26/07/2006.

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[1] O Brasil emite atualmente cerca de 70 milhões de toneladas de CO2 por ano (cerca de 1% das emissões mundiais), sem a inclusão das contribuições originadas de queimadas (dados de 2005).

foto_col_5589.jpg  Para cada pessoa viver, é necessário uma pegada ecológica média geral (2,8 hectares). Mas Europa, EUA, Japão, Índia e China vivem muito acima daquilo que lhes é permitido por seus recursos ecológicos, com uma pegada que chega a 600%. O Planeta suportará?

Quanto aguenta a Terra em sua generosidade ao nos forncecer todas as
condições para que possamos viver, nos reproduzir e coevoluir? Não só nós
mas toda a comunidade de vida que vai das bactérias aos vegetais e animais?

Ela é um planeta pequeno, finito em seus recursos e já velho. Temos que
viver dentro das capacidades de fornecimento e de reposição, próprios da
Terra e não ao nosso bel prazer. A espécie homo sapiens/demens ocupou 83% do planeta e consumiu excessivamente a ponto de a Terra já ter ultrapassado em 25% sua capacidade de recarga. A seguir esta lógica, o planeta quebra como qualquer empresa que gasta mais do que ganha.

Como todos extraem da Terra seus recursos para viver, quanto de chão cada um precisa para garantir sua sobrevivência? Quanto de terra produtiva, áre aflorestal, energia, habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita? A esse conjunto de fatores ecológicos e sociais se chama de pegada ecológica e social, expressão cunhada por Martin Rees e Mathis Wackernagel ao fazerem um estudo sobre o tema para o Conselho da Terra em 1977. Eles tomaram como referência de cálculo o número de hectares necessários para que cada um, cada cidade e cada pais possam viver de forma minimamente decente. O planeta dispõe de 10,8 bilhões de hectares produtivos que é menos que 25% de sua superfície.

Para cada pessoa viver fazem-se necessários pelo menos 2,8 hectares. Esta seria a pegada ecológica média geral.

Como 18% da humanidade consome 80% dos recursos vitais e os hábitos de consumo variam consoante as regiões e as culturas, varia também a
porcentagem de hectares per capita usados. Assim a Europa, os Estados
Unidos, o Japão, a Índia e a China vivem muito acima daquilo que lhes é
permitido por seus recursos ecológicos, com uma pegada que vai de 200% até 600% (é o caso do Japão) de sua biocapacidade nacional. Isto significa que se uma região se apropria de mais hectares para manter seu alto nível de consumo (Norte), a outra deverá forçosamente ocupar menos (Sul). Em outras palavras, o consumo alto de um pais ou região comporta um subconsumo baixo no outro. Por aí se entende a profunda falta de equidade na repartição dos bens e o caráter desigual de todo o processo de produção e consumo mundial.

A biocapacidade total do território brasileiro é de 18.615.000 pontos. A
pegada ecológico-social brasileira é de 2,6 hectares. Nossa biocapacidade
excede tanto a nossa demanda que o Brasil poderia ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. Mas nos paises notam-se profundas
diferenças. Enquanto um habitante de Bengladesh possui uma pegada de 0,5 hectares, a de uma norte-americano é de 9,6. Em outras palavras, se todos os habitantes da Terra tivessem o nível de consumo norte-americano,
precisaríamos de três Terras semelhantes a nossa para garantirmos os
recursos energéticos e materiais suficientes. Vivemos, pois, sem nenhuma
humanidade e solidariedade. Por isso esse modo de viver é totalmente
insustentável e pode levar ecologicamente a Terra a um colapso.

O ideal que a Carta da Terra propõe para todos é um “modo sustentável de
viver”: produzir em consonância com os sistemas vivos, contendo nossa
voracidade e dando tempo para que a Terra se regenere e continue a oferecer a nós e à comunidade de vida tudo o que todos precisam.

(*) Leonardo Boff é teólogo e escritor

Para além dos “velhos” países europeus que protagonizaram o colonialismo, a partilha do século XXI inclui os EUA, a China, países “emergentes” como e Brasil, Índia e mesmo um país africano, a África do Sul. A luta agora se centra no petróleo.

Tudo leva a crer que estejamos perante uma nova partilha de África. A do final do século XIX foi protagonizada pelos países europeus em busca de matérias-primas que sustentassem o desenvolvimento capitalista e tomou a forma de dominação colonial. A do início do século XXI tem um conjunto de protagonistas mais amplo e ocorre através de relações bilaterais entre países independentes. Para além dos “velhos” países europeus, a partilha inclui agora os EUA, a China, outros países “emergentes” (Índia, Brasil, Israel, etc.) e mesmo um país africano, a África do Sul. Mas a luta continua a ser por recursos naturais (desta vez, sobretudo petróleo) e continua a ser musculada, com componentes econômicos, diplomáticos e militares. Tragicamente, tal como antes, é bem possível que a grande maioria dos povos africanos pouco beneficie da exploração escandalosamente lucrativa dos seus recursos.

Os EUA importam hoje mais petróleo de África do que da Arábia Saudita e calcula-se que em 2015 25% venha do continente. Angola é já o segundo maior exportador africano para os EUA (depois da Nigéria). Por sua vez, a China faz vastíssimos investimentos em África, os maiores dos quais em Angola que, no ano passado, se tornou o maior fornecedor de petróleo à China. E o comércio bilateral entre os dois países ultrapassou os 5 bilhões de dólares. Entretanto, as empresas multinacionais sul-africanas expandem-se agressivamente no continente nas áreas da energia, telecomunicações, construção, comércio e turismo. Ao contrário do que se poderia esperar de um governo do Congresso Nacional Africano (ANC) de Nelson Mandela, não as move o pan-africanismo. Move-as o capitalismo neoliberal puro e duro, imitando bem as concorrentes do Norte.

A primeira partilha de África conduziu à Primeira Guerra Mundial e submeteu o continente a um colonialismo predador. E a atual? A luta agora se centra no petróleo e na distribuição dos rendimentos do petróleo. Uma visita breve a Luanda é suficiente para avaliar da vertigem da construção civil a cargo de empresas chinesas, portuguesas e brasileiras, da selva urbana do trânsito, dos luxuosos condomínios fechados, alugados às empresas petrolíferas, da lotação dos hotéis esgotada com meses de antecedência, enfim, da palavra “negócio” e “empresa” na boca de toda a gente que tem um veículo de tração às quatro rodas ou aspira tê-lo.

Nada disto chocaria, sobretudo num país só há trinta anos libertado do colonialismo, devastado por uma guerra fratricida fomentada pela África do Sul do apartheid e depois financiada pelos amigos de hoje até estes se convencerem de que a paz poderia ser um bom negócio, um país com carências abissais de infra-estruturas sem as quais não será possível qualquer desenvolvimento. O que choca é que, paredes meias com o mundo da renda petrolífera, viva a grande maioria da população de Luanda na mais abjeta miséria dos musseques em barracas de zinco e cartão, sem luz nem saneamento, pagando caro pela água potável, com lixeiras e esgotos pestilentos servindo de recreio às crianças cuja mortalidade é das mais altas do continente.

(*) Boaventura de Sousa Santos  é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

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