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Moderna e bela, a capital paraense vive um ótimo momento. A terra do cupuaçu é abençoada por chuvinhas diárias que acompanham o ritmo dos belenenses: livre, leve e solto. Uma das portas da Amazônia, a cidade demonstra com louvor suas influências indígenas na arte e na cozinha, que utiliza ingredientes da floresta para se tornar tão rica e peculiar.

Casarões azulejados na Cidade Velha revelam as raízes portuguesas que fundaram Belém em 1616, e que posteriormente a transformaram em uma importante região portuária. Isto é visível na Estação das Docas, área transformada em pólo cultural e gastronômico, bom de observar a baía do Guajará enquanto degusta uma salada de siri e toma um suco ou uma cerveja para refrescar a vida. Neste mesmo calçadão, você assiste aos shows folclóricos, no ritmo do carimbó, do siriá e do lundú, obras regionais. Música ao vivo, exposições, oficinas, lojinhas de artesanato, livros e uma brisa úmida tomam a atenção na antiga estação portuária.

Mas isto é apenas o começo, Belém possui qualidades que a diferenciam de qualquer outra cidade brasileira. Talvez sejam as regalias da modernidade desfrutadas com simplicidade; talvez sejam as pessoas, que vivem de gentilezas e despreocupação; talvez sejam as cores do Mercado Ver-o-Peso e todas as histórias que seus vendedores contam; talvez seja o conjunto desses e outros pequenos detalhes, que fazem a cidade representar a alma do Brasil com magnificência.

O ecossistema amazônico é contemplado através de conjuntos como o Parque Emilio Goeldi, onde animais como a onça pintada e o peixe elétrico, além de enormes árvores amazônicas são preservados. O Mangal das Garças, que conta com mirante e passarela sob a mata; e o Jardim Botânico, com trilhas e um orquidário também são ótimos lugares para apreciar a riqueza da natureza local.

As construções históricas também valem atenção especial. Um programa imperdível é uma visita ao Theatro da Paz, que passou dois anos fechado e reabriu em 2002. Inspirado no Teatro Scala, de Milão, todavia possui mobília original de 1878, ano de inauguração. O Forte do Presépio é outro grande atrativo por ser a primeira construção da cidade e por abrigar o Museu do Encontro, que conta a história da colonização portuguesa na Amazônia desde o século 17. A Casa das 11 Janelas hoje em dia é centro cultural com diversas atrações e o melhor chope da cidade, mas já foi residência de senhor de engenho e a partir de 1768 abrigou o Hospital Real.

Formado por um conjunto arquitetônico datado de 1698, o Museu de Arte Sacra guarda um acervo com cerca de 320 peças de arte religiosa. No Palácio Antônio Lemos está instalado o Museu de Arte de Belém, com obras de Cândido Portinaro, Alfredo Volpi e artistas locais.

DICAS 

Como Chegar: Existem vôos diretos das principais capitais do país até o aeroporto internacional de Val de Cans, que em 2001 foi inaugurado com lojas, praça de alimentação, salão de beleza e lan-house.

Melhor Época: Reforma nenhuma muda o calor em Belém, fato. Seja qual for a época do ano, as temperaturas permanecem na média de 30ºC. Além disso, a umidade produz um mormaço que pode não agradar os desacostumados. Fora isso, a chuva é um dos símbolos de Belém e está presente todos os dias, o que compensa o calor e produz uma brisa deliciosa. Dezembro a maio é a época que mais chove. O resto do ano é agraciado por pancadinhas rápidas no final da tarde. Nunca saia sem guarda-chuva!

Gastronomia: A grande referência da cozinha paraense é o pato no tucupi. Para traduzir, tucupi é um soro da mandioca que é extraído e fervido antes de envolver a ave. O ensopado é enriquecido com jambu, erva amarga que entorpece os lábios. Outro prato famoso é a maniçoba, tipo de feijoada que substitui o feijão pela maniva, uma planta venenosa. É preciso cozinhar as folhas durante uma semana, para que no sétimo dia as carnes sejam adicionadas sem perigo de haver veneno. O cheiro é uma delícia. Mesmo com o clima escaldante, os pratos são servidos muito quentes. O tacacá, por exemplo, uma sopa feita com tucupi, goma de tapioca, jambu e camarões secos, é servida em temperaturas efervescentes em barraquinhas pela cidade sob os 40 graus, que seja. Os frutos são uma atração a parte. Á começar pelas deliciosas castanhas do Pará e de caju, são torradas na hora e vendidas como água por toda a cidade. O cupuaçu é outra delícia a ser explorada, assim como o taperebá, o muruci, o bacuri e o rambotã. Para finalizar, Belém é também a terra do Açaí. O pequeno fruto consumido por marombeiros como energético, fora do Pará, é outra história. Nem pense em pedir granola para misturar ao açaí em forma de mingau, simplesmente porque isso não existe praquelas bandas. Os acompanhamentos originais são farinhas de tapioca e mandioca, camarões salgados, ou quem sabe pedaços de carne-seca. Ao contrário da energia que o açaí provoca no resto do Brasil, em Belém ele provoca moleza: caia na rede e aproveite a sesta amazônica!

Antes de ir: O ministério da Saúde recomenda tomar vacina contra febre amarela pelo menos dez dias antes.

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