Fevereiro 2007


Opinião
Adelto Gonçalves
20/02/2007 08:02:8

Como se sabe, não há como estabelecer uma percentagem na quantidade de sangue para se definir se alguém nascido mestiço pode se considerar negro, indígena ou branco. Portanto, a escolha fica ao livre-arbítrio de quem tem no corpo sangue de vários ascendentes, independente da cor da pele. Esse é o critério que se vem levando em conta nas universidades públicas brasileiras para se estabelecer quem é ou não negro e pretende usufruir o sistema de cota que dá direito ao ingresso. É claro que isso, às vezes, causa confusão ou mesmo indignação a quem, trazendo a pele mais escura, é obrigado, por força das circunstâncias, a custear os seus próprios estudos em universidades privadas. Sem contar os que se consideram brancos e são pobres e igualmente não têm acesso à universidade.
Seja como for, a verdade é que mestiços, historicamente, não são nem uma coisa nem outra. São mestiços. E pronto. Ainda há pouco tempo, um escritor moçambicano escrevia-me para dizer que, para ele e muitos dos seus pares, o Brasil era um “caso perdido”. Ou seja, a africanidade aqui já se havia perdido por causa da intensa miscigenação. Questão de ponto de vista. Nem o Brasil é, hoje, uma nação negra nem é um país de brancos. É um país miscigenado. Nascido da convivência (nem sempre pacífica) entre brancos europeus, negros e indígenas. Sem contar os asiáticos e os oriundos do Médio Oriente e os seus descendentes, que já não são poucos. E outros tantos europeus de regiões diversas. Já era, portanto, um país globalizado, antes mesmo desta palavra ter virado moda.
A quê vêm estas reflexões? É que, recentemente, por gentileza do professor J. Cândido Martins, da Universidade de Braga, recebi o livro Colóquio de Outono: Estudos de tradução/Estudos pós-coloniais, organizado por Ana Gabriela Macedo e Maria Eduarda Keating, do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Entre 18 outros textos de primeira grandeza, o volume traz o ensaio “Traddutora,Traditora? Tradução, mestiçagem e multiculturalismo no feminino” em que o professor Fernando Ferreira-Alves, da Universidade do Minho, destaca o papel de mulheres indígenas na história da colonização do Novo Mundo.
Por norma, os tradutores/intérpretes que seguiam nas naus eram homens. Afinal, mulheres sempre foram raras nas naus, como mostra Fina D´Armada em Mulheres Navegantes: no tempo de Vasco da Gama (Lisboa, Ésquilo, 2006). Mas houve muitas que tiveram participação decisiva naquilo que se denominaria de conquistas. Ferreira-Alves relaciona várias, desde Dona Mécia, filha do governador da fortaleza portuguesa de Santa Cruz de Cabo Gué, actual Marrocos, que, em 1541, desempenhou papel importante como intermediária entre os mundos português e muçulmano, até a mais famosa de todas, Doña Mariana ou La Malinche, intérprete de Cortez durante a conquista do México.
Na colonização do Brasil, diz Ferreira-Alves, é, praticamente, impossível detectar uma ou mais figuras femininas que tenham tido força idêntica e carisma como La Malinche, embora haja relatos de vários exemplos de mulheres que mediaram as relações entre índios e portugueses e entre as colónias costeiras portuguesas e as nações indígenas que viviam no sertão. Lembra, porém, que há pelo menos um caso de uma indígena em toda a literatura histórica do período colonial que preenche claramente o modelo do agente ou intermediário transacional.
Trata-se da Paraguaçu, mulher índia de Diogo Álvares Correia, o famoso Caramuru, fidalgo da Casa Real de D.João III, homem influente e poderoso que naufragou nas costas na Bahia de Todos os Santos, por volta de 1510 e, que, depois, seria imortalizado no famoso poema de José de Santa Rita Durão, de 1781. Paraguaçu, filha do chefe Taparica, da tribo dos tupinambás, atravessou o Atlântico com Diogo Álvares Correia e, inclusive, foi batizada Catarina do Brasil em Saint-Malo, na Bretanha, em 1528.
Ferreira-Alves cita também João Ramalho, degredado português que, no século XVI, no Planalto paulista, casou com Bartira, filha do cacique Tibiriçá, da tribo tupiniquim. António Rodrigues, outro degredado, casou com uma filha do chefe Piquerobi. Especula-se que Bartira, a exemplo da Paraguaçu, tenha tido participação decisiva na atuação de João Ramalho como intérprete em suas relações com os indígenas. Depois, João Ramalho haveria de ajudar os demais portugueses que chegariam com Martim Afonso de Sousa a São Vicente e subiriam a íngreme Serra do Mar.
O ensaísta não esqueceu de Maria do Espírito Santo Arco Verde, filha do chefe Arco Verde, que se relacionou com Jerónimo de Albuquerque, cunhado do donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho. M´Uiráuby, o seu nome indígena de princesa tabajara, teria participação decisiva numa determinada ocasião, salvando a pele do futuro marido. Albuquerque, em Janeiro de 1548, caíra derrotado nas mãos de indígenas que o condenaram ao sacrifício. Teria sido comido pelos canibais, não tivesse a princesa indígena apaixonado-se por ele, conseguindo do pai o perdão para o inimigo.
Todas essas mulheres - indígenas ou mamelucas - tiveram actuação mais importante como intermediárias do que as mulheres europeias, acabando mesmo por ocupar o seu lugar. Até porque, dificilmente, mesmo os homens de poder - os altos funcionários régios -, até os finais do século XVIII, levavam na sua companhia as esposas, que, a rigor, ficavam na metrópole para cuidar dos filhos e dos demais interesses da família. Sem contar que subir a Serra do Mar ou seguir para os cafundós de Goiás, Mato Grosso e outras capitanias de canoa por rios cheios de corredeiras seria tarefa quase impossível para uma mulher branca criada na corte.
Outra daquelas mulheres que funcionaram como intérprete entre os dois mundos - e que não consta do ensaio de Ferreira-Alves - é Damiana da Cunha Meneses, tida como heroína e catequista para os brancos, líder dos caiapós no território que se estende hoje do Triângulo Mineiro ao Mato Grosso, no século XVIII. Sobre Damiana acaba de sair o excelente romance Guerra no Coração do Cerrado, de Maria José Silveira, goiana que mora em São Paulo desde 1985, formada em Comunicação pela Universidade de Brasília e em Antropologia pela Universidade Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, Peru, e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo.
Depois de ter escrito, entre outros livros, Eleanor Marx, filha de Karl (2002) e O fantasma de Luis Buñuel (2005), obras fartamente elogiadas pela crítica, Maria José Silveira faz não a biografia de Damiana da Cunha Meneses, mas um romance, já que os dados etnográficos e históricos disponíveis são exíguos e não permitem chegar à que seria a verdadeira história dessa índia que foi baptizada por Luís da Cunha Meneses, governador e capitão-general de Goiás de 1778 a 1783. Esse Cunha Meneses é o mesmo que inspiraria o poeta Tomás António Gonzaga (1744-1810), nascido no Porto, a escrever as Cartas chilenas, chamando-o jocosamente de Fanfarrão Minésio num relato em versos de possíveis patifarias que teriam ocorrido no seu governo à frente da capitania de Minas Gerais, mais precisamente em Vila Rica.
Cunha Meneses foi um dos governadores que viajaram solteiros para a América portuguesa e que, portanto, teria se aproveitado da situação de mando para se envolver com muitas mulheres da terra. Só haveria de casar ao retornar ao Reino, em 1788, quarentão e ainda solteirão, com a viúva de seu irmão, Manuel Inácio, o mais velho dos irmãos Cunha Meneses, que assumira o governo da capitania da Bahia ao mesmo tempo em que Luís assumira o de Goiás. A sua mulher era herdeira única dos condes de Lumiares e dos de Vimeiro e, depois, viraria camareira-mor de dona Maria I. A levar-se em conta o que diz em versos Critilo, alter ego de Gonzaga nas Cartas chilenas, Luís da Cunha Meneses seria famoso por promover festas de arromba no Palácio dos Governadores, em Vila Rica.
De sua passagem por Vila Boa, a capital da capitania de Goiás, parece que não restaram muitos relatos desabonadores. É claro que Cunha Meneses deve ter tido um grande número de amásias, mas sequer se especula que Damiana fosse filha sua com alguma indígena. Oficialmente, ele aparece como padrinho da menina, que viveria na sua companhia no palácio até a sua transferência para Minas Gerais.
Neta do cacique Angraíocha, Damiana ficaria sob a responsabilidade de Cunha Meneses, que tratou de cuidar da sua educação a fim de dar uma demonstração dos seus bons propósitos em relação ao povo caiapó. Na verdade, Damiana funcionou como moeda de troca: enquanto a tivesse ao seu lado, Cunha Meneses imaginava que teria a garantia de paz com os caiapós.
Observa Maria José Silveira no romance que Damiana viveria no palácio “bem tratada por alguns, ignorada por muitos, desprezada pela maioria e temida por um ou outro”, aprendendo “a língua e as maneiras do homem branco”. O que teria sido a vida de Damiana depois da ida de Cunha Meneses para Minas Gerais é o que a ficção de Maria José procura reconstruir, relatando as expedições de que ela teria participado e a sua actuação como intérprete de mundos totalmente opostos no meio a numerosas revoltas do seu povo contra o avanço dos invasores - não só brancos, mas, principalmente, negros, pardos, mamelucos, cafuzos, cabras e toda a variedade de nomes que a população brasileira deu aos miscigenados. Damiana teria morrido mais ou menos aos 56 anos e, segundo a historiografia oficial, teria sido “sepultada na igreja local como heroína brasileira”.
Vê-se por aqui que não deve ter sido fácil a vida dessas mu-lheres - muitas vezes, consideradas traidoras de seu povo. E, outras vezes, exaltadas pela historiografia oficial e condenadas pelos revisionistas. Situação semelhante viveram as miscigenadas, sem saber ao certo a que mundo pertenciam - ao mundo dos da terra ou ao do branco invasor ou ao do negro invasor forçado.

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GUERRA NO CORAÇÃO DO CERRADO, de Maria José Silveira. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006, 262 págs. E-maiL: record@record.com.br

COLÓQUIO DE OUTONO: Estudos de tradução - Estudos pós-coloniais, de Ana Gabriela Macedo e Maria Eduarda Keating (organizadoras). Braga: Centro de Estudos Humanísticos/Universidade do Minho, 2005, 262 págs.

A demanda global por milho para a fabricação de álcool combustível está ajudando a provocar uma “revolução” nos preços internacionais de terra cultivável, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal International Herald Tribune.

“Terras agriculturáveis do Iowa à Argentina estão aumentando em preço mais rapidamente que imóveis em Manhattan e Londres pela primeira vez em 30 anos”, diz a reportagem do jornal, publicado internacionalmente pelo americano The New York Times.

“A demanda por milho usado no etanol aumentou o valor da terra em 16% em Indiana e 35% em Idaho, segundo mostram dados do governo”, relata o texto.

O jornal observa que “a demanda por milho usado na produção de etanol teve uma ajuda do presidente George W. Bush no mês passado, quando ele prometeu um aumento de cinco vezes no uso de combustíveis de fontes renováveis até 2017”.

“Para atender à meta de Bush, serão necessários 12,5 bilhões de alqueires de milho, 19% mais do que foi cultivado no ano passado nos Estados Unidos, o maior produtor mundial”, diz o jornal.

Segundo a reportagem, além da crescente demanda, os preços da terra também vêm sendo pressionados por uma redução na quantidade de terra disponível para plantações.

“Cerca de 5 milhões a 8 milhões de hectares do total de 1,5 bilhão de hectares mundiais de terra agriculturável são abandonados a cada ano por causa da deterioração de qualidade, segundo o Worldwatch Institute, de Washington”, observa o jornal.

Copa de 2018

A Federação de Futebol dos Estados Unidos pretende lançar sua candidatura a abrigar a Copa do Mundo de 2018, mas não descarta organizar a Copa de 2014, caso o Brasil, mais forte candidato, não consiga se preparar a tempo, segundo afirma reportagem publicada pelo diário The Washington Post.

Segundo o jornal, a federação espera “trazer ao país o torneio quadrienal pela primeira vez em 24 anos, além de posicionar o país para abrigar a competição de 2014 caso um país da América do Sul não esteja pronto”.

A reportagem observa que, pelo esquema de rotação previsto pela Fifa, a entidade que comanda o futebol mundial, um país sul-americano deve abrigar a Copa de 2014, com Brasil e Colômbia tendo anunciado interesse, mas que o presidente da entidade, Joseph Blatter, “deixou aberta a possibilidade de escolher outro país” caso não haja um candidato com capacidade para organizar o torneio.

Segundo o jornal, o México, que já organizou as Copas de 1970 e 1986, também deve se candidatar à Copa de 2018 e estar preparado para organizar a de 2014.

O presidente da federação americana disse ao jornal que a entidade está se concentrando em 2018, não 2014, mas que “obviamente a Fifa sabe do que somos capazes e, se alguma coisa mudar, estaremos abertos a qualquer outra possibilidade”.

Promoção policial

A promoção da chefe policial Cressida Dick, que participou da operação que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em 2005, foi destaque no diário londrino Daily Mail nesta terça-feira.

Segundo o jornal, um mal-entendido durante a operação levou os policiais que acompanhavam Jean Charles a considerar que Cressida havia autorizado a aplicação da chamada “Operação Kratos”, a decisão de atirar para matar supostos homens-bomba.

A reportagem diz que, ao ser questionada pelos policiais que acompanhavam Jean Charles se autorizava a operação, Cressida teria dito “Apenas pare-o”.

Um assessor, ao seu lado, teria dito aos policiais que ela havia autorizado a Kratos. “Ela não o corrigiu – e o destino de Menezes foi selado”.

Segundo o jornal, a família de Jean Charles classificou como “desgraça” a promoção de Cressida.

in BBC

 

Cf. também:

mamona.jpg
Legenda: Mamona é uma das principais fontes de biodiesel

Países membros da União Européia decidem ter 10% de biocombustíveis até 2020

Bruxelas - Os 27 Estados-membros da União Europeia adoptaram quinta-feira (15), em Bruxelas, o objectivo de os veículos automóveis consumirem obrigatoriamente 10% de biocombustíveis até 2020.

A União Europeia (UE) decidiu também produzir a partir de fontes renováveis 20% do consumo bruto de energia até 2020, mas sem carácter obrigatório.

Portugal tem üm objectivo mais ambicioso”, segundo declarações do secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, Castro Guerra. O governo português pretende atingir 45%.

in Portugal Diário

 

Galp aprova este mês plano para comprar biodiesel pernambucano

Recife - A Galp deve aprovar até ao final deste mês o projeto para a aquisição de 600 mil toneladas por ano de biodiesel até 2015, tendo o Brasil e Angola como principais fornecedores. A companhia portuguesa assinou na última quarta-feira, no Porto, um acordo com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para formalizar a parceria.

O acordo foi comemorado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho. “Vai se prestigiar o plantio. Para atender essa demanda da Galp, é necessária uma produção de cerca de 1,8 milhões de toneladas de mamona ou pinhão manso, o que representa entre 70 e 80 mil hectares de área plantada. Para se ter uma idéia, Pernambuco possui hoje em dia aproximadamente cinco mil hectares destinados ao cultivo da mamona”, exemplifica. A demanda de biodiesel da Galp representa um negócio de cerca de R$ 1 bilhão/ano.

“É um projeto que vai impactar o Sertão e o Agreste, beneficiando os pequenos produtores, gente que vive da agricultura de base. O Governo do Estado vai dar todo o apoio para que eles tenham acesso ao crédito do Pronaf e eles poderão apresentar como garantia um contrato de compra de sua produção”, explica Bezerra Coelho. A expectativa é que o Estado já esteja exportando óleo vegetal e biocombustível no próximo ano.

Além da pauta do biocombustível, a Missão Pernambucana também discutiu com os executivos da Galp Energia a participação da empresa portuguesa no projeto do terminal de Gás GNL que será construído no Complexo Industrial Portuário de Suape. De acordo com o secretário Fernando Bezerra Coelho, os portugueses irão iniciar estudos sobre o tema e, na vinda da representação ao Estado, no dia 27 de março, trarão uma resposta definitiva sobre mais essa possibilidade de parceria.

A Galp pretende também explorar blocos de petróleo na bacia Pernambuco-Paraíba. Se confirmadas, essas operações serão viabilizadas pela subsidiária Petrogal.

A exploração petrolífera depende, entretanto, que os blocos da bacia Pernambuco-Paraíba sejam incluídos na 9ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que deve ocorrer neste ano. Para qualquer empresa obter concessão para explorar petróleo é necessário que a área faça parte da rodada de licitações da ANP. A bacia Pernambuco-Paraíba foi excluída em 2006, por estar não a 500 metros de profundidade, segundo parecer do Ibama - a área encontra-se entre 40 e 440 metros.

in Portugal Diário

O ex-vice-presidente norte-ame ricano Al Gore, arauto da luta contra o aquecimento global, anunciou hoje uma campanha mundial de sensibilização para este fenómeno com um concerto nos sete continentes baptizado «Live Earth» a 7 de Julho próximo.

Intitulado «SOS - A campanha para um clima de crise», esta iniciativa «destina-se a desencadear um movimento mundial para combater a crise climática», indicaram os seus organizadores, entre os quais Al Gore e o instigador de «Live 8» de 2005 Kevin Wall, durante uma conferência de imprensa em Los Angeles.

A iniciativa quer «atingir o público em todos os cantos do globo via televisão, cinema, rádio, Internet e Live Earth, um concerto de 24 horas a 7 de Julho de 2007 em sete continentes que reunirá mais de cem artistas musicais de renome mundial», de acordo com a mesma fonte.

Os promotores disseram que os concertos vão ter lugar em Xangai (China), Joanesburgo (África do Sul), Sidney (Austrália), Londres (Reino Unido) e cidades ainda a anunciar no Japão, Brasil e Estados Unidos.

Um dos concertos terá lugar na Antártida, disse Gore.

O cantor de rap Pharrell Williams prometeu «a maior festa da Terra».

Mais de 100 artistas e bandas deverão actuar, nomeadamente Foo Fighters, Lenny Kravitz, Sheryl Crow, Melissa Etheridge, John Mayer, Duran Duran, Korn, Pharrel, The Black Eyed Peas, Akon, Enrique Iglesias, Faith Hill e Tim McGraw.

Seguindo o modelo do «Live Aid» de 1985 e do «Live 8», «Live Earth» visa um público de dois mil milhões de espectadores via televisão e Internet graças à colaboração do seu patrocinador Microsoft.

«Para resolver a crise climática, precisamos de atingir milhares de milhões de pessoas. Lançamos SOS e Live Earth para começar um processo de comunicação que mobilizará pessoas em todo o mundo para que comecem a agir», disse Gore.

Antigo candidato democrata derrotado à presidência dos Estados Unidos c ontra George W. Bush em 2000, Gore lançou o filme «Uma verdade inconveniente» sobre as alterações climáticas, em que intervém.

A obra foi nomeada para os Oscar de 25 Fevereiro, na categoria de melhor documentário.

Gore é mencionado com frequência como possível candidato presidencial e m 2008, apesar das suas repetidas declarações de que não entrará na corrida à sucessão de George W. Bush.

Recentemente, alguns antigos conselheiros reuniram-se em Boston para discutir a campanha a esboçar para o antigo vice-presidente.

«Não mudei a minhas resposta sobre política», disse Gore aos jornalistas. «Não tenciono voltar a candidatar-me à presidência».

Fonte: Agência Lusa

No município de Alto da Boa Vista, 17 crianças xavantes morrem por desnutrição. Em outubro do ano passado, um relatório da funai já denunciava o problema e alertava sobre o risco de vida para os índios.

Na semana passada duas crianças indígenas morreram em Campinápolis (distante 573 quilômetros de Cuiabá). Só na aldeia Marãiwatsede, em Alto Boa da Vista, a 1.143 quilômetros de Cuiabá, 17 crianças morreram de desnutrição do ano passado até janeiro deste ano. Segundo um dos coordenadores da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Área Xavante, Édson Silva Beiriz.

Em um documento de outubro de 2006 ele alertava para a situação crítica das crianças de até cinco anos deidade. Entre os problemas apontados, as cestas básicas distribuídas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) não atendiam as necessidades da população local, e a falta de saneamento básico e água potável.

O documento foi encaminhado ao presidente da Funai, Ministério da Saúde e Ministério Público. A Funasa contesta as informações. De acordo com a Funasa, este ano nenhuma criança morreu na aldeia Marãiwatsede e em 2006 foram 11 mortes, sendo quatro por desnutrição.

“Nós estamos desencadeando há vários meses ações que diz respeito a fazer a identificação das crianças que estão com alto grau de desnutrição. Essa criança passa a ter uma atenção diferenciada, passa a receber alimentação suplementar composta de um sopão duas vezes ao dia e recebe a mega dose de vitamina A”, disse Stephano Benevides, chefe distrital sanitário de saúde da Funasa.

Para a Operação Amazônia Nativa (Opan), as medidas não são suficientes. Segundo o coordenador da organização não governamental (Ong), a ocupação de fazendeiros na área e a concentração dos índios em pouco mais de três mil hectares provocaram impacto na população indígena.

Não adianta trabalhos paliativos de pequenos projetos. Cesta básica é necessário, mas é insuficiente. É preciso um plano de reocupação da área total desse povo”, disse Ivar Bussato.

OAB

Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira (9), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Mato Grosso afirmou ainda que há denúncias de que um índio xavante morre por semana na região de Campinápolis, no Vale do Araguaia, e que a notícia não chega a ser uma surpresa para a OAB em Mato Grosso. Há um ano o fato já vinha sendo denunciado pela Comissão de Direitos Sociais. Luciana Serafim, secretária-geral da OAB e presidente da Comissão de Direitos Sociais disse que há um ano a entidade cobra uma firme investigação do Ministério Público Federal. Ela adiantou que pretende reforçar o pedido de investigação do caso.

O assunto chegou a ser debatido na Conferência Nacional dos Advogados, instância máxima de debates de temas envolvendo a classe, realizada em Florianópolis (SC). Na ocasião, foi aprovada a proposta para que fosse formulada uma auditoria na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no tocante ao atendimento aos grupos indígenas habitantes em Mato Grosso. Principalmente da etnia Xavante, por causa dos graves problemas de desnutrição. O assunto foi apresentado em outubro de 2005 no Painel das Minorias.

Em novembro, a situação havia chegado ao extremo: nas aldeias Água Limpa e Pedra Grande. Entre os índios xavantes, quatro crianças morreram. Elas tinham idade entre oito e quatro anos. Líderes indígenas denunciaram que algumas crianças, acometidas de doenças, neuromusculares ou degenerativas, aparentemente, encontram-se “sem nenhuma assistência médica” nas aldeias onde ocorreram as mortes e também em Sete Rios e São Benedito. “Infelizmente, as denúncias caíram no vazio” - criticou.

Ao apresentar a denúncia sobre o caos na saúde dos índios da região do Vale do Araguaia, líderes confirmaram que as crianças não estavam recebendo vacinas contra doenças de alta proliferação, tais como varíola, febre amarela, poliomielite, BCG, tríplice, sarampo e a própria catapora. Crianças portadoras de catapora, por exemplo, recebiam atendimento apenas por parte do município, quando o trabalho é de responsabilidade da Fundação Nacional de Saúde.

A desnutrição, segundo a Funai, é responsável por 80% das mortes dos índios xavantes, que habitam a região. Edson Silva Beiriz, um dos coordenadores da Funasa, disse que a situação é agravada pela falta de assistência da Fundação Nacional de Saúde.

in Notícia Digital

indio-fabiopozzembomabr.jpgCARACAS - Uma expedição espanhola liderada pela cronista Teresa Aguilar e pelo fotógrafo Carlos Díez Polanco adentrou hoje na floresta amazônica, saindo da cidade venezuelana de Puerto Ayacucho para fazer uma “redescoberta indígena” que deve levar 150 dias. O casal se dirige ao coração de um mundo que, segundo disse Pablo Doberti, diretor da Editora Santillana

A meta inicial é chegar à Feira de Frankfurt de outubro com “um volume que poderia ser chamado de artístico” da expedição, disse. O objetivo mais importante, porém, é criar uma obra para a biblioteca escolar no ano letivo 2007-08 e outra para a biblioteca da família da Venezuela.

As comunidades baniva, baré, kurripako, piapoko, werequena, hoti, jiwi, mako, piaroa, puinave, sánema, wanai, yanomami, yawarana, yekuana e yeral receberão a visita de Aguilar e Polanco. Teresa Aguilar partiu confiante em receber dos “que amam e respeitam a natureza” presentes para compartilhar com aqueles que “se dizem civilizados e estão sujando o nosso planeta”. Em troca ela assume o compromisso de voltar depois às comunidades visitadas com os livros resultantes da expedição. Antes da segunda fase da viagem, em maio, o casal passará alguns dias em São Paulo, para apresnetar o livro ‘Escolas Felizes’.

Fonte: G1
in Notícias 24 Horas

BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmou que a grande preocupação do governo Lula em relação ao meio ambiente é afirmar os direitos indígenas fundamentais, demarcar as terras dos índios, proteger o meio ambiente, a biodiversidade brasileira e integrar a Amazônia a um projeto nacional de desenvolvimento.

Em entrevista hoje ( 8) a emissoras de rádio do país, Tarso disse que a questão ambiental não é fácil de ser abordada, embora a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tenha feito um ótimo trabalho. O ministro citou algumas realizações do governo Lula nessa área, como a política de demarcação de terras indígenas e de proteção das fronteiras.

“Há uma grande preocupação em todos os países, como territórios indígenas e sua demarcação. Há uma grande preocupação também para que essa demarcação não seja utilizada através de uma visão internacional, que vem sendo trabalhada por algumas organizações internacionais que não têm interesse numa preliminar fundamental: a Amazônia é, sim, um patrimônio da humanidade, mas é, sobretudo, um território brasileiro”.

Segundo ele, a Amazônia é hoje a chave de um projeto nacional.

“Ela é a própria síntese de um projeto nacional, porque, dependendo da forma que ela vai sendo integrada nesse projeto, e, repito, respeitando esses espaços territoriais, ancestrais, e ao mesmo tempo utilizando forma equilibrada, de forma responsável essa biodiversidade, e mantendo o equilíbrio desse ecossistema. Dependendo disso, vamos estar mais ou menos próximos da construção de um projeto da nação”.
Fonte: Agência Brasil - DM

in Notícias 24 Horas

 

Marina Silva recebe o maior prêmio de meio ambiente da ONU

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, receberá o maior prêmio das Nações Unidas na área ambiental, o Champions of the Earth (Campeões da Terra) de 2007, como reconhecimento ao seu trabalho em favor da preservação da floresta amazônica e da valorização das comunidades locais e tradicionais da região.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (1º/2) pelo Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (PNUMA). Marina Silva é uma das sete personalidades que serão premiadas. O Campeões da Terra será entregue numa cerimônia prevista para o dia 19 de abril, em Cingapura.
O sub-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU) e diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner, em carta enviada à ministra, elogia a sua dedicação na defesa das questões ambientais. “Vossa Excelência reconheceu que a construção de uma aliança de apoio para proteger o meio ambiente exige adesão a um conjunto básico de valores. Sua crença de que o sucesso da luta para salvar a vida sobre a Terra exige que princípios estejam à frente de nossos esforços fez com que fosse merecedora do prêmio Champions of the Earth 2007″, escreve ele.
O prêmio existe desde 2004. Seu objetivo é contemplar pessoas que tenham uma contribuição significativa e reconhecida, global e regionalmente, na proteção e gestão sustentável do meio ambiente e dos recursos naturais. Os premiados são selecionados por um painel de alto nível, a partir de indicações que o Pnuma recebe. O prêmio não reverte em dinheiro. Ele é simbolizado por uma escultura de metal reciclado, assinada pelo queniano Kioko, que simboliza os quatro elementos fundamentais à vida: sol, ar, terra e água.
Na carta, Steiner classificou como “extraordinária” a contribuição de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente para a proteção da Amazônia e mencionou a queda estimada de mais de 50% na taxa do desmatamento da região nos últimos dois anos. “É um resultado dos novos processos governamentais implementados”, ressalta o diretor-executivo do PNUMA.
Entre 2003 e 2006, a ministra inaugurou um novo modelo de gestão ambiental no governo federal, cujo princípio básico é o envolvimento efetivo de diferentes setores de governo e da sociedade na busca de soluções para problemas de meio ambiente. Defendeu a cooperação entre os vários ministérios e governos estaduais, obtendo importantes resultados que refletem a capacidade do Estado e da sociedade em implementar uma política ambiental capaz de dar respostas aos desafios de conservação da atualidade. Com isso, conseguiu consolidar várias propostas da sociedade civil em novos instrumentos de política ambiental, como o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia e a Política Nacional para o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais, que abrange todos os biomas brasileiros.
Ao lado de Marina Silva, receberão o Campeões da Terra de 2007: o ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore, pela sua atuação na proteção ambiental e na educação sobre os perigos decorrentes do aumento de gases de efeito estufa na atmosfera; o Príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia, por sua crença na colaboração transfronteiriça para proteger o meio ambiente e tratar dos temas ambientais de maneira holística; Jacques Rogge e o Comitê Olímpico Internacional, pelos avanços no esporte e na agenda ambiental, por meio da provisão de mais recursos para o desenvolvimento sustentável e pela introdução de requisitos ambientais mais rigorosos às cidades candidatas a sediar os Jogos Olímpicos; Cherif Rahmani, pelo avanço na agenda de direito ambiental e pela abordagem do tema desertificação na Argélia; Elisea “Bebet” Gillera Gozun, pelo avanço na agenda ambiental nas Filipinas; e,Viveka Bohn, da Suécia, pelo desempenho de destaque em negociações multilaterais e liderança em esforços globais para a segurança química. Já foram premiados em edições anteriores o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev; o povo da África do Sul e sua presidenta, Thabo Mbeki; e a ex-vice presidente do Irã, Massoumeh Ebtekar.

in Agência Envolverde/IPS
via Vermelho

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Para Marina Silva, prêmio da ONU é uma conquista do governo

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, considera sua indicação para o prêmio Champions of the Earth (Campeões da Terra), da Organização das Nações Unidas (ONU), “um reconhecimento por algo que está começando e que mostrou que dá certo”. Ela foi indicada por sua atuação na preservação da floresta amazônica e de comunidades tradicionais.

Segundo Marina Silva, a premiação é fruto de um trabalho que envolveu 13 ministérios e a contribuição da sociedade brasileira nos últimos anos. “Uma das coisas que eu observei é que as premiações foram feitas para ações que estão em curso. Longe de imaginar que isso aqui já é por um resultado ou por um processo concluído”, destacou.
Para a ministra, alguns aspectos contribuíram para a redução do desmatamento, como: a realização de três seminários técnico-científicos com participação de setores da sociedade civil, a transformação de ações em políticas públicas, a criação do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real e a elaboração do Plano de Combate ao Desmatamento.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente,o diretor executivo do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, elogiou a ministra pelo seu “extraordinário” trabalho, disse que “a taxa de desmatamento na Amazônia caiu mais de 50% nos últimos dois anos” e destacou o compromisso dos premiados com “um mundo mais justo, igualitário e sustentável”.
Segundo o Pnuma, Marina Silva “inaugurou um novo modelo de gestão ambiental no governo federal, incentivando a cooperação entre ministérios e governos estaduais”.
Também receberão o prêmio o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge; Cherif Rahmani, da Argélia, pela criação de políticas ambientais; Elisea “Bebet” Gillera Gozun, das Filipinas, pelo trabalho em projetos do Banco Mundial; e Viveka Bohn, da Suécia, pela atuação em negociações multilaterais.
A premiação é concedida desde 2004, em reconhecimento  ao trabalho de pessoas que tenham contribuído, regional ou mundialmente, na proteção e gestão sustentável do meio ambiente e recursos naturais.
A cerimônia de premiação está marcada para 19 de abril, em Cingapura.

Segundo Marina Silva, a premiação é fruto de um trabalho que envolveu 13 ministérios e a contribuição da sociedade brasileira nos últimos anos. “Uma das coisas que eu observei é que as premiações foram feitas para ações que estão em curso. Longe de imaginar que isso aqui já é por um resultado ou por um processo concluído”, destacou.
Para a ministra, alguns aspectos contribuíram para a redução do desmatamento, como: a realização de três seminários técnico-científicos com participação de setores da sociedade civil, a transformação de ações em políticas públicas, a criação do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real e a elaboração do Plano de Combate ao Desmatamento.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente,o diretor executivo do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, elogiou a ministra pelo seu “extraordinário” trabalho, disse que “a taxa de desmatamento na Amazônia caiu mais de 50% nos últimos dois anos” e destacou o compromisso dos premiados com “um mundo mais justo, igualitário e sustentável”.
Segundo o Pnuma, Marina Silva “inaugurou um novo modelo de gestão ambiental no governo federal, incentivando a cooperação entre ministérios e governos estaduais”.
Também receberão o prêmio o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge; Cherif Rahmani, da Argélia, pela criação de políticas ambientais; Elisea “Bebet” Gillera Gozun, das Filipinas, pelo trabalho em projetos do Banco Mundial; e Viveka Bohn, da Suécia, pela atuação em negociações multilaterais.
A premiação é concedida desde 2004, em reconhecimento  ao trabalho de pessoas que tenham contribuído, regional ou mundialmente, na proteção e gestão sustentável do meio ambiente e recursos naturais.
A cerimônia de premiação está marcada para 19 de abril, em Cingapura.

in Agência Brasil
via Vermelho

O ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV-MA) apresentou ontem à Câmara, em nome do Partido Verde, quatro propostas destinadas a reduzir a participação do Brasil no aquecimento global. Na semana passada, o tema foi alvo de preocupação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), realizado em Paris. A ONU afirmou que a temperatura média do planeta se elevará de 1,8ºC a 4ºC até 2100, elevando o nível do mar de 18 a 59 centímetros e piorando ciclones, secas e enchentes. A expectativa é que o Pólo Norte derreta até aquele ano.

Uma das propostas apresentadas pelo Partido Verde reforça a meta, já prevista no Protocolo de Quioto, de redução de emissão de gases pelo Brasil. A idéia é reduzir a emissão em 5,2% até 2012, em relação aos níveis detectados em 1990. Outra proposta estabelece medidas que devem ser tomadas pela União, estados, municípios e suas empresas e autarquias, como economia de água e de energia e a introdução de auditorias ambientais periódicas. A terceira determina medidas ecológicas no Congresso Nacional (Câmara e Senado), como a troca de carros movidos a gasolina por bicombustíveis e a adoção de critérios ambientais nas licitações; por fim, a última proposta trata apenas da Câmara, que deverá economizar recursos naturais como água, energia e papel.

Outros partidos participam do debate
A discussão sobre o aquecimento global promete encontrar bastante espaço na Câmara. No início desta semana, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) propôs a criação da Comissão Especial de Estudos sobre as Mudanças Climáticas. A intenção é que o grupo possa avaliar a legislação atual e definir novas propostas de enfrentamento ao aquecimento global. “A Câmara não pode estar ausente desse grande debate. Precisa apresentar proposições para que o Brasil aproveite os instrumentos do Protocolo de Quioto, do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, do comércio de carbono, que incentive novas formas de produção de combustíveis renováveis e que seja mais rigoroso para evitar o desmatamento da floresta amazônica”. Para Rollemberg, um dos principais desafios para o País é reduzir o desmatamento da Amazônia, hoje a maior fonte brasileira de emissões de gases estufa.

Inspirada no movimento Amazônia para Sempre, criado por artistas que participam da minissérie “Amazônia – de Galvez à Chico Mendes”, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) propõe a criação de Frente Parlamentar supra-partidária em defesa da região.

O objetivo é estimular um debate que encontre ressonância nos anseios e necessidades dos brasileiros que habitam a maior floresta tropical do mundo. A deputada lembra que ”ameaçada pelo desmatamento, pela biopirataria, por entrada de estrangeiros sem compromisso com o Brasil, pelas explorações de suas riquezas de forma devastadora, a Amazônia vem sendo foco de atenção com os debates acerca do aquecimento global”.

Na semana passada, o líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse, após reunião com integrantes do partido, que o combate ao aquecimento global é uma das prioridades definidas pelo partido. “É necessário que o Parlamento discuta esse tema com seriedade”, afirmou. Ele destacou a necessidade de pressionar os países que ainda não aderiram ao Protocolo de Quioto, como os Estados Unidos.

Queimadas

Durante o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o Brasil foi citado como um dos maiores poluidores, entre os países de economia emergente, por causa das queimadas na Amazônia e das atividades da agricultura e pecuária. No ranking dos maiores poluidores estão China, Índia, Rússia e Estados Unidos, devido às atividades industriais e ao uso de combustíveis fósseis, como a gasolina e o óleo diesel.

Fonte: Agência Câmara
via Vermelho

Ministro Celso Amorim anuncia intenção do governo de criar novo posto junto à ONU. Lula e Marina Silva criticam países ricos e saem em defesa das conquistas obtidas pelo Brasil, acusado de negligenciar o combate ao desmatamento na Amazônia. 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou na segunda-feira (5) que o governo brasileiro estuda a possibilidade de criar um novo posto na estrutura do Itamaraty para cuidar especificamente das questões multilaterais relativas ao aquecimento global. Segundo o ministro, o cargo de Embaixador para as Mudanças Climáticas, cuja criação ainda depende do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá ter seu ocupante escolhido entre os profissionais mais experientes do quadro de diplomatas do Itamaraty.

A intenção do ministro é escolher um nome de peso que possa auxiliar tanto o governo quanto a Missão Diplomática do Brasil na ONU durante as discussões e negociações ambientais que prometem ser mais intensas nos próximos anos: “As discussões sobre o aquecimento global vêm ganhando importância no cenário internacional e a intenção do governo é dedicar atenção especial a esse tema. Vamos estudar qual bom embaixador poderemos deslocar para essa nova função”, disse Amorim, que não precisou quando o novo posto será efetivamente criado.

Ao anunciar a novidade, o governo brasileiro começa a reagir à nova onda de preocupação com o meio ambiente que varre os principais governos do planeta depois que foi divulgado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) demonstrando que o aquecimento global está a um passo de tornar-se irreversível. Desde então, o Brasil - considerado o quinto maior emissor global de dióxido de carbono por conta do desmatamento - voltou a ser alvo de críticas internacionais vindas daqueles que consideram que o país não se esforça o suficiente para garantir a preservação da Amazônia.

As críticas ao governo brasileiro aumentaram depois que o Brasil não aderiu à proposta, feita na semana passada pelo presidente da França, Jacques Chirac, de criação de uma agência da ONU para o meio ambiente nos mesmos moldes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota divulgada na sexta-feira (2), o Itamaraty esclarece a posição do governo brasileiro e afirma que o Brasil julga ser mais importante para a adoção de medidas rápidas de proteção ambiental global o fortalecimento do já existente Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O governo teme que as pressões externas relativas ao aquecimento global acabem servindo aos propósitos de alguns países, sobretudo os da União Européia, que querem fazer com que o Brasil assuma cláusulas ambientais para obter maiores vantagens do país durante as negociações da Rodada de Doha da OMC que estão em curso: “Não gostamos dessas cláusulas. E não porque somos contra defender o meio ambiente. O problema é que, de forma geral, tratam-se de meros disfarces para medidas protecionistas, às vezes até com efeitos perniciosos sobre o meio ambiente”, disse Celso Amorim em entrevista ao jornal O Globo.

Lula critica países ricos
Em visita ao Rio de Janeiro para inaugurar nessa terça-feira (6) o Centro de Operações Tecnológicas dos Jogos Pan-Americanos, Lula voltou a criticar os países que exigem maiores compromissos do Brasil em relação à prevenção do desmatamento na Amazônia: “Não dá para desmatar, desmatar, desmatar e depois querer dividir suas responsabilidades por igual com quem não desmatou tanto. Querem obrigar a gente a fazer o que não fizeram há cem anos atrás”, disse o presidente.

Lula já havia criticado os países ricos no dia em foi divulgado o relatório do IPCC: “Agora está todo mundo preocupado com o desmatamento. A França está preocupada, os Estados Unidos estão preocupados. Mas, não basta a gente a gente diminuir o desmatamento no Brasil, é preciso também que os países ricos tenham mais responsabilidade e parem com a emissão de gases de suas indústrias poluidoras”, disse o presidente, que lembrou o “esforço do Brasil em investir em energias renováveis”.

Marina mostra resultados na ONU
Quem também saiu em defesa da posição do Brasil nas negociações multilaterais sobre as mudanças climáticas foi a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que esta semana se encontra na sede do Pnuma em Nairóbi, no Quênia, onde participa do Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente: “A batalha contra o aquecimento global está no começo e todos podemos fazer algo. No Brasil, temos dado curso a várias alternativas de substituição de combustíveis fósseis, como, por exemplo, o etanol”, disse a ministra, que pretende falar aos seus pares sobre outros conquistas do país, como o Programa Nacional de Biodiesel, os 205 projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) em fase de aprovação e a adoção de 45% de matriz energética renovável.

Na última conferência da ONU sobre mudanças climáticas, também realizada no Quênia, Marina apresentou, em nome do governo brasileiro, a proposta de que os países em desenvolvimento fossem beneficiados economicamente pelo desmatamento evitado em suas florestas. Agora, a ministra pretende mostrar os resultados obtidos pelo Brasil que, nos últimos quatro anos, conseguiu reduzir em 52% o ritmo do desmatamento na Amazônia. A ministra ressalta, no entanto, que os maiores compromissos devem vir mesmo dos países mais industrializados, que são responsáveis por 80% das emissões de gases causadores do aquecimento global: “Mesmo que os países em desenvolvimento reduzam a zero as suas emissões, isso não vai adiantar nada se os países ricos não fizerem sua parte”.

in Vermelho

via Agência Carta Maior

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